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Latino reforça interatividade

O fato de bombeiro que a empresa tem vindo a desenvolver com o 2C2T da Universidade do Minho desde 2012 está mais interativo e capaz de responder às necessidades de comunicação constante.

Há seis anos que a empresa especialista em confeção de vestuário de proteção tem vindo a trabalhar neste fato interativo de bombeiro, que não só contempla propriedades habituais em vestuário de proteção como integra sensores e um software desenvolvido de raiz para permitir uma comunicação contínua entre os bombeiros no terreno e o centro de comando.

Na apresentação do projeto durante a 8.ª Conferência Europeia de Vestuário de Proteção (ver Os novos desafios dos EPI’s), que decorreu entre 7 e 9 de maio no Porto, sob a chancela do Citeve, Clementina Freitas, CEO da Latino, revelou que «o objetivo é melhorar a segurança dos bombeiros» e enumerou todas as peças que constituem este complexo projeto. «O nosso sistema interativo para bombeiro é composto por umas calças e um casaco impermeável, ignífugo e térmico, uma primeira camada com malha resistente à chama com sensores integrados, que são elétrodos têxteis, sensores wearable, uma bateria e também um software para integração do sistema», apontou.

O fato permite medir a concentração de monóxido e dióxido de carbono na atmosfera e a temperatura externa, mas também a temperatura interna do bombeiro e o seu ritmo cardíaco. «Tem ainda um botão de pânico que pode ser acionado e informar o comandante da equipa», referiu.

O fato contempla também GPS, para determinar a posição de cada elemento da equipa e «cada bombeiro funciona como um ponto de acesso, permitindo o alargamento da rede», explicou Clementina Freitas.

O software tem, assim, um papel fulcral, integrando todos os módulos e garantindo a comunicação para o exterior. «Possibilita também o armazenamento e gestão dos dados, para serem analisados e permitir gerir melhor um futuro combate a incêndio», afirmou a CEO. De destacar ainda é o facto de os sensores terem uma base têxtil e dos fios condutores e das ligações serem integrados durante a tricotagem.

O fato tem sido testado e demonstrado num contexto real, na Escola Nacional de Bombeiros, permitindo obter o feedback dos utilizadores finais. «No fundo, é um fato que permite a gestão da equipa no terreno. Claro que, naturalmente, com a perspetiva da proteção do indivíduo, o tal equipamento de proteção individual, mas por outro lado permite que o bombeiro seja melhor comandado, porque ele tem comunicação “in and out”, ou seja, é bilateral. Ele recebe informação e comunica com o posto de comando», adiantou Clementina Freitas ao Jornal Têxtil.

Para além de ser demonstrador do fato de bombeiro, o projeto Protactical terá ainda um outro objetivo. «Queremos que ele seja mais ambicioso, porque há um projeto a nível militar e queremos entrar com este produto por aí e vamos conseguir», assegurou a CEO ao Jornal Têxtil.

Fundada em 1986, a Latino emprega atualmente cerca de 50 pessoas, com parte da sua produção a ser realizada com recurso à subcontratação. Com um volume de negócios que ronda os 6 milhões de euros, quase 90% do qual realizado com vendas ao exterior, em mercados como Espanha, Itália, Escandinávia, Inglaterra e Bélgica, o objetivo da empresa é continuar a crescer através da investigação e desenvolvimento, motivo pelo qual criou o núcleo de I&D NidProtech. O núcleo – um projeto em parceria com a Universidade do Minho que começou em janeiro de 2017 e terminará a 31 de dezembro de 2019 – irá permitir que a Latino desenvolva mais competências na área do design, produção e comercialização. «Sentimos necessidade do núcleo porque os projetos têm que ter alguém que trabalhe exclusivamente para eles. Podemos ter várias equipas que depois interagem, mas temos de ter uma pessoa que faz a aglutinação do conhecimento e que é o garante de que as coisas evoluem», considera a CEO.