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Leilões de “ouro branco”

A sequência de leilões diários de algodão em território chinês, que se prolongou por quase dois meses, chegou ao fim, vendendo apenas uma fração da fibra disponível, devido à subida dos preços e a uma desaceleração da economia do Império do Meio.

Pequim esteve sob pressão para libertar stocks, de forma a recuperar parte do custo acumulado, tendo reunido cerca de 11 milhões de toneladas de algodão no âmbito de um regime de compras estatal, agora abandonado, destinado a apoiar os agricultores.

Porém, descontos elevados teriam conduzido a uma diminuição dos preços de mercado e, consequentemente, a um aumento de custos para o governo, sob um novo esquema de subsídios que substituiu o armazenamento.

Dados compilados pela CottonChina.org, um site de comércio apoiado pelo gestor de vendas de reservas China National Cotton Exchange, revelaram que 63.412 toneladas de algodão foram deslocadas em resultado das vendas concluídas esta segunda-feira, ou apenas 3,4% do total disponibilizado para venda.

Isso ficou substancialmente aquém do antecipado pela indústria, com estimativas que previam a venda de 300.000 toneladas em resultado desta iniciativa. Representantes governamentais revelaram que antecipavam a libertação de um milhão de toneladas.

No entanto, com stocks suficientes ainda disponíveis no mercado e preços de leilão estatais relativamente elevados, as unidades de produção mantiveram-se afastadas. Os preços de referência nos leilões variaram entre 2.076 e 2.438 dólares por tonelada, em comparação com os preços consignados no contrato mais ativo na bolsa de Zhengzhou, agora fixado em cerca de 1.960 dólares.

«Estamos, também, a enfrentar um sério declínio no consumo, seja em consequência da mudança para fibras sintéticas ou artificiais, como em resultado de uma desaceleração geral no consumo. Este (verão) tem sido uma das temporadas mais lentas em muitos anos», afirmou um comerciante chinês.

As unidades de fiação não estão dispostas a abarcar stock em excesso, considerando o clima atual, e adquirem na medida das suas necessidades.

Estas unidades que disputam por fibra estatal concentram-se nas safras mais baratas, o algodão nacional de 2011, comprando 52.695 toneladas. O algodão doméstico de 2012 não foi vendido e apenas 9.730 toneladas de fibra importada foram compradas.

Os resultados deficientes do leilão levantaram questões sobre como o governo poderá libertar-se do restante stock. Ambos os rendimentos e qualidade da nova safra da China, cuja colheita deverá iniciar-se brevemente, são superiores aos assinalados no ano passado e os preços tendem a ser mais baixos do que o preço de venda fixado nos últimos leilões.

Se os preços permanecerem relativamente baixos, as reservas estarão sob pressão para reduzir o seu preço de venda em todas as vendas futuras, aumentando as perdas já substanciais inerente à fibra que foi comprada a preços substancialmente acima daqueles praticados no mercado.