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Lectra demonstra Connected Development

A Lectra Portugal demonstrou perante os seus clientes o potencial da solução Lectra Connected Development. Alterações dos modelos, acesso à informação em qualquer lugar, notificações e acompanhamento de alterações fazem parte dos benefícios da solução, que pode permitir uma poupança de tempo de 10% a 20%.

A apresentação inicial do conceito tinha já sido feita no final do ano passado, com o reforço da comunicação este ano (ver Lectra otimiza trabalho em equipa), mas a apresentação prática da ferramenta foi realizada apenas na semana passada, a 28 de junho, nas instalações da Lectra Portugal, com vários clientes a terem a oportunidade de assistirem a uma simulação “no terreno” de como a nova plataforma funciona.

A Lectra Connected Development, como explicou Rodrigo Siza ao Portugal Têxtil, «é basicamente uma ferramenta que suporta o desenvolvimento do produto ao longo de todo o processo, ou seja, o grande objetivo é conectar, sejam os diferentes agentes no processo, sejam as diferentes tarefas desse processo».

Roberto de Almeida

A plataforma integra-se com as ferramentas de software mais tradicionais da Lectra, como o CAD, o Modaris (para a área da modelagem) e o Diamino (para a área da execução dos planos de corte), e «também poderá gerir outro tipo de informação, como sejam matérias-primas, acessórios, tabelas de medida, operações, etc.», enumerou o diretor-geral para Portugal e Espanha. «Todas as pessoas envolvidas nesse grande processo de desenvolvimento de produto têm uma plataforma de dados única, em que o objetivo é, por um lado, conectar, mas também ter um repositório único da informação do produto», sublinhou Rodrigo Siza.

A plataforma é customizável, com cada utilizador a aceder apenas às áreas para as quais tem autorização. «Desde a entrada, o utilizador tem acesso a muita informação», explicou Roberto de Almeida, project director da Lectra, em França.

Fernando Ribeiro

A partir do momento em que a Lectra Connected Development está instalada, é possível os diferentes intervenientes enviar imagens ou simplesmente remeter notificações para os colegas de outras áreas para realizar as alterações. As notificações funcionam como um email interno e têm um hiperlink para o modelo que está em revisão. As alterações necessárias podem ser feitas no Modaris e no Diamino e são imediatamente atualizadas na plataforma, reduzindo o risco de erros. Para além dos postos de trabalho fixos, a plataforma está disponível através de uma app, acessível em qualquer lugar.

«O que a demonstração não permite ver é o tempo que se poupou. Para verificar tudo em papel perde-se muito tempo. Na plataforma, são uns minutos», destacou Roberto de Almeida. «O importante é que toda a gente tem acesso à mesma informação, em tempo real», afirmou. Ao Portugal Têxtil, o project director referiu que «pensamos que é possível ganhar 10% ou 20% em termos de tempo. O que estamos a fazer com esta solução é a permitir que as empresas sejam mais eficientes», sublinhou.

Rodrigo Siza e Roberto de Almeida

Esta nova plataforma pode ainda ser um primeiro passo para as empresas digitalizarem os seus processos. «O objetivo é justamente ter uma ferramenta que, por um lado, se integra com as ferramentas que os nossos clientes já usam no seu dia a dia e, por outro lado, por ser um processo de implementação mais fácil e mais rápido, permite adotar estas tecnologias de forma mais fácil. No fundo, é uma entrada mais rápida no que pode ser um PLM, que tem uma abrangência maior», destacou, ao Portugal Têxti,l Rodrigo Siza. A adoção da tecnologia em Portugal, de resto, tem vindo a ser concretizada. «Todos os que estão envolvidos – seja a indústria, seja os parceiros de tecnologia, como nós somos – têm de ter o devido cuidado para que [a Indústria 4.0] não se torne só um chavão e se torne num benefício real para as empresas, mas é um processo gradual. A adoção das tecnologias tem vindo a ser feita, não está a começar hoje, mas também isso implica o repensar de alguns processos e isso terá que ser um processo gradual, não é uma coisa que se decida e que se faça imediatamente», referiu. «De uma forma ou outra, já há muitas empresas em Portugal a trabalharem nisso, mas não é a imagem da fábrica robotizada», acrescentou.

A Lectra Connected Development está atualmente disponível para ser instalada na infraestrutura física da empresa, tem a possibilidade da licença ser multiutilizador e permite importar e exportar informação para outros sistemas, nomeadamente os ERP. Mas a expectativa é que, nos próximos tempos, seja igualmente possível trabalhar a partir de um serviço na cloud. «Naturalmente que é esse o caminho que queremos seguir no futuro, mas queremos também segui-lo com todas as precauções necessárias. Se, por um lado, representa um benefício que a nós nos parece muito claro, por outro lado também deve ser feito com cautelas, para não trazer outros riscos para este tipo de tecnologia. Portanto, estamos a fazê-lo, mas com as precauções necessárias para que os nossos clientes não incorram em riscos desnecessários», concluiu Rodrigo Siza.