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Linha Foz: alfaiataria do século XXI

De portas abertas desde 2004, no Porto, a Linha Foz é uma alfaiataria que privilegia as sinergias com fornecedores nacionais para prestar um serviço de excelência e 2.0 aos seus clientes – que veste, calça, adorna e ainda perfuma. O negócio já despertou o interesse até do chinês Alibaba.

Joaquim Mesquita é um alfaiate dos tempos modernos que, antes de começar o dia de trabalho, consulta as redes sociais para sentir o pulso ao mercado. «Temos de acompanhar a evolução, conhecer o que se faz lá fora», afirma ao Portugal Têxtil.

Orgulha-se de ter apostado no segmento e arregaçado as mangas quando muitos baixaram os braços e, depois de se aventurar com o espaço de venda, decidiu lançar a marca própria – Linha Foz –, que agora começa a bem vestir os clientes entre cliques.

«A nossa marca própria, que está a ser um sucesso, é a Linha Foz, fundada em 2006. Começámos com camisas, sapatos, fatos e casacos desportivos», enumera, sublinhando que a estratégia passa pelas «quantidades pequenas» e que o segredo é ser «tudo escolhido por nós, do tecido ao molde».

Com tecidos fornecidos pela Somelos Tecidos, TMG Textiles e Vilarinho, botões da Louropel, linha da Lipaco e parcerias com confeções como a António Aureliano Rodrigues Cunha, José Pinto Cardoso e Euroralex, sem esquecer a Carlos Santos no calçado, tudo é 100% português.

«Exceto as fragâncias», ressalva Joaquim Mesquita, que logo justifica a presença de marcas internacionais com a falta de oferta em território nacional.

Para completar os coordenados, há ainda as gravatas da António Manuel de Sousa, a chapelaria da EPA e as meias da A. J. Gonçalves.

«Em Portugal temos não só a excelência da confeção, mas também a garantia dos prazos, que hoje são mais importantes do que os preços», reforça Joaquim Mesquita sobre uma capacidade de resposta de uma a duas semanas.

Garantindo postos de trabalho a quatro pessoas, a marca Linha Foz começa agora a ser vendida na loja online. «De há dois anos para cá apostámos no comércio eletrónico, onde só vendemos a Linha Foz. Vendemos as camisas e o calçado e está a ser uma surpresa extraordinária», avalia sobre a loja que, entre cliques, permite personalizar os pares de sapatos ou agendar uma visita ao espaço físico para tratar de um fato, por exemplo.

Um modelo a seguir

O modelo de negócios omnicanal da alfaiataria já começou a despertar a curiosidade de empreendedores aquém e além-fronteiras.

«Estão permanentemente a ligar-me do portal de comércio eletrónico chinês Alibaba, convidaram-me a fazer parte da plataforma», revela Joaquim Mesquita ao Portugal Têxtil.

Ao interesse da plataforma de comércio eletrónico chinesa juntam-se ainda as abordagens de interessados em explorar a Linha Foz no canal franchisados. «Mas, para já, ainda não estamos preparados», reconhece.

Traduzindo o sucesso em números, a loja da Linha Foz, no Porto, fatura entre 80 a 100 mil euros por ano e, a uma semana do final do mês de julho, tinham já passado pelas medidas de Joaquim Mesquita quase 90 clientes.

«Temos muitos clientes fidelizados e estamos a rejuvenescer a clientela, temos o cliente que traz o filho e traz o neto», destaca apontando para uma importante fatia do bolo Linha Foz – o segmento noivos, que por estes meses faz cerimónia na loja.

Atualmente, a Linha Foz representa quase 80% das vendas da empresa, que complementa as receitas com serviços de private label.