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Lasa dá cartas na ciência

Da ligação da empresa de têxteis-lar ao 2C2T nasceu o projeto Smart-Bed, que já resultou num prémio e na publicação de dois artigos científicos no reputado Textile Research Journal.

A publicação científica – a quinta mais importante das 24 existentes na área de ciências dos materiais, têxteis, de acordo com o ranking de 2016 do Journal Citation Reports – divulgou os resultados do “Smart-Bed – desenvolvimento de têxteis-lar multifuncionais para crianças e jovens” e deu mais força ao projeto da Lasa em parceria com a Fibrenamics (ver Explosão de fibras no 2C2T).

«A ideia era trabalhar na área da sensorização e da integração de eletrónica nos têxteis», explica Ricardo Silva, adjunto da administração e responsável pelo projeto, ao Jornal Têxtil (novembro 2017). «O que acabou por se desenvolver foi um lençol de sensorização de líquidos», revela.

Produzido em algodão, o lençol é composto por um tecido triplo que, quando associado a um sistema eletrónico, aciona um alarme transmitido por Bluetooth para um smartphone ou tablet que indica que há a necessidade de ser trocado. «Tivemos que ajustar os teares, fazer algumas alterações importantes, porque um fio condutor não funciona da mesma forma em termos de resistência e alongamento que um fio de algodão», aponta Ricardo Silva. «Todo o processo teve que ser adaptado ao fio condutor», resume Daniela Guimarães, gestora do projeto.

O projeto valeu à Lasa o prémio Natural Fibrenamics Green Awards de 2017, inserido na terceira edição da ICNF – International Conference on Natural Fibres, assim como a nomeação para os prémios iTechStyle, promovidos pelo Citeve. «A própria Sonae já nos contactou, porque fomos finalistas no iTechStyle e houve uma notícia da TVI. Alguns dos nossos clientes estavam atentos e também nos ligaram a querer saber mais», adianta Ricardo Silva.

Da ideia ao mercado

O desafio agora, confessa o adjunto da administração da Lasa, é a fase da industrialização, nomeadamente em termos de preço. «Queremos tornar este produto sustentável do ponto de vista económico, porque ainda tem alguma tecnologia e estamos a falar de alguns fios com custos muito elevados», afirma. «Temos tentado encontrar formas de substituir algumas situações por outras que estejam mais massificadas, mas que nos deem a mesma garantia. Temos que tentar balancear, digamos assim, as soluções que encontrámos com outras que provavelmente vão ser igualmente viáveis, mas que economicamente podem tornar o produto mais atrativo, porque não queremos que este seja um produto só de nicho», acrescenta Ricardo Silva.

Um dos próximos passos pode ainda ser encontrar um parceiro na área da eletrónica, até porque o projeto já terminou. «Neste momento temos a performance que pretendemos, mas sabemos que foi feita à escala laboratorial – foi feita nos laboratórios do 2C2T, com pessoas que têm muito conhecimento nesta área. Levar isto para a área industrial pode trazer benefícios, porque sabemos que existem, neste momento, outras ferramentas e outras possibilidades da tecnologia. A tecnologia eletrónica tem outro ritmo de evolução e se tornarmos o aparelho ainda mais pequeno e com mais autonomia, são tudo notas positivas que queremos acrescentar», destaca.

A Lasa tem, de resto, em cima da mesa a possibilidade de fazer um novo projeto, para impulsionar a industrialização, da mesma forma que antecipa a vontade de alargar o cliente-alvo do Smart-Bed. «O produto foi lançado numa vertente que tem mais a ver com bebés e crianças, mas a maior parte das pessoas comenta que é um produto adaptável para a geriatria», avança o responsável.