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Li & Fung e o sourcing do futuro

A nova estratégia da Li & Fung para 2017/2019 concentra-se em três vetores: rapidez, inovação e digitalização. No centro do plano está a construção de uma plataforma digital totalmente integrada capaz de conectar todos os clientes e processos à rede global da gigante internacional do sourcing de vestuário.

O objetivo é, em última análise, ajudar os clientes ao eliminar ineficiências no ciclo de produção, apostar na automação, rastrear dados para agilizar processos e desenvolver novos modelos de negócio para melhorar as margens. A Li & Fung está assim investida em criar a cadeia de aprovisionamento do futuro.

Rapidez

«A velocidade está no cerne do que fazemos», afirmou Spencer Fung, CEO do grupo Li & Fung, ao Just-style. «Se falarmos com 100 retalhistas hoje, 99,5% vão falar sobre velocidade. A conversa orbita a velocidade – para aumentar a velocidade das cadeias de aprovisionamento dos nossos clientes e para atender à crescente expectativa do consumidor impulsionada pelo comércio eletrónico e disrupção», acrescentou.

O objetivo é acelerar a velocidade da cadeia de aprovisionamento em 50% para todos os clientes – um objetivo que Fung assevera que a empresa já ultrapassou largamente junto de vários clientes.

Na pré-produção, por exemplo, que envolve muitos processos manuais e etapas relativamente morosas, como o custeio e a amostragem, a Li & Fung está a introduzir a amostragem digital e o fitting virtual. Outras novas ferramentas incluem o mapeamento do fluxo de valor, que rastreia percursos críticos nos processos de design e produção, identificando sobreposições e duplicações.

Os painéis de controlo do cliente são outra das ferramentas que podem melhor os negócios dos clientes, oferecendo mais transparência. O objetivo é encurtar os processos de pré-produção e melhorar as taxas de conversão de design, bem como redirecionar recursos para atividades de maior valor agregado.

Inovação

As mudanças aceleradas na tecnologia mudaram o comportamento e as expectativas dos consumidores, exigindo, por sua vez, que marcas e retalhistas analisassem novas formas de satisfazer a procura. Como resultado, a inovação tornou-se um ingrediente-chave para a empresa.

«Estamos a construir uma cultura de inovação dentro das nossas empresas para que os nossos clientes possam melhorar, além de produzir modelos inovadores como serviços de valor agregado para expandir a nossa oferta de serviços», explicou Fung.

Por exemplo, a “The Kitchen” é uma plataforma digital que pode “convocar” todos os 22.000 funcionários da Li & Fung e às vezes ser estendida aos seus parceiros para cocriar novas ideias e produtos.

Digitalização

As tecnologias estão a transformar as cadeias de aprovisionamento tradicionais – das matérias-primas aos comportamentos dos consumidores finais no retalho.

A resposta da Li & Fung a esta nova era é a criação de uma plataforma que digitaliza toda a cadeia de aprovisionamento e permite que dados e informações fluam de forma contínua de ponta a ponta.

«A digitalização é o cerne do nosso plano a três anos», sublinhou o CEO da Li & Fung. «Se olharmos para toda a cadeia de valor, numa extremidade, temos os consumidores. O consumidor já está familiarizado com a digitalização há muito tempo. Se olharmos para os retalhistas e marcas, estão rapidamente a tornar-se digitais. Mas se olharmos para a restante cadeia de aprovisionamento, ainda é muito analógica. Por isso, vemos isso como uma grande oportunidade para ser a primeira empresa neste espaço a digitalizar a cadeia de aprovisionamento em grande escala», admitiu.

O primeiro passo para a Li & Fung é digitalizar os processos de design, amostragem e fitting porque geram os maiores benefícios em termos de velocidade, custo e dados.

Na fase de design, a Li & Fung está a iniciar um novo serviço de valor agregado chamado “Virtual Design”, visando reduzir drasticamente a necessidade de amostras físicas. O serviço acelera a velocidade de semanas para horas e reduz o custo ao longo da cadeia de aprovisionamento.

«Muito provavelmente, teremos a maior biblioteca de amostras digitais em dois ou três anos», confessou Fung. «Já temos mais de 100 pessoas [a trabalhar] neste centro digital de excelência … e a usar uma dúzia de pacotes de software», destacou.

O objetivo financeiro da empresa é ter um crescimento baixo de dois dígitos até 2019. Analisando os resultados do primeiro semestre de 2017, as perspetivas são positivas.

O volume de negócios estabilizou-se com uma ligeira queda de 2,1%, para os 7,26 mil milhões de dólares (aproximadamente 6,08 mil milhões de euros), e a margem total subiu de 11,4% para 11,5%.