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Juvema investe no online

No mercado há 35 anos e com uma taxa de exportação que ronda os 95%, a especialista no fabrico de polos, detentora de uma forte carteira de clientes como Roberto Verino, Klingel ou Cafe du Cycliste, lançou uma loja online como forma de escoar os excedentes das matérias-primas das amostras dos seus clientes.

Augusto Sousa

Sedeada em Fafe e com 22 trabalhadores, a Juvema decidiu investir, em junho passado, na sua primeira loja online para eliminar o desperdício. «Muitas vezes tenho que comprar mínimos de 18 quilogramas de uma malha para usar apenas um quilograma numa amostra. Então pensei que em vez de vender esse stock a preço baixo, poderia pegar nesse excedente, levar à tinturaria, dar-lhe novos acabamentos e fazer peças próprias para vendê-las ao cliente final», explica o administrador Augusto Sousa ao Portugal Têxtil.

As peças de vestuário têm a etiqueta da Juvema e podem ser adquiridas por valores que variam entre os 15 e os 25 euros. «Não teremos grandes quantidades e dificilmente se encontrarão peças iguais. Serão quase exclusivas», sublinha.

Presente no mercado global desde a sua fundação, em 1986, a Juvema percebeu desde cedo a importância de participar em feiras internacionais e foi, paulatinamente, marcando presença em vários mercados. Em 2020 investiu na Première Vision Paris, feira à qual regressará novamente a 21 de setembro. A empresa esteve ainda recentemente na Munich Fabric Start, pela primeira vez, com o objetivo de angariar mais clientes na Alemanha, um mercado que é, de resto, forte para a especialista em confeção. «Acabei por encontrar um cliente com quem trabalhara há 15 anos. Entrou no stand e disse-me: eu conheço-te de algum lado. Vou agora enviar-lhe algumas peças e preços» revela Augusto Sousa.

Com uma taxa de exportação de cerca de 98%, a Juvema conta com uma lista de clientes de peso, como Klingel (Alemanha), Roberto Verino e Florentino (Espanha), Pandinavia, Driven Jeans e Sportwagon (Suiça) ou ainda Cafe du Cycliste (França).

Embora esteja vocacionada para todo o tipo de artigos de vestuário, o core business da empresa centra-se no fabrico de polos de alta qualidade, com misturas nobres como seda, caxemira ou linho. «Somos uma empresa vocacionada para trabalhar em escala pequena, e não para grandes grupos, com a possibilidade de execução desde 100 peças» realça o administrador da Juvema.

O ano de 2020 foi difícil face à situação pandémica mundial. «Tivemos muitas encomendas canceladas e tivemos que entrar em layoff», lamenta Augusto Sousa que viu a empresa registar uma quebra do volume de negócios na ordem dos 25%, para 600 mil euros. No entanto, o administrador prevê encerrar o corrente exercício com um aumento significativo, até «porque já não tinha ideia de tanto fluxo de trabalho pós-ferias».