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Lipaco na senda da inovação

Fios refletores, um novo acabamento que torna as peças escuras mais frescas e linhas fusíveis e elásticas são algumas das mais recentes adições no portefólio da Lipaco, que com a conclusão do investimento de 1,5 milhões de euros em abril deverá aumentar a capacidade produtiva até 35%.

A investigação e desenvolvimento de produtos tornou-se uma prioridade para a Lipaco, que além da área da moda trabalha também para mercados mais técnicos, incluindo o desporto. «Temos dois grandes laboratórios, onde trabalham seis pessoas», revela Jorge Pereira. «Mas há sempre os indiretos, na área da produção, que também estão envolvidos e acabam por tornar o número de pessoas ligadas ao I&D maior», acrescenta o CEO.

É a partir destes laboratórios e da colaboração com centros de investigação internacionais que saem as novidades que todos os anos complementaram o portefólio da Lipaco. Além dos fios refletores – cuja principal novidade passa pela possibilidade de utilização de cores da moda, do preto ao laranja, em vez do tradicional cinzento –, a empresa desenvolveu recentemente um acabamento novo, batizado Cold Colour. «Este acabamento permite que, com cores escuras, o utilizador tenha a mesma sensação de frescura como se estivesse a usar branco ou cores claras, com a grande vantagem de refletir todos os raios UV, impedindo inclusive que se fique bronzeados», afirma Jorge Pereira.

Este acabamento está a ser muito procurado pelos clientes da área de desporto, o mesmo acontecendo com a Liflex, uma linha elástica «muito usada, por exemplo, nos calções de ciclista e nas leggings para jogging», adianta o CEO da Lipaco ao Portugal Têxtil. «É um produto que tem muita elasticidade e que recupera muito bem», sublinha.

Já a proposta de linhas fusíveis – que colam quando submetidas a determinada temperatura, permitindo costuras invisíveis – direciona-se tanto para o desporto como para o vestuário formal. «A linha fusível é usada com uma linha heat soluble [que se dissolve por ação do calor], que faz a costura. Introduz-se depois a linha fusível e quando se passa a ferro, a linha fusível cola e a outra deixa de se ver», explica Jorge Pereira. «Tanto as linhas como os fios têm aplicações diversas. É raro que se desenvolva um produto só para uma área», refere o CEO da Lipaco, que fornece linhas e fios texturizados para passamanarias, malhas, têxteis-lar, vestuário e têxteis técnicos.

Produção aumenta 30%

Com um volume de negócios que em 2018 atingiu 2,5 milhões de euros, a Lipaco faz atualmente 25% a 30% das vendas para a área do desporto. «Tem vindo a crescer em linha com a faturação», admite Jorge Pereira, destacando entre os mercados mais fortes Portugal e a Alemanha. «Quem manda são as marcas e as marcas são globais mesmo nas suas produções – tanto produzem em Portugal como na China ou em qualquer outro lado», justifica.

Depois de um ano «estável», o CEO da Lipaco espera que o investimento de 1,5 milhões de euros, que deverá ficar concluído em abril, comece a dar frutos. «Vamos ter um aumento da capacidade de 20% a 35%», aponta. «Estivemos à espera de poder terminar este investimento para acrescentar volume à nossa faturação. Agora está numa fase final e esperamos que este ano já faça alguma diferença na nossa faturação», confessa.

O crescimento passará ainda pelo aumento da exportação, que atualmente representa 40% das vendas. «O mercado português está numa fase mais parada. Obviamente, o mercado interno é sempre prioritário para nós, mas se o mercado estiver em baixo, teremos que procurar alternativas nos mercados externos», indica Jorge Pereira. «Queremos atingir os 50% da nossa faturação no mercado externo, de preferência até 2020», conclui.