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Lã regenerativa ganha aliados

Cerca de 170 produtores de lã merino, representando mais de um milhão de hectares de terreno, estão envolvidos numa nova plataforma para o aprovisionamento de lã proveniente de uma produção agrícola regenerativa, uma iniciativa da New Zeland Merino Company com as marcas Allbirds, icebreaker e Smartwool.

[©New Zealand Merino Company]

Batizada ZQRX, a plataforma criada pelas quatro entidades está atualmente a trabalhar com 167 produtores de ovelhas na Nova Zelândia, que ocupam uma área superior a um milhão de hectares, e pretende ser uma referência para as marcas internacionais e mais uma ferramenta no combate às alterações climáticas.

«Estamos numa viagem de melhoria contínua que reconhece e celebra o progresso em vez da perfeição. Através do nosso trabalho na pegada de carbono com as nossas marcas parceiras, e com o apoio do Ministério das Indústrias Primárias, sabemos que as emissões nas quintas representam cerca de 60% das emissões associadas com os produtos de lã e são a nossa maior oportunidade para baixar o nosso impacto», explica John Brakenridge, CEO da New Zealand Merino Company. Por isso, acredita, a nova plataforma «é uma evolução importante e necessária do nosso programa de lã ética, o ZQ, Através da adoção de práticas regenerativas que ao mesmo tempo armazenam mais e emitem menos carbono, podemos reduzir as nossas emissões em quinta para zero».

O índice ZQRX inclui as bases do ZQ, como o bem-estar animal e a responsabilidade social, e coloca uma maior ênfase em questões ambientais que reduzem diretamente as emissões de carbono e melhoram a biodiversidade, como os resíduos, a qualidade da água e a saúde do solo.

«O índice ZQRX responde à saúde do ecossistema e das comunidades agrícolas, recompensando o valor dos agricultores que estão empenhados em práticas agrícolas regenerativas», aponta John Brakenridge. «A ZQRX é o início de um movimento mundial para as marcas, negócios e produtores trabalharem em conjunto em questões críticas mundiais, como as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. Sonhamos com um dia em que a lã é produzida com práticas regenerativas», salienta.

Juntos pelo mesmo objetivo

Um objetivo comum às marcas envolvidas. «Como vimos ao longo de 2020, uma grande mudança só pode ser conseguida através de uma ação coletiva. Juntos, os concorrentes têm influência suficiente para endireitar o navio no que diz respeito à ameaça universal das mudanças climáticas. Com o ZQRX, estamos a apoiar um movimento para um futuro verdadeiramente regenerativo, um que dá prioridade ao planeta e apoia a nossa busca incessante para fazer coisas melhores de uma forma melhor», sustenta Tim Brown, cofundador da Allbirds.

icebreaker [©icebreaker]
A icebreaker e a Smartwool, esta última parte da VF Corporation, tinham já ajudado a fundar a plataforma original ZQ há 13 anos, enquanto a Allbirds, que também se aprovisiona de lã ética com recurso à ZQ, será a primeira marca de moda a etiquetar todos os artigos que vende com a sua pegada de carbono.

«Acreditamos na melhoria contínua e quando sabemos mais, fazemos mais. É por isso que temos estado a impulsionar soluções inovadoras de lã merino sustentável em todos os níveis do nosso negócio há mais de 25 anos», aponta Jen McLaren, presidente da marca Smartwool.

Já o presidente da marca icebreaker, Greg Smith, confessa que «estamos constantemente impressionados pela forma como os produtores cuidam da sua terra, dos seus animais e das suas pessoas. Está tudo interligado. Os nossos produtores já fizeram avanços, ao longo de gerações, para cultivarem de forma regenerativa. A ZQRX honra esses passos e dá-nos uma plataforma para medir, seguir melhorias e ir mais além».

Em conjunto, as três marcas representam aproximadamente 2 milhões de quilos de lã. «Embora não haja uma solução única para os desafios climáticos que enfrentamos, a plataforma ZQRX dá poder aos agricultores para trabalharem com a natureza para melhorarem continuamente. É um passo que nós, coletivamente, enquanto marcas líderes mundiais em lã merino, podemos dar para mudar o mundo e deixar o planeta melhor do que o que encontramos», conclui Greg Smith.