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Levi’s vacila mas não cai

Os resultados do primeiro trimestre apresentados pelo gigante americano do denim refletem o fraco desempenho do canal grossista da marca nos EUA e as bruscas flutuações cambiais sentidas durante esse período período.

O resultado líquido da Levi’s caiu 23,2% numa comparação anual, fixando-se nos 38,4 milhões de dólares, enquanto o resultado operacional em base ajustada diminuiu 24,5% para 120 milhões de dólares e o lucro operacional, que se viu diminuído em 36 milhões de dólares devido a perdas em moeda estrangeira, aumentou 14,7% para 107,4 milhões de dólares.

As receitas diminuíram 7% para 1,06 mil milhões de dólares, 1% em moeda neutra. De forma generalizada, as vendas a retalho aumentaram 4% durante o primeiro trimestre, afetadas pela quebra de 3% no negócio por atacado da marca.

O canal de retalho continuou a registar baixos níveis de afluência, à semelhança do reportado nos últimos 18 meses, mas conseguiu alcançar ganhos devido «a um melhor desempenho na conversão e [ao facto de] ter o produto certo», afirmou a empresa.

A margem bruta caiu para 50,9%, uma redução marginal face aos 51% assinalados no ano anterior. Subtraindo o efeito negativo das flutuações cambiais, esse indicador teria aumentado para 51,3% em consequência da negociação de custos inferiores e simplificação da cadeia de aprovisionamento, referiu a empresa.

Os efeitos cambiais fizeram-se sentir, de forma mais significativa, na Europa, onde as receitas caíram 7,7% em comparação anual, para 277 milhões, tendo aumentado 9% em moeda neutra.

O resultado operacional em território europeu caiu 18,3% para 58 milhões, face ao mesmo período do ano anterior. Excluindo flutuações cambiais, a quebra teria sido apenas de 2%.

As receitas caíram 8,5% no continente americano face ao ano anterior, fixando-se nos 574 milhões de dólares, com a fragilidade do canal grossista da marca nos EUA, ausência de Black Friday no início do período e a transição do segmento feminino da Dockers para um modelo grossista a pesarem sobre os resultados.

As vendas na região da Ásia-Pacífico aumentaram 4,3% para 204 milhões de dólares.

O canal de e-commerce responde agora por mais de 10% da totalidade do negócio de retalho da marca e a empresa continua a desenvolver formas de ampliar as funcionalidades do seu website, testando, inclusivamente, a nova ferramenta de identificação de tamanhos “Fit Finder”.

«Como antecipado, os efeitos cambiais desfavoráveis tiveram um impacto significativo sobre as receitas e o EBIT ajustado durante o primeiro trimestre e o declínio em moeda neutra refletiu a alteração do nosso calendário fiscal, que no ano passado incluiu a semana da Black Friday», explicou o CEO, Chip Bergh.

«A saúde subjacente do nosso negócio continua forte, enquanto nos continuamos a focar no que podemos controlar; e os ganhos resultantes da melhoria da nossa estrutura económica continuam a alimentar as nossas iniciativas de crescimento de acesso direto ao consumidor e investimentos que fomentam a procura. O segundo trimestre representará, outra vez, uma comparação difícil face ao ano anterior mas continuamos confiantes da nossa capacidade de aumentar as vendas anuais e os lucros ajustados antes de impostos (EBIT) numa base ajustada, enquanto continuamos a concentrar-nos nas conversões do retalho, interagindo com os consumidores em todo o mundo através da nossa campanha “Live in Levi’s”, e estamos ansiosos pela reposição mundial da linha de produtos femininos da Levi’s na segunda metade do ano», concluiu o CEO.