Início Destaques

Lectra à medida do futuro

A sala de corte será o tema do terceiro webinar da Lectra, que se vai realizar no próximo dia 13 de maio, depois de no segundo Café da Manhã terem sido dissecadas as tendências da customização, com a solução Fashion On Demand a trazer vantagens para consumidores, marcas e produtores num universo pós-Covid.

Virga

Agendado para as 10 horas, o terceiro webinar da Lectra Portugal tem ainda inscrições abertas e terá como tema as soluções para a sala de corte da multinacional de origem francesa, depois de terem já sido abordadas as soluções Kubix Link e, no passado dia 27 de abril, Fashion On Demand.

Esta última solução foi premiada na edição de 2019 da feira de tecnologia e processamento de materiais flexíveis Texprocess, onde o júri enalteceu o facto de ser uma «plataforma inovadora sediada na cloud» que «assegura processos de produção eficientes para o feito à medida e a customização e facilita a produção de proximidade para empresas que oferecem produtos individualizados».

Uma característica que, numa época de crise para o sector da moda, fruto da pandemia de Covid-19, faz ainda mais sentido. Com as lojas fechadas e as vendas online a subirem, «o que há a fazer é manter um contacto permanente com os nossos consumidores», sublinhou Fernando Ribeiro, especialista em soluções Lectra da filial portuguesa, durante o webinar, que apontou que «muitas marcas estão a preparar as suas estratégias e ferramentas de venda para quando terminar o confinamento» e, acrescentou, «não a adaptar-se mas a reagir».

Uma dessas reações tem sido a produção de máscaras, uma área onde a Lectra tem dado o seu contributo utilizando as máquinas Vector, tendo produzido 15 mil batas e equipamentos de proteção individual para vários hospitais. É ainda possível fazer a adaptação de equipamentos para este tipo de produção – como exemplo, a Vector Fashion IX consegue cortar até 1.000 máscaras por hora e a Vector Fashion IX6 pode produzir até 2.500 máscaras por hora. «Outro exemplo que é interessante é da empresa Rosanna Taglio, que adaptou a sua produção de soutiens para a produção de máscaras e fez isso de uma forma única, em que as máscaras não são aquelas máscaras cirúrgicas faciais que estamos habituados a ver todos os dias mas são máscaras que utilizaram as formas dos soutiens para fazer uma máscara mais anatómica e de utilização menos desagradável».

Contudo, afirmou o especialista da Lectra, «na nossa maneira de ver, isto não é um negócio que seja sustentável a médio e longo prazo, porque a máscara é um produto de baixo valor e requer grandes quantidades, ou seja, não é o tipo de mercado para o qual as empresas portuguesas estejam preparadas para competir com outros países como a China, onde se fazem máscaras em grandes quantidades e a preços muito baixos».

Adaptar à nova realidade

O futuro passará, por isso, por uma transformação e adaptação dos negócios «à nova realidade mundial, de forma que seja sustentável e que possa ser sustentável a longo prazo», acredita.

Rosanna Taglio

E nesse sentido, «preconizamos dois tipos de caminho. Um é a produção ágil, que permite responder muito rapidamente a pequenas quantidades mas a muitos pedidos de produções muito diversificados. Outro é a customização, em que é possível o consumidor final pegar num modelo mais ou menos standard e personalizá-lo, customizá-lo de acordo com as suas preferências, as suas necessidades e a sua personalidade», explicou Fernando Ribeiro, dando conta de uma procura cada vez maior por este tipo de produto, sobretudo por parte de indivíduos da chamada Geração Z (nascidos em meados dos anos 90 até 2010). «Querem sentir-se diferentes, querem ter algo que só eles é que têm, já têm o hábito de comprar produtos personalizados e o que é interessante é que estão disponíveis a pagar um preço acima do normal do produto standard para ter o produto premium personalizado», referiu.

Apesar de ser um desafio, a Lectra acredita que será uma oportunidade para marcas e produtores. «Representa uma oportunidade para as marcas, que podem ajudar os seus clientes a expressarem-se de forma pessoal, e para os fabricantes, mas também representa um desafio porque têm de se adaptar – e aqui a palavra é adaptar – a esta nova realidade. É preciso começar a pensar na migração da produção em grande massa para a produção ágil de pequenas séries, uma tendência que estamos a perceber ao longo dos anos mas que se vai intensificar após esta crise», destacou Fernando Ribeiro.

Esta customização pode ir de algo simples como a cor ou os acessórios a incluir numa peça, partindo de um modelo padronizado disponível numa loja física ou online, ou passar para o feito à medida, com personalização das medidas. Este modelo de negócio permite ainda reduzir o risco para o produtor e para a marca – uma vez que só é produzido o que for encomendado – e reduzir o desperdício. «Vai ao encontro daquilo que é a tendência de um futuro mais sustentável, com um grande potencial de crescimento. Passamos a trabalhar sem stocks, há margens maiores, porque o consumidor final está disponível para pagar um valor premium que não será um valor da produção em massa, vai ao encontro das necessidades do mercado e aproxima-se mais do que nunca dos clientes finais», resumiu o especialista da Lectra.

Uma solução modular

A solução Fashion On Demand automatiza este processo e faz a adaptação a este novo modelo de negócio, integrando uma componente de software na nuvem e uma solução de corte.

«No fundo a ideia é que o consumidor, numa loja física ou numa loja online, coloque a sua encomendas, essa encomenda passa para o ERP e o ERP vai tratar da faturação, dos detalhes das entregas, dos materiais em stock. Vai passar para a nossa plataforma apenas as informações que são necessárias para a produção da encomenda do consumidor, que no fundo são qual é o modelo, qual é o tecido e quais são eventualmente as características de personalização ou as medidas que teremos que adaptar. Toda essa adaptação é feita de forma automática na nuvem, imediatamente e sem intervenção humana. Passado alguns minutos a encomenda do cliente final estará disponível para corte na máquina de corte», detalhou Fernando Ribeiro.

A solução de corte chama-se Virga e é descrita como uma linha de corte completa para folha simples, com carga automática, verificação de referências de material por código de barras, capacidade de ler e cortar ao mesmo tempo, reconhecimento e acerto de motivos com o scanner HD, lâmina de corte rotativa de alta velocidade sem plástico e ferramenta de picas dedicada, entre outras características.

«É uma solução completa, eficiente, totalmente digital e adaptativa, porque o cliente pode começar com uma configuração e, à medida do necessário, adaptar essa configuração e evoluir segundo as suas necessidades», concluiu.