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La vie en rose na Valentino

Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da Valentino, levou um paraíso rosa à Semana de Moda de Paris, na sua apresentação da coleção outono-inverno 2022/2023. Uma vida menos rosa vive-se atualmente na Ucrânia, à qual deram voz Demna Gvasalia e Stella McCartney na passerelle da Cidade-Luz.

[©Valentino]

Apresentada num cenário monocromático com a atriz Zendaya, embaixadora da casa de moda, também vestida de rosa, a Valentino mostrou uma coleção para os dois géneros colorida praticamente na totalidade em Valentino Pink PP, que a especialista da cor Pantone desenvolveu em exclusivo para a casa de moda italiana, revela o Sourcing Journal.

Ao resumir a paleta de cores a um único tom, Piccioli decidiu-se a fazer mais com menos, «maximizando as possibilidades expressivas na aparente falta de possibilidades», explicou numa nota. O rosa, equilibrado com alguns coordenados completamente em preto, teve como objetivo «eliminar o choque visual» e permitir que o caráter único da pessoa e da moda (textura, forma e decoração) se mantivessem como único foco.

[©Valentino]
«A subtração é, na verdade, amplificação, magnificando tanto os humanos como a roupa», sustentou a casa de moda.

O PP em Valentino Pink PP é uma referência a Pierpaolo Piccioli, apaixonado por este tom que explorou em profundidade nos últimos anos, tendo sido usado nas coleções de pronto-a-vestir e de alta-costura para a primavera-verão 2022, quer sozinho, quer em combinação com o verde azeitona. A tonalidade foi ainda vastamente utilizada na exposição da Valentino durante a feira de arte Art Basel, em Miami, no passado mês de dezembro.

A casa de moda italiana tinha já dado uma antevisão da coleção no dia anterior à apresentação com a projeção da cor em edifícios parisienses. A Valentino trabalhou com o escritor, designer e artista visual Douglas Coupland para revelar este tom que define a coleção, que culminou numa brochura e numa caixa exclusiva enviada a convidados, imprensa e amigos da marca de luxo. Também lançou um filtro do Instagram com as reflexões selecionadas por Coupland, incluindo “torne-se a sua pose”.

[©Valentino]
O rosa, em geral, tem-se revelado resistente na moda. Aumentou a sua popularidade durante a década de 2010, quando o “rosa millennial” se tornou a assinatura de qualquer marca que quisesse atrair os millennials e tornou-se um símbolo do feminismo após o movimento #MeToo de 2017. Foi ainda uma cor central na passadeira vermelha dos Óscares de 2020.

O rosa mostrou ser também uma espécie de impulso de energia no período de saída da pandemia para marcas em ascensão como Brandon Maxwell, Pat Bo e Jacquemus, que ofereceu uma coleção-cápsula no Natal de 2020 em rosa. Mais recentemente, a cor fez parte da previsão da Pantone para as propostas para o outono-inverno 2022/2023 da Semana de Moda de Nova Iorque.

A Pantone está a expandir o negócio através do desenvolvimento exclusivo de cores para a identidade de marcas. Lançou o Brady Blue, em dezembro, para a nova linha de vestuário de homem do ex-jogador de futebol americano Tom Brady e criou o Ultra Black para marcar o lançamento do single epónimo do rapper Nas.

Ucrânia não foi esquecida

A Semana de Moda de Paris, que terminou na passada terça-feira, 8 de março, foi também palco de manifestações de solidariedade para com o povo ucraniano. Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga, recordou o seu próprio trauma enquanto refugiado da guerra na Geórgia.

[©Balenciaga]
[©Balenciaga]
Os convidados do desfile foram recebidos com t-shirts com a bandeira da Ucrânia e uma nota a explicar que a guerra espoletou a dor do trauma que o designer carrega desde 1993, quando «a mesma coisa aconteceu no meu país natal e me tornei num refugiado para sempre».

À Reuters, Gvasalia afirmou que «como marca, temos de fazer alguma coisa… Não podemos pegar em armas e ir lá lutar, mas podemos usar a nossa voz». O designer, que tem familiares na Ucrânia, onde chegou a viver dois anos após a saída da Geórgia, sublinhou que «quando se passa por uma guerra, nunca se esquece isso».

Na passerelle, que imitou um cenário de neve, a Balenciaga mostrou vestidos com capa, calças largas, camisolas com capuz oversize e coordenados floridos, sempre com um saco de plástico como acessório.

Sem um passado tão ligado à Ucrânia, Stella McCartney também não ignorou o que se passa no país e encerrou o desfile ao som de “Give a Peace a Chance”, a canção antiguerra de John Lennon. «Acredito firmemente na paz e no amor e, obviamente, usar a música do John, que foi o melhor amigo do meu pai… faz sentido, para mim, é uma canção pessoal que reflete o pensamento de todo o mundo, espero, neste momento», justificou a designer no final do desfile, onde mostrou coordenados boémios com bolsos e ombros marcados para o outono-inverno 2022/2023.

[©StellaMcCartney]