Início Arquivo

Karl Lagerfeld sob todas as costuras

A autora conta como estes dois jovens, "provinciais que sonhavam um dia com Paris", com 18 e 21 anos respectivamente, conseguiram alcançar a fama mundial e de como eram próximos no início do seu trabalho como criadores. A separação deu-se com o triunfo alcançado por Yves Saint Laurent aquando da exibição da sua primeira colecção para a casa Dior em 1958. O estilista francês aniquilou o jovem Alemão que trabalhava como simples estilista freelancer de prêt-à-porter. Alicia Drake analisa as profundas diferenças nos estilos de costura de ambos os estilistas e nos seus modo de vida. Yves Saint Laurent desenvolveu o seu próprio estilo enquanto que Karl Lagerfeld, "vampirisa" tudo o que vê "assimilando e recreando à sua maneira". Mas, foi o amor comum pelo mesmo homem que precipitou a ruptura entre eles. Em 2002, Saint Laurent proclama-se "o último costureiro" e abandona a alta-costura. Lagerfeld entra na Chanel em 1982 e faz reviver esta "casa de costura moribunda". A renovação permanente foi a palavra de ordem da moda. Segundo a autora, foi com a ascensão da Chanel que Karl Lagerfeld se desforrou do seu antigo rival. O livro permite ao leitor entrar num mundo onde "as apostas à morte se fazem com sorrisos, com doçura e ardor ", onde os presentes sumptuosos são recebidos para compensar os tratamentos injustos, os salÁrios medíocres e a disponibilidade total. Karl Lagerfeld aparece como um homem de uma generosidade "imensa", um trabalhador obstinado que "não tem vida privada" e com o poder de "conceber tudo o que deseja". A autora constata, ao longo dos anos, o desenvolvimento de um "narcisismo" que se "torna embaraçoso". A personagem do costureiro é intitulada no livro de "marioneta". Interrogado sobre o livro, à margem dos recentes desfiles prêt-à-porter feminino, Karl Lagarfeld declarou: "não o li, tenho que falar com os meus advogados, pois parece que este livro é inútil". O cineasta Rodolphe Marconi fez um documentÁrio cognominado de "Lagerfeld confidentiel", sobre o quotidiano do costureiro onde o único entrevistado é o próprio. O espectador pode assim entrar no apartamento de Karl Lagerfeld recheado de livros, anéis e iPods, nos bastidores dos desfiles, nos aviões e tÁxis que fazem parte do dia-a-dia do estilista de luxo. De igual forma, as imagens mostram-nos Lagerfeld numa viagem de comboio a esboçar um desenho, a fotografar modelos ou ainda quando era criança em calções de tirilene. Os depoimentos no documentÁrio surgem na primeira pessoa. Karl Lagerfeld comenta as imagens de arquivo e responde às perguntas, frequentemente com humor. Fala da amizade, de amor, da moda: "a moda é efémera, perigosa e injusta". O criador "gosta da mudança" e "não tem nada que o faça deixar para trÁs". Define-se como um "trabalhador com uma capacidade de improvisação total". O costureiro reconhecido, mesmo sem os seus óculos escuros, afirma que não tem raízes e que não quer ser uma "uma realidade" na vida dos outros, apenas uma miragem.