Início Arquivo

Levi Strauss enfrenta acusações por usar RFID

A Levi Strauss admitiu ter testado a tecnologia RFID com etiquetas penduradas e colocadas em jeans para homem à venda no México e nos Estados Unidos. Maspor não ter divulgado o local das experiências, a empresa enfrenta acusações de que planeava espiar os consumidores. Há uma cena no filme “Minority Report” – Relatório Minoritário -em que o herói Tom Cruise chega a uma loja e é saudado por um holograma que conhece todas as suas anteriores compras e oferece sugestões para novas. Tal como a maioria da ficção científica, a ciência neste filme é exagerada (a história reconhece Tom Cruise ao scanarizar a sua íris) mas a realidade pode em breve ultrapassar a ficção. Os retalhistas e produtores de vestuário estão a investigar se a tecnologia de identificação porrádio-frequência (chamada RFID) tem potencial para se tornar no maior salto evolutivo na gestão do inventário desde o código de barras. Mas os defensores da privacidade estão a afirmar que os retalhistas não querem usar a tecnologia RFID apenas para gerir os seus stocks mais eficientemente. Deste modo, alertam para um “Relatório Minoritário”- onde os leitores de códigosão capazes de seguir os consumidores que tenham “chips” nas suas roupas, permitindo todo o tipo de procedimentos caracterizados no filme. Testando a RFID A última empresa a admitir estar a testar a tecnologia RFID é a Levi Strauss. A Levi’s está a dotar os jeans para homem com etiquetas com tecnologia RFID penduradas (etiquetas atadas à parte de fora dos pares de jeans) para duas lojas franchisadas no México e uma nos Estados Unidos. A empresarecusou revelar qual o retalhista dos Estados Unidos, mas é provável que seja uma das lojas com um maior número de clientes, possivelmente um department store. Este projecto piloto visa investigar se a tecnologia RFID pode ser usada para gerir o intercâmbio entre o espaço da loja para a prateleira da loja de uma forma mais eficaz. Os “chips” enviam um sinal querevela ao retalhista e ao produtor quando exactamente uma prateleira fica sem um determinado modelo, cor ou tamanho da calça, o que significa que os assistentes de loja não deixam mais o cliente, enquanto vão “ver se tem no armazém”. De acordo com a apresentação da Levi’s numa recente conferência sobre informação tecnológica, a introdução da RFID numa loja do México no ano passado reduziu a quebra de stock em 56 por cento e gerou um aumento das vendas. Além disso, o processo completo de reposição de stock foi apressado. A contagem do ciclo na loja mexicana levava, a quatro funcionários, dois dias para completar uma tarefa que era realizada a cada seis semanas. Agora, a tecnologia RFID possibilita que uma pessoa o faça em 45 minutos, permitindo fazê-lo todos os dias. Benefícios potenciais Os benefícios potenciais para a auto-gestão, fazendo o pedido e a entrega na hora são evidentes e não admira que várias empresas estejam agora a investigar a melhor forma de usar a tecnologia RFID. Retalhistas como a Wal-Mart e a Target, por exemplo, estão a tentar descobrir como podem utilizar esta tecnologia para seguir os artigos desde o embarque até à loja (reduzindo os atrasos), quepermite também aos funcionários dar prioridade ao reabastecer das prateleiras. …a armadilha Mas alguns fornecedores de RFID estão também a falar sobre o tipo de mundo do “Relatório Minoritário” onde os chipspermitiriam aos retalhistas e produtores espiar os seus clientes. É o uso futuro da tecnologia que preocupa os defensores da privacidade, e em 2003 uma campanha de boicote levada a cabo pelos consumidores contra a invasão da privacidade nos supermercados- Consumers Against Supermarket Privacy Inovation and Numbering (CASPIAN)- forçou a Benetton a rejeitar o projecto RFID. Liz MacInture da CASPIAN afirmou que «assegurar que as prateleiras estão sempre cheias é apenas o começo. A indústria tem outros planos e algumas empresas falam já sobre seguir as pessoas através do que elas usam para que os anúncios publicitários as encontrem directamente. Isto iria também permitir ao Governo seguir indivíduos e daí passava-se para o “Big Brother” da sociedade». A Levi Strauss rejeita qualquer acusação de que planeia espiar os seus clientes e afirma que os funcionários das lojas que usam a RFID são avisados para retirar as etiquetas na caixa registadora. O director de comunicação Jeff Beckman afirmou que «a ideiadas pessoas andarem a ser monitorizadascom através de jeans com RFID não vai acontecer. Nós estamos empenhados em usar esta tecnologia de forma correcta evamos fazê-lo de uma forma consistente com os valores da nossa empresa. As pessoas que mais vão beneficiar com a RFID são os consumidores já que não vão mais procurar artigos que não estejam disponíveis». No entanto, dada a natureza sensível deste assunto, é talvez pena que as experiências tenham sido tornadas públicas apenas depois da CASPIAN as ter descoberto. Beckman afirmou que a Levi’s não fez segredo deste projecto e que este foi discutido nas conferências de tecnologias de informação. Mas há uma diferença entre dizer que «não houve segredo» e dizer publicamente o que está a acontecer. A decisão da Levi’s e dos seus retalhistas de se manter em silêncio caiu directamente nas mãos de grupos como a CASPIAN e se a indústria quer evitar acusações de estar a usar tecnologia “Big Brother”, deveria considerar ser bastante mais aberta em relação ao que está a fazer e porquê.O Governo dos Estados Unidos pode livrar-sepor espiarcidadãos, mas os retalhistas e produtores vão enfrentar uma forte resistência por parte dos consumidores se tentarem a mesma coisa.