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Lectra aposta na customização em massa

A nova oferta Fashion on Demand da Lectra permite às empresas de moda personalizar as peças à mesma velocidade de produção do pronto-a-vestir. A solução responde à procura por parte dos consumidores, sobretudo os millennials, de terem peças únicas e de colaborarem no design da sua roupa.

Rodrigo Siza Vieira

De acordo com a Lectra, «a personalização está para ficar» e os consumidores querem, cada vez mais, obterem produtos únicos. Segundo os dados disponibilizados pela multinacional de origem francesa, 74% dos millennials (nascidos entre o início dos anos 80 e 1994) e da Geração Z (de 1995 a 2005) estão interessados em comprar produtos personalizados ao seu gosto ou feitos especialmente para eles. Além disso, os consumidores estão dispostos a pagar mais 20% por artigos personalizados.

Pela primeira vez, garante a Lectra, a indústria terá ao dispor uma solução completa para responder a este desafio da personalização que automatiza todo o processo de produção, desde o desenvolvimento do produto às fases finais do corte. Tendo por base os princípios da indústria 4.0, a Fashion On Demand by Lectra resulta de quatro anos de investigação e desenvolvimento de uma equipa de especialistas e faz parte do roadmap estratégico anunciado em 2017. O lançamento será feito a partir de janeiro de 2019.

«É uma solução que acreditamos, sem querer ser imodesto, que é uma revolução na indústria, porque é a primeira solução integrada que responde a duas tendências da indústria 4.0: por um lado, como indica o nome da solução, permite responder à personalização e à moda feita por pedido, e, por outro lado, também há a automatização total dos processos. É um conjunto de soluções inteligentes, integradas, que permite agir e reagir com pouca intervenção humana», explicou ao Portugal Têxtil Rodrigo Siza, diretor-geral para Portugal e Espanha da Lectra, à margem do debate promovido pela filial portuguesa sobre digitalização na indústria têxtil.

A Fashion On Demand by Lectra estará disponível na forma de dois pacotes: um dedicado ao feito à medida – que permite alterar a peça para se adaptar à morfologia corporal – e um outro à customização – que permite a colaboração do consumidor mas não implica a alteração dos moldes. As empresas podem definir os critérios de customização do produto e a gama para cada item dependendo do pacote (como alterar características do produto para customização e ajustes de padrões para o feito à medida) e lançar os processos de produção logo desde o início, sem interferir com os seus fluxos de trabalho padronizados.

A solução é composta por diversos softwares, que são processados na nuvem, e inclui uma máquina de corte com um aprovisionador – batizada Virga. «Em termos de tecnologias de corte é muito semelhante às Vector atuais. Mas em termos de integração do processo é muito semelhante às Versalis, que são as máquinas de corte de pele, porque é uma máquina de processo contínuo», afirmou Rodrigo Siza. «Mas é uma máquina mais rápida, que permite séries mais pequenas ou únicas», acrescentou o diretor-geral para Portugal e Espanha, sublinhando ainda que a solução tem também «uma opção de leitura de motivos» que permite o ajuste automático dos rapports «quase à mesma velocidade de corte em tempo real».

Via aberta para a personalização

Embora tenha um baixo risco financeiro e se apresente como um modelo de negócios apetecível, a produção por encomenda é um negócio que se revela desafiante para as empresas, indica a Lectra. Sem a tecnologia apropriada e o know-how necessário, muitas empresas têm de confiar na infraestrutura habitual da cadeia de aprovisionamento, que frequentemente não tem a flexibilidade necessária para criar e produzir este tipo de produto customizado. Para resolver este problema, algumas empresas desenvolveram fluxos de trabalho independentes para cada produto, aponta a multinacional de origem francesa, incorrendo em custos de produção adicionais, prazos mais longos e colocando até em risco as linhas de produção existentes. «Tendo prazos de entrega mais longos, enfrentam o risco de perturbarem os seus clientes fiéis, que pagaram preços premium pelos seus produtos personalizados», sublinha a Lectra em comunicado.

«A personalização, ou melhor dizendo, a produção por encomenda, vai ser um fenómeno transversal à indústria. É, por isso, dever da Lectra, enquanto pioneira da indústria 4.0, pensar antes do tempo e liderar este movimento. Mantendo os melhores interesses dos nossos clientes em mente, trabalhamos com conhecidos especialistas em personalização de diferentes países para desenvolver esta solução. Com a Fashion On Demand by Lectra estamos a fazer o impensável. Pela primeira vez na indústria da moda, vai haver uma solução abrangente de personalização que será capaz de atuar sob as mesmas condições de mercado que o segmento do pronto a vestir e ter os mesmos, senão melhores, resultados», afirma Daniel Harari, presidente do conselho de administração e CEO da Lectra.