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Lenzing reforça sustentabilidade

A produtora de fibras celulósicas não-naturais reconhece estar ainda longe da perfeição, mas continua a desenvolver esforços para reduzir a sua pegada ecológica. Além das fibras que já comercializa, a Lenzing está a trabalhar num projeto de reciclagem pós-consumo.

Robert van der Kerkhof

A indústria de vestuário e calçado é responsável por 10% das emissões de carbono e produz 20% das águas residuais do mundo, apontou Robert van der Kerkhof, diretor comercial da Lenzing, que acrescentou, durante a sua apresentação na conferência da ITMF, que os resíduos resultantes da indústria de moda em 2030 deverão atingir 148 milhões de toneladas.

Face a este contexto, a empresa austríaca quer contribuir para a solução e não para o problema. «Temos de começar a trabalhar já nos objetivos que queremos atingir daqui a cinco anos», afirmou o diretor comercial da empresa.

Para responder, de forma mais sustentável, ao aumento da procura de fibras – atualmente, nos países desenvolvidos, o consumo anual per capita de vestuário é de 25 quilos, enquanto nos países em desenvolvimento é de 12 quilos, devendo levar a uma taxa anual de crescimento de 3% a 4% no consumo de fibras entre 2017 a 2022 – a Lenzing tem investido em diferentes iniciativas.

«A Lenzing é um bom player, mas somos perfeitos? Não», assumiu Robert van der Kerkhof, destacando que «temos de avançar ou podemos perder a confiança dos consumidores».

Entre as apostas da Lenzing está a Refibra, uma fibra que usa o mesmo processo de produção do liocel mas onde é incorporada polpa não virgem, com origem em desperdícios pós-industriais, e a EcoVero, uma fibra de viscose com credenciais mais “verdes” que é passível de ser rastreada em qualquer ponto da cadeia. «Estou satisfeito tanto com o sucesso comercial da Refibra como da EcoVero», confessou, ao Jornal Têxtil, Robert van der Kerkhof. «O problema é que as pessoas não querem pagar o preço pela inovação», reconheceu. «Tem de haver retorno e esse é um problema que temos», afirmou. Uma questão em que a Lenzing está a trabalhar. «Penso que a próxima geração da Refibra será melhor mas, em último caso, quando houver escala suficiente, com o aumento da procura, o preço vai baixar», admitiu. Já no caso da EcoVero, «estamos muito contentes com o seu sucesso, porque, de facto, está a crescer muito rápido e está também a responder às necessidades do consumidor. Os consumidores querem ter transparência e é isso que oferecemos com a EcoVero», garantiu.

Reciclagem no horizonte

Neste percurso que a Lenzing, com unidades produtivas na Áustria, República Checa, Reino Unido, China, Indonésia e EUA, está a traçar, faz parte também a reciclagem, com um novo projeto voltado para os resíduos pós-consumo. «Neste momento estamos a pegar em algodão da produção, mas será que conseguimos usar algodão pós-consumo? Podemos ir a uma organização como a Texaid, trazer o vestuário e usá-lo para depois produzir Refibra no futuro? Os resíduos pós-consumo são o nosso principal objetivo, é para isso que devemos apontar», revelou o diretor comercial da Lenzing.

O projeto está em curso, mas Robert van der Kerkhof prefere não arriscar apontar uma data para que os seus resultados cheguem ao mercado. «Como disse Uday Gill [CEO do negócio de fibras da Indorama Ventures], a inovação é cada vez mais lenta. Existe uma data, mas para mim é muito tarde. Acho que temos de ir mais rápido, mas neste momento estamos a tentar desenvolver uma fábrica-piloto e, se for aprovada, vai demorar mais de um ano a construir. Depois temos de provar o conceito – é uma multitude de iniciativas», explicou. «Estamos a trabalhar, a analisar e estamos interessados em parceiros que queiram acelerar, porque, mais uma vez, acho que as parcerias são muito importantes. Mesmo para estes projetos maiores, trabalhar com parceiros vai ajudar a tornar não só melhor, mas também mais rápido para o mercado», resumiu.