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Lectra é indústria do futuro

A multinacional de origem francesa viu reconhecidos os seus esforços de lean manufacturing, com a Alliance Industrie du Futur (AIF) a atribuir-lhe a distinção “Vitrine Industrie du Futur”. Competitividade em termos de custos, qualidade e prazos de entrega foram os critérios superados.

A distinção da Alliance Industrie du Futur – uma organização criada em 2015 que tem como objetivo organizar e coordenar iniciativas, projetos e trabalhos para modernizar e transformar a indústria em França – é atribuída a empresas que «desenvolveram um projeto revolucionário para organizar a sua produção, aproveitando o potencial do digital», explica, em comunicado a Lectra.

A multinacional francesa investiu, desde 2013, 86 milhões de euros em I&D, o que representa 9,4% do seu volume de negócios. «Este investimento permitiu à Lectra passar por uma metamorfose – com base em avanços metodológicos e tecnologias fundamentais – aumentando o recrutamento e a crescente competitividade em todos os seus mercados e sector geográficos», indica a multinacional.

Apesar da pressão para produzir na China, a Lectra resistiu e manteve a produção em França. Durante a apresentação da nova estratégia da empresa aos jornalistas, em abril passado, no centro tecnológico em Bordéus-Cestas, onde o Portugal Têxtil esteve presente, Daniel Harari, CEO da Lectra, tinha já sublinhado esta aposta. «A maioria dos nossos principais concorrentes decidiu mudar a produção para a China. Nós decidimos não o fazer, apesar de poder significar uma redução de custos de 28%. Decidimos mudar de estratégia, aumentar os nossos preços 30%, manter a produção em França e com isso ganhamos quota de mercado», revelou (ver Lectra alinha-se pela Indústria 4.0).

A introdução de princípios de lean manufacturing, a somar à aposta na inovação – que inclui um novo pavilhão dedicado em exclusivo a atividades de I&D de hardware – permitiu à multinacional melhorar o nível de produtividade e competitividade. Além disso, destacou ao Portugal Têxtil o diretor industrial Eric Lespinasse, um dos responsáveis das mudanças organizativas na produção, «o valor acrescentado está no know-how das pessoas».

No total, trabalham 55 pessoas na unidade produtiva da Lectra, sendo responsáveis pela execução anual de 350 sistemas de corte Vector, 30 Versalis (para o corte de peles) e 10 FocusQuantum (para a produção de airbags).

Entre as mudanças implementadas constam a melhoria das condições de trabalho, com o contributo das equipas de trabalhadores para melhorar a eficiência, o envolvimento dos engenheiros de produção no processo de design e a ênfase na modularidade de produtos, processos e logística.

«A fábrica da Lectra melhorou a sua taxa de produtividade em 18 pontos em três anos e desde então manteve-se em 89%. Os custos já foram reduzidos em 25% e a qualidade e nível de serviço melhorou», refere o comunicado, acrescentando que «a Lectra enriqueceu a sua oferta com serviços completos e produtos inovadores e conectados, cuja inteligência embebida oferece Smart Services, nomeadamente manutenção preditiva».

Novidades lusas

Em Portugal, a multinacional tem estado a apresentar novos produtos, como é o caso de uma nova versão do Modaris (ver O novo espírito do Modaris V8), a chegada do PLM e o sistema de corte Vector iQ (ver Lectra Portugal desvenda novidades).

No mês passado, o diretor-geral da filial portuguesa há 10 anos, Rodrigo Siza, foi nomeado para dirigir também os esforços da Lectra em Espanha, com o objetivo de desenvolver sinergias regionais (ver Rodrigo Siza toma conta de Espanha).