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Latino rentabiliza o conhecimento

A especialista em equipamentos de proteção e vestuário de trabalho tem vários projetos em curso no 2C2T, sempre com o objetivo de aportar mais valor às soluções mas também rentabilizar os investimentos realizados.

Foi com a Fibrenamics que a Latino, fundada em 1986, iniciou a relação profícua que ainda hoje mantém com o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho. Na altura, o projeto contemplou o desenvolvimento de umas calças com proteção anticorte, por exemplo para utilização em ambiente florestal, capazes de parar uma motosserra e, assim, evitar ferimentos mais graves.

Desde então, a ligação tem-se multiplicado em diferentes projetos e somado bons resultados. «O trabalho com a Fibrenamics e o 2C2T tem consolidado a cultura da empresa. Temos aprendido mais, temos garantido que vamos continuar a evoluir e isso é a parte positiva de tudo. Temos aprendido imenso e ainda temos muito para aprender», assegura a CEO Clementina Freitas ao Jornal Têxtil (edição de novembro 2017).

Em curso, a Latino conta com diversos projetos, incluindo o fato de bombeiro interativo, desenvolvido com o apoio de Ana Maria Rocha do 2C2T. «É um projeto demonstrador, em que temos um consórcio onde está também integrada a Critical Software. Pretendemos que daqui saia a demonstração do equipamento de bombeiro, mas queremos que seja mais ambicioso, porque há um projeto a nível militar e nós queremos entrar com este produto por aí», desvenda Clementina Freitas.

Na área militar, a Latino está igualmente envolvida no projeto AuxDefense e tem em curso a criação do núcleo de investigação NidProtech. «Já tínhamos criado o nosso núcleo de I&D há algum tempo, mas agora vamos certificá-lo», adianta a administradora.

O núcleo – um projeto que começou em janeiro deste ano e terminará a 31 de dezembro de 2019 – irá permitir que tanto a empresa como o 2C2T partilhem competências: no caso da Latino mais vocacionadas na área do design, produção e comercialização e, no caso do centro de I&D, aptidões relacionadas com o desenvolvimento, avaliação de desempenho e incorporação de conhecimento científico.

«Sentimos necessidade deste núcleo de investigação porque os projetos têm que ter alguém que trabalhe exclusivamente para eles. Podemos ter várias equipas que depois interagem, mas temos de ter uma pessoa que faz a aglutinação do conhecimento e que é o garante de que as coisas evoluem», reconhece Clementina Freitas.

Além disso, «o objetivo deste projeto é garantir que, durante estes três anos, vamos ter pelo menos seis projetos de I&D na área balística», aponta ainda a CEO da Latino, que emprega cerca de 50 pessoas. «Claro que, por outro lado, também é consolidar o nosso núcleo de ID&I. Fazemos reuniões quinzenais do núcleo, temos uma equipa interna, multidisciplinar, de umas oito pessoas, e pelo menos de 15 em 15 dias fazemos um ponto de situação e avaliamos a evolução dos projetos», explica, admitindo que «não é fácil gerir inovação, novos projetos, com aquilo que é o dia a dia da empresa».

Ainda assim, a Latino, que exporta cerca de 90% da produção – que se divide em vestuário técnico-profissional, equipamento de proteção individual e equipamento tático –, tem já em fase de avaliação um novo projeto com o grupo de investigação 3B’s da Universidade do Minho, o Citeve, o CeNTI e um centro hospitalar.

Projetos que têm sempre uma vertente comercial associada, sublinha a CEO da Latino, que em 2017 deverá duplicar o volume de negócios para 6 milhões de euros. «A inovação nas empresas, na minha opinião, só tem um objetivo: ganhar dinheiro. A universidade pode ter outros objetivos, que é transmitir conhecimento e aumentar o conhecimento de todos», afirma Clementina Freitas. «Agora, se eu não estiver a trabalhar um produto que seja vendável e que venha a ser rentável à empresa, então eu não quero o projeto. Porque nós não somos uma entidade de investigação, nós não vendemos investigação, nós vendemos um produto. Espero ter sempre produtos para vender», assume.