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Lima & Companhia colhe o que plantou

O trabalho realizado ao longo dos últimos cinco anos em termos internacionais, nomeadamente em feiras, como a Première Vision, está na base do crescimento da Lima & Companhia, que, apesar dos constrangimentos provocados pelo aumento dos custos, está agora de olho na expansão em mercados como a Alemanha e os EUA.

Márcia e Catarina Cortinhas

A Lima & Companhia, cuja produção se encontra dividida divide entre private label e marca própria Ethnic Blue, que representa 60% a 70% do volume de negócios, está a registar um crescimento de 30% nas vendas no ano de 2022 até ao momento. «Este ano é o culminar de um trabalho que começou há cinco anos», destaca a diretora comercial Márcia Cortinhas. «Todo este trabalho demora. Numa feira não se tem um resultado imediato, pelo menos é essa a nossa perceção no sourcing. Mas com o tempo, e isso veio a sentir-se, começámos a ter novos clientes e a aumentar as quantidades. Começámos com quantidades mais pequeninas e este ano culminou na solidificação de alguns clientes e em aumentos de quantidades, o que foi bom», afirma ao Portugal Têxtil.

França, onde participa na Première Vision, mantém-se como o maior mercado da empresa – também porque a marca própria é vendida diretamente nesse país através de uma participada –, mas é o mercado italiano que tem vindo a surpreender no private label. «Itália duplicou as compras este ano», revela Márcia Cortinhas. Na lista dos 10 países de exportação constam ainda Espanha, Países Baixos, Alemanha e Grécia. «Queríamos voltar a Inglaterra, é um bom mercado», adianta Catarina Cortinhas, designer da empresa. «O Brexit trouxe-nos alguns problemas em Inglaterra, o mercado caiu um bocadinho, mas vamos tentar novamente», acrescenta Márcia Cortinhas.

Na mira estão ainda a expansão na Alemanha, nomeadamente com o regresso à Munich Fabric Start, e os EUA. «A Alemanha é um mercado em que nos vamos focar no próximo ano. Foi um mercado onde já tivemos muitos clientes. Infelizmente, um dos maiores faliu no início da pandemia, portanto, vamos à procura de novos», afirma a diretora comercial. Da mesma forma, «temos a pretensão de ir para os EUA. É um mercado gigantesco e acreditamos que lá teríamos uma boa recetividade», antecipa Catarina Cortinhas. Para já, o mercado americano está a ser trabalhado com «um cliente pequenino a começar», aponta Márcia Cortinhas.

Ultrapassar o desafio dos custos

O ano, contudo, podia ser mais positivo se não fosse a subida vertiginosa dos custos, a começar pela energia, mas passando igualmente pelas matérias-primas, nomeadamente o fio, já que a Lima & Companhia efetua todos os processos dentro de portas, com exceção da fiação e da estamparia. «Primeiro, veio o covid. Estávamos a recuperar do covid, veio o aumento dos fios e das matérias-primas e tudo associado a isto. Posto isso, veio o aumento do gás e da eletricidade e o que sentimos é que chegamos ao limite, ou seja, aumentámos o que podíamos aumentar e o consumidor, quer o consumidor final, quer o nosso cliente, não consegue suportar mais», assevera Márcia Cortinhas.

Até ao momento, a Lima & Companhia aumentou o preço dos seus artigos em «20%, pelo menos», numa atualização que teve que ser gradual, admite a diretora comercial. «O primeiro aumento [por causa das matérias-primas] foi aceitável [para os clientes], mas, mesmo assim, teve que ser gradual, durante bastante tempo ainda tivemos que suportar o intervalo. Ou seja, deveríamos aumentar 10 e só aumentámos 5. Ainda estamos a trabalhar com isso este ano. Depois veio o segundo aumento, o do gás e o da eletricidade, que ainda é mais grave, e neste momento não temos resposta para o próximo ano. Estamos com um grave problema em perceber como é que os preços vão evoluir», reconhece Márcia Cortinhas.

Para tentar superar estas dificuldades, a empresa está a estudar alternativas. «Todos os projetos que temos em cima da mesa estão a ser canalizados para a poupança energética, desde painéis fotovoltaicos à possibilidade de alterarmos as caldeiras da tinturaria», afiança a diretora comercial, que, no entanto, considera importante haver mais apoio às empresas por parte do Estado. «Vimos de crises seguidas em que há um sacrifício dos empresários, seja nas nossas margens, seja no trabalho – trabalhamos o dobro ou triplo para fazer exatamente as mesmas coisas –, fazemos um esforço enorme. É necessário que as empresas fiquem saudáveis, é necessário haver realmente incentivos para que consigamos trabalhar harmoniosamente e criar postos de trabalho para toda a gente», considera Márcia Cortinhas. «O dinheiro que era possível reinvestir na empresa fica preso com estes aumentos todos, não dá para pôr as empresas mais modernas, não dá para investir nada internamente, porque o dinheiro fica ali asfixiado por estes aumentos», salienta Catarina Cortinhas. «Não temos orçamento para pensar em inovação e, ao mesmo tempo, investir na redução dos custos energéticos», resume Márcia Cortinhas.

De igual forma, a participação em feiras fica comprometida, especialmente com os atrasos nos apoios à internacionalização. «As feiras são cruciais. O facto de haver mais ou menos gente numa feira não implica que não seja feito negócio para o futuro. Posso estar uma manhã parada e vir um cliente que me vale o ano todo. Se não estiver nas feiras é que não vou conseguir nada e isso é impossível. É preciso ter noção que, para uma empresa, o investimento numa feira é grande, as feiras custam realmente dinheiro e os apoios são importantes, de outra forma seria muito difícil estarmos em todo o lado. No sourcing, se houvesse mais apoios, mais feiras faria», garante a diretora comercial da Lima & Companhia.