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Lipaco cria divisão para a saúde

Lipaco Medical Division é a nova área de negócio da produtora de fios e linhas de costura, que contempla o fabrico de máscaras cirúrgicas e outros EPIs. Um investimento que está a gerar receitas não só no mercado português, mas também no europeu.

Jorge Pereira

O projeto «surgiu pela dificuldade que toda a gente tinha em encontrar no mercado um produto tão básico» devido «à dependência que tivemos todos no passado da China e que continuamos a ter», justifica Jorge Pereira. «Optámos, em tempos de Covid, por lançar este desafio internamente e estamos a produzir as máscaras», acrescenta.

As máscaras cirúrgicas que saem das máquinas automáticas da Lipaco estão a chegar aos consumidores portugueses e a passar a fronteira. «Têm surgido encomendas um pouco pela Europa», revela o CEO da Lipaco ao Portugal Têxtil.

O alargamento a outras geografias está dependente da evolução do mercado. «Os preços estão a cair bastante, a ir para patamares antes do Covid-19 e depois há os custos de transporte. E lidar com concorrência como a China também não é fácil. Há muitas empresas que não estão preocupadas com os parâmetros que as máscaras têm de cumprir e isso faz muita diferença em termos de preços», afirma Jorge Pereira.

Na calha está um novo projeto, embora ainda sob análise. «O projeto foi aprovado, mas estamos a ponderar o que vamos fazer, porque em termos de apoio, foi um quadro que não foi justo, porque os primeiros que submeteram as candidaturas tiveram taxas de incentivo muito superiores do que aqueles que não tiveram dotação financeira e acabaram por passar para uma fase seguinte», explica o CEO. «É pouco justo, dado a grandeza, a dimensão e a abrangência que o nosso projeto tem. É diferente competir com pessoas que tiveram incentivos de 90% e a taxa de incentivo que nós temos», sublinha.

Desafios vs. oportunidades

Durante o confinamento, a Lipaco nunca parou completamente, mantendo o trabalho na área dos fios e linhas, mas o futuro é ainda incerto. «Obviamente que o mercado não é nada daquilo que era e se calhar não vai ser: vai ser diferente, noutros moldes e falta saber o que vai ser o futuro. Neste momento, o futuro é muito incerto. Não há consumo e, não havendo consumo, não adianta produzir aquilo que depois as pessoas não vão comprar», admite Jorge Pereira

Esta incerteza está bastante presente no mercado interno, onde «tudo é uma incógnita muito grande». Na exportação, o panorama é um pouco mais animador. «Lá fora padece do mesmo, mas acho que está mais animado do que aqui. Estamos a trabalhar muito mais para fora do se calhar para o mercado interno», adianta. Ainda assim, assegura, «com esta nova vaga [de Covid-19], os clientes não arriscam tanto, não investem tanto».

Embora reforce que é quase impossível fazer previsões para o resto do ano, o CEO da Lipaco assume que o objetivo atual é tentar manter o volume de negócios o mais próximo possível do registado em 2019, quando rondou os 2,5 milhões de euros. «Se não tivermos quebras já nos damos por satisfeitos, mas é uma incerteza porque vêm aí dois meses muito importantes que, neste momento, não sabemos como vão ser. O nosso sector não trabalha encomendas para dois meses, é um sector que trabalha para o mês seguinte, na melhor das hipóteses e em alguns casos, noutros nem isso, logo é muito difícil de prever», reconhece.

Entretanto, a produtora de fios e linhas está a reestruturar-se e até a contratar mais pessoas para aumentar o efetivo de 56 trabalhadores. «Estamos a contratar para a área produtiva, para a área administrativa e para a qualidade – áreas muito diferentes», esclarece Jorge Pereira. «Estamos a aproveitar para reestruturar. Nos tempos que vivemos não podemos ficar à espera que alguma coisa aconteça. Por isso, estamos a tentar fazer alguma coisa diferente», garante o CEO da Lipaco.