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Linho artesanal em desfile

O Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, será amanhã palco do desfile da marca Lindo Linho da designer bracarense Cândida Pinto. Uma iniciativa da Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna (A Furna) que tem como objetivo a recuperação do processo artesanal do linho.

[©Candida Pinto/Facebook]

O evento, agendado para amanhã pelas 16 horas, inclui a apresentação de peças de vestuário, acessórios de moda e toalhas de mesa criados a partir da recuperação do processo artesanal do linho, o principal desígnio da iniciativa em curso da Associação dos Antigos Habitantes de Vilarinho da Furna (A Furna).

«Requalificámos todo esse processo, para que não se perca. Em cima disso, foi criada uma marca que vai ser apresentada no desfile – Lindo Linho. Convidámos uma estilista de Braga, Cândida Pinto, que pegou no linho feito no tear artesanalmente e o transformou numa coleção moderna», explica a coordenadora do projeto, Luciana Castelli, à Lusa.

A marca recém-criada vai colocar ainda à venda os produtos da coleção, «peças personalizadas» e até «linho ao metro», quer através de uma plataforma de comércio eletrónico, quer por encomenda, de forma a garantir rendimento a quem trabalha o linho.

«Este é um projeto de desenvolvimento regional sustentável. A ideia é trabalharmos um ícone identitário da região e transformá-lo num produto rentável para as pessoas», afirma.

Financiado pela EDP, enquanto vencedor do programa Tradições 2020/21, o projeto de requalificação do processo artesanal do linho decorre desde o início do ano no Centro de Artes e Ofícios Artesanais Seixos Brancos, em Covide, freguesia de Terras de Bouro, no distrito de Braga, onde Luciana Castelli reside há cinco anos e que já foi «uma região típica do linho».

«Essa região já sustentou a economia local. Já tivemos aqui mais de 50 mulheres a trabalhar no linho na primeira década do século XXI. Hoje, não há mais de cinco pessoas que conheçam todo o processo do linho, desde a plantação até à feitura no tear», salienta.

Com o apoio de uma das pessoas que ainda conhece o fio à meada deste processo, Rosa Afonso, o projeto procurou, na primeira fase, equipar o ateliê sediado em Covide, com fusos e teares.

Depois de garantidos os mecanismos de produção, a associação A Furna criou, na segunda fase, «as peças da coleção, a marca e a identidade visual do projeto», revela Luciana Castelli, que se diz uma «portuguesa do Norte com sotaque brasileiro», já que nasceu e cresceu em Minas Gerais, mas o avô era português, oriundo de Paredes (Porto).

Na terceira fase, o objetivo do projeto é garantir formação gratuita sobre o processo de produção do linho, para manter viva a tradição e dar «uma opção de trabalho às pessoas».

«Com a fábrica a trabalhar a pleno vapor, vamos abrir formação gratuita para as pessoas local ou de fora que queiram aprender. Vai ser gratuita. As pessoas vão ter trabalho dentro do próprio projeto, porque precisamos de mão de obra qualificada. Não é um processo fácil de se fazer. É todo artesanal», conclui.