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Know-how instiga inovação na Artefita

O percurso de quase 25 anos da empresa especialista em fitas deu-lhe a experiência para responder aos desafios dos mais de 300 clientes ativos. Em 2019, a Artefita continua a crescer e, além das cintas para malas personalizadas, direcionadas para o consumidor final, está em cima da mesa um novo projeto para a área logística.

Pedro Sá, João Silva, Gonzaga Oliveira, Pedro Magalhães, Paulo Sá e Abel Vieira

O ano de 2018 deixou boas memórias para a Artefita, que registou um crescimento de 11% no volume de negócios, atingindo a meta de faturar 6,7 milhões de euros. O objetivo para 2019 não é tão ambicioso, mas será um ano de estabilização antes de voltar a crescer em 2020. «Acho que vai ser um ano estável até ao final e de forma a cumprir o nosso objetivo de vendas, que é chegar aos 7 milhões de euros nos nossos 25 anos de existência, em 2020», aponta Gonzaga Oliveira, CEO da Artefita.

Para já, os primeiros quatro meses não desapontaram. Pelo contrário, «existe um ligeiro aumento relativamente ao ano passado, não muito expressivo mas é um aumento», afirma Gonzaga Oliveira.

Embora antecipando a consolidação dos negócios, 2019 será um ano que, possivelmente, trará novos projetos. «Temos um projeto ligado à área da logística, para supermercados, que está em curso», revela o CEO. «Está na fase final e contamos ter essa decisão até às férias, embora possa acontecer a qualquer momento», acrescenta.

Uma área que não é, de todo, uma estreia para a Artefita, que no portefólio de clientes conta já com a gigante americana Walmart. «Quem procura a Artefita não anda à procura propriamente do produto mais barato do mercado, prescindindo de qualidade técnica, de cumprimentos regulamentar e normativo. São sempre agentes consolidados, com exigência», destaca João Silva, diretor de marketing da empresa.

O mercado americano, de resto, tem sido um dos mais dinâmicos nos últimos tempos. «É o mercado que tem mais destaque para nós, que revela maior crescimento», indica Gonzaga Oliveira. A empresa, que exporta 85% da sua produção para mais de 30 países, tem, no entanto, como principal mercado França, seguido da Escandinávia, surgindo no terceiro lugar os EUA.

Novidades no portefólio

Com três marcas distintas – Artefita, Knot e Arctic – e oito áreas de negócio, das fitas para cadeiras de bebé às cintas de amarração para a indústria, passando pelos acessórios para animais de estimação e pela náutica, a Artefita tem vindo a adicionar artigos ao seu portefólio, graças a um departamento de I&D que conta com o apoio de todos os 80 funcionários da empresa. «O que nos distingue também das outras empresas é que crescemos muito em volume de faturação mas não crescemos assim tanto em recursos. E somos uma empresa onde a informação passa muito rapidamente e chega de sector a sector muito facilmente. Então, aquilo que é o nosso departamento de design e desenvolvimento, que tem duas pessoas, tem todo o apoio do departamento de compras, do de marketing, do comercial… Duas pessoas parece quase nada, mas elas recebem inputs de várias outras», explica o CEO. «O crescimento e a inovação não tem de depender de pessoas. Há outro fator de inovação muito relevante, que é invisível, que é a inovação de processo e de método», acrescenta João Silva.

Na mais recente edição da feira de têxteis técnicos e não-tecidos Techtextil, onde a empresa marca presença desde 2005, a Artefita mostrou, entre outras, fitas com fios reciclados, feitos a partir de garrafas de plástico. «Podem ser aplicadas em quase todos os sectores, não vejo muitas limitações», refere Gonzaga Oliveira. Apesar do interesse manifestado por potenciais clientes, o CEO assume que o fator preço pode ser um entrave no mercado. «Quando chegamos à questão do preço, as pessoas acham sempre que é mais barato porque é “lixo”. Esquecem-se que antes de entrar naquilo que é a verdadeira cadeia de transformação de produto há um antes, que tem a ver com a recolha, a triagem, a lavagem e a preparação, que tem um custo inerente», justifica.

Um outro artigo que chamou a atenção foram as cintas de malas personalizadas. «É uma cinta para malas de viagem que tem um código de segurança com três dígitos e pode ter o nome da pessoa», explicou João Silva. «Identifica e permite, no aeroporto, que a pessoa visualize mais rapidamente a sua mala», assinala, acrescentando que «está à venda na loja online. É uma experiência de personalização. Temos três padrões – o Desert, o City e o Seaside – e temos dois tipos de letra, um mais formal e outro mais moderno que as pessoas podem escolher».

Produtos que complementam a já vasta oferta da Artefita, que todos os anos investe 10% do seu volume de negócios na atualização da empresa, que engloba todos os processos, da urdidura à costura. «Estamos constantemente a investir em recursos humanos, na formação, em equipamento e na parte comercial e comunicação com o cliente», enumera o CEO.

Quanto ao que distingue a empresa entre os concorrentes, o diretor de marketing João Silva não tem dúvidas: «é o know-how, o saber-fazer, os 25 anos com uma postura de que se o cliente precisa de qualquer coisa que envolva fita, a Artefita faz com que aconteça. É essa capacidade técnica, capacidade de recursos, capacidade de ir reaprendendo e ir melhorando».