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Lá vem a noiva

Micaela Oliveira, Diogo Miranda, Anabela Baldaque, Alexandra Moura, Miguel Vieira e Nuno Baltazar são apenas alguns dos designers nacionais que têm levado noivas com vestidos customizados até ao altar.

Micaela Oliveira

Alguns chegam a vestir centenas, outros são mais seletivos no número de mulheres que ajudam a concretizar, por vezes, um sonho de infância.

De braço dado com a noiva – e tantas vezes também com familiares para quem desenvolvem coordenados de cerimónia –, os designers nacionais dão provas de versatilidade, mas não abrem mão do seu ADN.

Até se chegar ao vestido ideal, tudo acontece mais ou menos como uma história de amor – há vários encontros, votos e até um anel.

Os encontros

Micaela Oliveira

Na lista de expositores da Braga Noivos há 15 anos e com desfiles de moda nupcial encenados aquém e além-fronteiras, a marca epónima da designer Micaela Oliveira começou, precisamente, pela noiva.

«Na marca, a minha principal atividade, desde sempre, foi a moda nupcial. Só depois, com as figuras públicas, a marca se tornou mais conhecida do público em geral e comecei a ser mais procurada para outras linhas», revela Micaela Oliveira ao Portugal Têxtil, explicando que o seu processo incide muito no diálogo constante com a noiva. «Ela vai conversando comigo, vou conhecendo a personalidade dela, o que ela gosta de usar, o que não gosta, e é tudo trabalhado de uma forma muito íntima», acrescenta.

Vestindo, para o grande dia – este ano foram centenas –, mulheres de países como Índia, Holanda, Roménia ou Espanha, Micaela Oliveira foi convidada, em fevereiro último para o IF Wedding Fashion İzmir, na Turquia, certame que conta com mais de 23 mil visitantes oriundos de 70 países.

Miguel Vieira

«Fui convidada para abrir o certame de moda nupcial e levei a minha equipa de 18 pessoas», conta Micaela Oliveira que, entretanto, já passou por outros eventos internacionais, sendo o mais recente na Malásia.

Miguel Vieira também valoriza a proximidade com a noiva para chegar ao vestido idealizado, muitas vezes, «desde criança», como reconhece.

«Para fazer um vestido de noiva tenho de estar cinco vezes com ela. No dia em que ela vai lá, na segunda vez para poder apresentar a proposta, na terceira para fazer uma prova, na quarta outra e na quinta para entregar», esclarece sobre o processo que «adora».

O vestido

Diogo Miranda

O trabalho de personal tailoring, para noivo, e o de alta-costura, para noiva, são outros dos serviços oferecidos pela marca Diogo Miranda, a comemorar este ano o 10.º aniversário, mas envolvem alguma discrição.

«Como é um trabalho tão personalizado e muito virado para o cliente, nem fazemos grande publicidade. Por isso, nem publicamos. Porque é um trabalho entre mim e o cliente», afirma o designer, ressalvando que «nem sequer há fotos, são modelos exclusivos – as etiquetas vão com os nomes das clientes».

Este verão, durante a época oficial de casamentos, Diogo Miranda não vestiu apenas as noivas, mas também as mães e as primas das noivas, entre outras.

«É um nicho muito interessante, porque é preciso trabalhar-se consoante o gosto de uma cliente e, numa coleção, damos asas à nossa imaginação. Por outro lado, quando estamos a fazer noivas, não nos podemos esquecer do nosso ADN», observa o designer.

Anabela Baldaque

O anel

Se para Diogo Miranda tudo circula em volta do vestido, sendo a maioria das peças acabadas à mão com pormenores de alta-costura, para Anabela Baldaque tudo começa pelo anel.

«Uma coisa que me inspira muito nestes trabalhos é o anel de noivado. Normalmente quando se dá um anel de noivado é porque é um bocadinho a cara da noiva. Muitas vezes, está lá o anel de noivado da pessoa, porque o anel de noivado é uma coisa muito especial. É esse, muitas vezes, o meu ponto de partida», confessa a designer, que este ano já desenvolveu oito vestidos de noiva.

Nuno Baltazar

Os votos

Respeitando as diretrizes das clientes, na moda nupcial, os designers mantêm-se fiéis ao ADN estético das marcas que assinam.

«Para mim, há quatro princípios que são fundamentais. O meu gosto, o gosto da cliente, o tipo de corpo e o tipo de festa que vai fazer», aponta Nuno Baltazar, que faz entre oito a 12 noivas por ano.

Alexandra Moura

Alexandra Moura segue semelhante princípio, salvaguardando que «à partida, uma noiva Alexandra Moura já tem um sentido estético muito próprio».

Recusando-se a seguir os cânones tradicionais, a designer revela que já houve pedidos “difíceis”.

«Já me aconteceu chegarem e dizerem exatamente “aquilo” que pretendiam mas, aí, quando as pessoas já têm a ideia, devem ir a uma costureira», aconselha a designer.