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Lasa à procura de nichos de mercado

Uma forte aposta numa estratégia de investimento tendo em vista um reforço de posição num mercado actualmente hostil está a ser protagonizada pela Armando da Silva Antunes, SA, uma empresa com uma importante presença na industria têxtil especialista em atoalhados de felpo, apresentando a Lasa como uma reconhecida marca própria.

Dispondo de uma unidade em Guimarães com mais de 400 empregados, integrando todas as fases pós-fiação, desde a tecelagem á confecção, tendo a sua própria central eléctrica, esta empresa foi responsável por cerca de 5 milhões de contos de volume de negócios no exercício de 1999. «Nós neste momento, em termos de produção digamos que já somos uma empresa totalmente verticalizada; temos uma empresa do grupo que é a Filasa que fornece a matéria-prima, o fio, depois a empresa detém todo o resto do processo produtivo», confirma fonte da Lasa ao Jornal Têxtil. Fornecedor de grandes marcas, como a Nike, a Joop ou a Ikea, a empresa vê-se penalizada por custos de produção elevados relativamente aos seus concorrentes asiáticos, com salários 10 vezes mais baixos, chegando a ter diferenças de mais 50% dos preços apresentados pelos fabricantes indianos ou paquistaneses.

Mas neste contexto a empresa relembra que «temos os nossos clientes, que nos conhecem e sabem que temos um cumprimento muito rigoroso dos prazos de entrega, o que esses produtores não conseguem» acrescentando «a aposta terá que passar pela qualidade, e só com maquinaria avançada se cumpre esse requisito».

Assim sendo, com a candidatura que a empresa realizou ao programa PEDIP nestes últimos anos, tem feito investimentos «na área produtiva, área de qualidade, sistemas de informação e automação, departamento de criação e design, em infra-estruturas e na formação profissional»,« num investimento que ronda os dois milhões de contos». Evidencie-se que neste projecto está incluído o processo de certificação da norma Iso 9002, prestes a ser concluído para a sua tecelagem e para a sua confecção, depois de a ter obtido pela sua fiação, e um armazém totalmente robotizado responsável por 88 mil contos do investimento global. Outra das apostas da empresa foi a diversificação, orientando-se para nichos de mercado, com a criação de colecções próprias como a Lasarito, há dois anos, no segmento de bebé, e a Blumara, mais recentemente, apostando na gama alta, num estilo de boutique sofisticada.

Acrescente-se ainda a aposta na distribuição a nível internacional, «nomeadamente em Espanha e em Itália, e estamos a pensar em avançar também para a Alemanha e para outros países, procurando canais de distribuição, fazendo parcerias com empresas já devidamente instaladas para poder depois escoar as nossos produtos» acrescenta a empresa.

Esta medida já está a dar os seus frutos pois a Lasa graças à primeira experiência, há quatro anos, com um parceiro espanhol, duplicou as suas vendas neste mercado para onde dirige 10% das exportações. A têxtil portuguesa, que realiza 90% das suas exportações na Europa, procura também conquistar mercados mais longínquos, como os Estados Unidos, o Canadá, a América do Sul, Austrália e a Nova Zelândia.