Início Notícias Marcas

Libra dá empurrão à Burberry

Na época de Natal, quem fez a festa foi a Burberry. A reputada marca britânica registou uma procura excecional por parte de turistas e consumidores locais em Londres durante os três meses até dezembro, o que contribui para um aumento de 3% nas vendas trimestrais, que superou as expectativas do mercado.

Os turistas têm aproveitado a desvalorização da libra desde o voto no Brexit em junho para comprarem artigos de luxo na capital britânica em vez de noutras cidades europeias.

George Salmon, analista na Hargreaves Lansdown, afirmou ao The Guardian que «muitos consumidores estão a vir de avião para o Reino Unido para aproveitar o poder de compra extra que a desvalorização da libra lhes dá. No geral, há muitos sinais encorajadores para o grupo atualmente».

Um retrato desta atratividade da marca no Reino Unido são as vendas da sua loja em Regent Street, onde o The Guardian refere que têm sido os consumidores chineses os grandes impulsionadores das vendas. Um dos assistentes de vendas na loja revelou ao jornal que cerca de 70% dos consumidores que visitam a flagship da marca são turistas chineses – uma situação provocada, em parte, pelas mudanças nos vistos, que permitem que os turistas façam múltiplas visitas durante dois anos, e também pela desvalorização da libra. Na loja, um jovem chinês de visita com os pais revelou ao jornal britânico que «estamos de férias mas estamos a visitar a Burberry porque é mais barato aqui do que em casa. Somos capazes de comprar».

Steve e Tuba Hancock, turistas australianos, explicaram estar a ver as bolsas. «Em Sydney custam cerca de 1.000 dólares, enquanto aqui custam 700 dólares ou mesmo 500 dólares», revelou Steve ao The Guardian. «É mais barato em Inglaterra, além de que podemos ter a devolução dos impostos quando saímos do país», acrescentou Tuba.

Conhecida pelas suas gabardinas, a Burberry registou, nos três meses até ao final de dezembro, um aumento 40% nas vendas comparáveis no seu mercado interno, que representa cerca de 10% das vendas totais. As vendas terão ainda sido impulsionadas pelos locais, que passaram a adquirir “dentro de portas” em vez de se deslocarem à Europa Continental para fazerem as suas compras.

O volume de negócios cresceu 4%, para 735 milhões de libras (cerca de 849 milhões de euros) e a empresa britânica espera que o lucro bruto esteja em linha com as expectativas do mercado, num valor de 440 milhões de libras. O ano financeiro da Burberry decorre até ao final de março.

Christopher Bailey, CEO e diretor criativo da Burberry, afirmou que «com um número recorde de visualizações do nosso filme de Natal e forte procura por novos produtos, esta melhoria no terceiro trimestre reflete os primeiros progressos dos nossos planos para dinamizar a performance da Burberry a longo prazo». Bailey acrescentou ainda que «vamos continuar a tomar medidas para posicionar o negócio para o crescimento ao longo do tempo e os nossos planos para melhorar a eficiência estão no caminho certo».

Na análise aos resultados, o Citi, citado pela Reuters, considera que as vendas da Burberry na época festiva foram «sólidas», com as vendas a ficarem 3% acima das suas previsões. Os seus analistas afirmaram ter gostado das iniciativas de poupança de custos do grupo e do regresso ao crescimento das vendas comparáveis, mas as mudanças na administração – com Christopher Bailey a ceder o lugar de CEO ao italiano Marco Gobbetti e a tornar-se presidente (ver Novo CEO da Burberry em formação) – significam que há riscos à implementação com sucesso da estratégia.

A Burberry anunciou na semana passada que um plano de eficiência, com base em gamas mais simples e foco em áreas mais débeis, como as bolsas, assim como uma melhoria do serviço ao consumidor está já a dar frutos.

As suas bolsas “Banner”, “Buckle Tote” e “Bridle” foram os pontos altos da estação, revelou a diretora de relações com os investidores Charlotte Cowley, assim como a última coleção apresentada na passerelle.

Segundo Cowley, as vendas comparáveis na Ásia-Pacífico regressaram ao crescimento, ajudadas pela China Continental, onde uma campanha com o cantor e ator Kris Wu foi um sucesso.

Houve ainda melhorias em Hong Kong, embora as vendas tenham continuado a diminuir no território, apontou Charlotte Cowley, enquanto a procura foi irregular nas Américas.

As operações digitais tiveram uma performance superior em todas as regiões, com destaque para «um crescimento significativo nas vendas em dispositivos móveis e na China, o que reflete um foco e investimentos estratégicos», concluiu Cowley.