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Kenzo Takada regressa com decoração de luxo

O fundador da casa de moda Kenzo regressa ao trabalho com o lançamento de uma marca de decoração de luxo. A K3 promete ser intemporal e vem relembrar o talento do designer, que há 20 anos decidiu afastar-se do legado da marca que criou.

Kenzo Takada

Em 1999, seis anos depois de ter vendido a sua marca epónima ao grupo LVMH, Kenzo Takada retirou-se do mundo da moda. Ainda que não tenha ficado parado por completo, desenvolvendo colaborações exclusivas nas mais variadas áreas, o designer japonês confessou à AFP que «sentiu falta» do trabalho. «Há 20 anos não queria trabalhar mais, queria viajar», explicou o criador de moda, que apresentou a primeira exposição na Galerie Vivienne em 1970, desencadeando o sucesso da marca.

Conhecido por transpor influências do estilo asiático para a moda europeia, Kenzo decidiu agora lançar a marca de decoração de luxo K3 e devolver os famosos estampados gráficos e florais aos amantes das suas criações, desta vez, para interiores.

K3

O regresso do designer japonês resulta da vontade de voltar a criar com a vontade de ter um ritmo de trabalho mais ponderado e, por ter o objetivo de criar algo mais «intemporal» do que o vestuário. O ritmo acelerado das semanas de moda e a necessidade constante de inovação na apresentação de novas coleções, contribuíram para a saída do criador das passerelles, uma vez que o design é «sobre a arte de viver», sublinha. «Com o vestuário, tens de estar sempre nas coleções. É preciso mais organização, workshops e tudo isso. Não quero trabalhar mais assim», afirmou Kenzo Takada.

A marca, que oferece vários artigos para a casa, como cadeiras, sofás, mesas, tapetes, roupa de cama, papel de parede e acessórios foi oficialmente apresentada no dia 17 de janeiro no salão Maison & Objet, em Paris, e também num showroom na capital francesa, que viu evoluir o talento do designer e alimentou a sua paixão pela arte.

Dar forma à estabilidade

Aos 80 anos, Kenzo Takada inverteu o ditado «trocar o certo pelo duvidoso» e arriscou na criação de uma marca que lhe confere mais estabilidade e torna possível homenagear a cultura japonesa, ao misturá-la com uma perspetiva ocidental. Todas as criações têm o símbolo japonês kintsugi, uma técnica japonesa de reparar porcelanas e cerâmicas quebradas com um composto de ouro e laca, uma espécie de resina natural. Para o designer, esta técnica do século XV «torna o objeto ainda mais bonito» e responde às preocupações ecológicas sentidas na atualidade.

Jonathan Bouchet Manheim, Kenzo Takada e Engelbert Honorat

A coleção, que conta com a colaboração de Jonathan Bouchet Manheim, diretor-geral da K3, e Engelbert Honorat, assistente criativo, assenta em três temas principais. Os artigos batizados pelo termo “Shogan”, um título militar usado no Japão, representam a masculinidade e um lado mais sóbrio dominado pelo preto e branco. A cerejeira japonesa Sakura deu o mote para os produtos que denotam «harmonia e tranquilidade», com uma paleta de tons pastéis. Já a gama “Maiko” propõe cores vivas como o vermelho e o rosa, bebendo inspiração nos quimonos e nas maquilhagens das gueixas.

Para dar vida à marca K3, Kenzo Takada envolveu cerca de 250 pessoas no novo projeto e ainda recorreu a parceiros em Itália, França e EUA, entre os quais, a empresa italiana Sferra para a roupa de cama.

Os tecidos da coleção apresentam vários estampados com cores vivas, como magenta, e também tons mais subtis, como o branco, e a combinação pormenorizada da prata com o preto. «O nosso ideal de interior é um conforto que nos deixe tentados a ficar lá dentro. Gosto de coisas macias e poéticas, nada agressivas. Gosto de sonhar», resumiu Kenzo Takada.