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Lipaco quer metade das vendas lá fora

A produtora de linhas e fios, que tem planos para, dentro de três anos, duplicar a sua faturação, espera atingir uma quota de exportação muito próxima dos 50% ainda em 2019. Além do aumento da capacidade produtiva, a Lipaco está a apostar em artigos com credenciais ecológicas, muito procurados no norte da Europa.

Jorge Pereira

Nas novas propostas da empresa destacam-se os fios reciclados e biodegradáveis. «Tudo o que esteja relacionado com a reciclagem, com a Natureza, com o reaproveitamento é uma grande tendência que veio para ficar», garante Jorge Pereira, CEO da Lipaco.

A procura faz-se sentir «sobretudo nos países nórdicos – para eles é um dado adquirido», revela ao Portugal Têxtil, acrescentando que nas apresentações que a Lipaco fez, nomeadamente em feiras, «os clientes vêm sempre nessa expectativa de encontrar algo diferente e que proteja a natureza».

A somar aos artigos mais “amigos do ambiente”, onde se incluem ainda fios de liocel e linhas de 100% algodão orgânico com certificação GOTS, a empresa tem feito investimentos para usar energia mais limpa e reaproveitar recursos. «A sustentabilidade foi uma preocupação que sempre tivemos e, nos últimos anos, temos reforçado muito com os investimentos que fizemos dentro dos nossos processos produtivos», aponta Jorge Pereira. «Hoje temos produção própria de energia solar e fazemos o reaproveitamento térmico e de águas ao máximo. Há um conjunto de processos que foram modificados, formas de produzir que consomem menos água. E isso tem trazido valor acrescentado, quer ao produto, quer, sobretudo, em termos ecológicos, para o meio ambiente», sublinha.

Duplicar a faturação

As apostas da Lipaco estão a ser feitas igualmente ao nível da capacidade produtiva. A empresa, cujas linhas e fios acabam no vestuário com etiquetas de marcas da Inditex mas também da Adidas, Nike e Prada, está a concluir uma série de investimentos, com um valor superior a 1,8 milhões de euros, que incluem alterações na tinturaria e um acréscimo na área coberta. «Estamos a construir um edifício novo com 2.000 metros quadrados, para onde vamos mudar uma parte da produção», adianta o CEO.

Com esta expansão e mudança no layout, a capacidade produtiva da Lipaco, que, em média, se situa nas 100 toneladas mensais, deverá aumentar. «Depende das fibras e depende de onde nos vamos posicionar com esta capacidade nova. Mas é um facto que vamos ter uma capacidade muito superior à que tínhamos até agora», afirma.

Com uma panóplia de 17 mercados, onde o foco principal está na Europa, a empresa exporta atualmente entre 40% e 45% do seu volume de negócios, que em 2018 rondou os 2,5 milhões de euros. «Este ano vamos ver se ficamos nos 45% a 50%», indica o CEO, explicando que o aumento da capacidade produtiva deverá permitir «não desperdiçar encomendas», incluindo algumas que, «pela dimensão que tínhamos, não conseguíamos dar resposta». No fundo, resume, «é colmatar lacunas que tínhamos para conseguir chegar a mercados, alguns desses até de valor acrescentado, onde queremos estar mais presentes do que estávamos até aqui».

Um outro objetivo da Lipaco é conseguir duplicar a faturação, num horizonte temporal de três anos. 2019 deverá já contribuir para essa meta. «Este ano contamos crescer. Vamos ver se, até ao fim do ano, ainda conseguimos tirar partido do que estamos a fazer até agora. Mas o verdadeiro momento será daqui para a frente, quando tivermos tudo em ordem. Temos os objetivos bem definidos e traçados», assegura Jorge Pereira.