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Lemar sempre na moda

A empresa, que celebra 80 anos em 2019, está a testar novos teares para desenvolver produtos especiais. Reputada pelos seus tecidos às riscas e pelo foco nas tendências de moda, a Lemar cresceu cerca de 20% no ano passado, alavancada por países como Itália e EUA, mas também pelo mercado interno.

A nova tecnologia, que permite introduzir «oito cores seguidas», é, segundo a CEO Manuela Araújo, «única em Portugal».

O equipamento, com um investimento feito «à nossa medida, porque não recorremos a empréstimos nem ao Portugal 2020», sublinha a empresária, encontra-se atualmente em fase de testes. «Queremos explorar todas as suas potencialidades», afirma Manuela Araújo, que cogita já à possibilidade de comprar mais teares ainda este ano, «para substituir os que temos por soluções mais recentes e mais flexíveis», aponta.

O objetivo é criar «artigos diferenciados, com fios e máquinas diferentes. Temos de oferecer algo distinto aos clientes que nos procurarem», explica a CEO da Lemar ao Portugal Têxtil.

O design como trunfo

As coleções da produtora de tecidos mais do que seguirem as tendências de moda procuram avançá-las, segundo Manuela Araújo. «A inovação no design é o que me move e tenho uma equipa que me ajuda muito nesse sentido», admite a CEO. «Gosto de tudo o criamos», reconhece.

A moda é, por isso, o grande campo de ação da Lemar, que emprega 35 pessoas. «Trabalhamos muito com a moda e, dentro da moda, temos que dar um cariz técnico – impermeabilizações, membranas respiráveis, proteção ultravioleta, resistência ao cloro,… Procuro ter o que há de melhor no mercado», revela.

Nas propostas para a primavera-verão 2020, a empresa apostou em artigos com matérias-primas recicladas, como o Seaqual – fio de poliéster reciclado a partir de plástico recolhido do mar – e o Newlife – fio obtido a partir de resíduos pós-consumo, como garrafas de plástico.

E a procura foi evidente na última edição da Première Vision Paris. «Todos os visitantes queriam reciclados», assegura a CEO.

Crescer aquém e além-fronteiras

Para além do salão de tecidos parisiense, o primeiro trimestre da Lemar foi passado entre certames internacionais, nomeadamente em Itália e nos EUA, dois mercados-chave para a empresa, que exporta mais de 50% da produção. «Itália é o nosso primeiro mercado. Os EUA também são importantes. Mas vendemos para muitos outros mercados, como Suécia, Colômbia, México e também Portugal», enumera Manuela Araújo. Aliás, sublinha, «para Portugal estamos a vender muito bem, porque as grandes marcas estão a confecionar no país».

Há, contudo, mercados que têm vindo a reduzir as suas compras, como a Alemanha. «Antigamente, a Alemanha era um país que exigia tudo e mais alguma coisa. Depois passou por uma transição em que o que interessava era o barato. Meteram na cabeça que devem comprar os artigos a 1,5 euros, a 2 euros. E eu não tenho nenhum artigo com esse preço», assume a empresária. Para colmatar a descida no mercado germânico, a Lemar tem explorado outras latitudes. «Estamos a apostar nos EUA, que tem dado resultados, e estamos a apostar mais em Inglaterra, que deu resultados mas agora temos o problema do Brexit. Estamos sempre à procura de novos mercados», garante.

Embora alguma incerteza turve as expectativas para 2019, Manuela Araújo não tem dúvidas quanto à estratégia a seguir. «Vamos prosseguir o mesmo caminho em linha reta. Este ano, a Lemar celebra o seu 80.º aniversário e eu quero continuar a honrar o nome dos meus antepassados», conclui a CEO.