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Kmart em pré-falência?

A segunda maior cadeia de retalho americana poderá vir a solicitar protecção dos credores, ao abrigo do Capítulo 11 do Código de Falências dos EUA. A empresa diz que irá necessitar de financiamento adicional da banca, depois de meses de vendas baixas, especialmente na época natalícia. A notícia do possível pedido de falência surge depois de uma reunião da administração da empresa, da qual não se conhecem detalhes. «Eu não estou surpreendido com o facto dos dirigentes se reunirem», afirmou Kurt Barnard, presidente do Retail Consulting Group Barnard. «Se eles não conseguirem o crédito que necessitam, a única solução que consigo ver será apelar para o Capitulo 11 do código de falência». Desde o início do ano as acções da Kmart perderam metade do seu valor. A empresa tem vindo a perder mercado para as suas rivais Wal-Mart e Target. As acções da Kmart, que prevê perdas para o seu ano fiscal de 2001, caíram ontem 44 cêntimos, cerca de 13,73%, na Bolsa de Nova Iorque. Hoje, às 12 horas de Nova Iorque, as acções estavam a cair mais de 40%, após a notícia de que a Standard and Poor’s iria retirar a Kmart do seu índice S&P 500. Os problemas surgiram quando o analista de retalho da Prudential Securities sugeriu que a empresa poderia falir se os seus resultados não melhorassem. O retalhista, no meio de uma reestruturação de 2,2 mil milhões de euros, adiantou também que estava a rever os seus planos de negócios para 2002 e 2003. Na segunda-feira, a Standard & Poor (S&P) reduziu o rating da empresa, atitude que foi seguida pela Moody’s, que em duas semanas cortou o rating da empresa três vezes. Hoje, a Moody’s anunciou que baixou a notação da dívida da Kmart para Caa, ou seja para o nível de “junk bond”. A S&P e a Moody’s estavam preocupadas com a flexibilidade financeira do retalhista, que se tem vindo a deteriorar. A redução de preços baixou os lucros da Kmart Quando o CEO da empresa, Charles Conaway, assumiu o cargo em Junho de 2000, desvendou um plano para fazer face à Target e à Wal-Mart melhorando a logística e o serviço ao cliente. Conaway também baixou os preços em cerca de 40.000 produtos, juntamente com o lançamento de uma campanha de marketing, a “BlueLight Always”. Mas a nova campanha e o corte no orçamento da publicidade não bastaram para gerar vendas suficientes e aumentar os lucros. No terceiro trimestre fiscal, a Kmart apresentou perdas liquidas de 254 milhões de euros. Um analista de Wall Street afirmou que a Kmart nunca deveria ter tentado competir com a Wal-Mart a nível de preços, porque a Wal-Mart tem a possibilidade de “espremer” enormes rendimentos da sua infra-estrutura e encolher os preços. A Wal-Mart é o maior retalhista mundial. «Um enorme erro que Conaway cometeu foi publicitar preços mais baixos em vez de publicitar a força das suas marcas, tais como Martha Stewart e Route 66», afirmou Ulysses Yannas, um analista de retalho na Buckman, Buckman & Reid. Durante a desaceleração económica, a Target e a Wal-Mart viram as suas vendas aumentarem nas suas lojas de desconto à medida que os consumidores, conscientes dos cortes nos postos de trabalho e das voláteis acções da bolsa, procuravam produtos mais baratos. Mas a Kmart não conseguiu atrair clientes suficientes nesta altura. Fecho de lojas era uma opção Alguns analistas esperavam que a Kmart fosse forçada a fechar um grande número das suas 2100 lojas de forma a reduzir os custos. «Nós continuamos a acreditar que uma diminuição das lojas da Kmart, cerca de 200 a 400 lojas, é possível e necessária e poderá ajudar a empresa a manter um passo constante ao longo do caminho», adiantou Richad Church, um analista de retalho na Salomon Smith Barney. Contudo, a maioria concorda, que o retalhista americano necessita de tomar algumas medidas rapidamente, de forma a assegurar os seus vendedores. Grandes fornecedores incluindo a Procter & Gamble, Fleming Cos e a Fruit of the Loom, todos afirmaram recentemente que a Kmart está a pagar as suas contas a tempo até agora, mas à medida que a capacidade de obter crédito é afectada pelos cortes nos ratings da empresa, as preocupações começam a surgir.