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Lisboa mais atrativa para o retalho

Avenida da Liberdade, para o luxo, e Rua Augusta, Rua do Carmo e Rua Garrett, para o comércio de massa e gama alta, são as principais ruas de retalho em Lisboa, de acordo com um novo estudo que coloca, entre as capitais, a londrina Oxford Street e a madrilena Gran Vía como as mais movimentadas da Europa.

Lisboa [©CML/Nuno Correia]

O segundo estudo Pan-European Footfall Analysis da consultora BNP Paribas Real State, que abrange 34 cidades europeias, refere que «Lisboa continua a construir a sua atratividade enquanto destino cultural e gastronómico», apesar das ruas da cidade não constarem ainda nos tops. «Durante muitos anos um dos principais destinos turísticos para os europeus, Lisboa submeteu-se a um processo de regeneração exemplar para se tornar ainda mais atrativa para os retalhistas, consumidores e investidores. O Tikva Museu Judaico Lisboa – que deverá estar pronto em 2024 – e eventos internacionais como a Web Summit, assim como novos espaços verdes como o Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles reforçaram as instalações culturais e de mobilidade oferecidas por Lisboa», descreve o estudo.

Rua Augusta [©CML]
As três principais ruas de retalho de massas da capital portuguesa – Rua Augusta, Rua do Carmo e Rua Garrett – registaram «declínios acentuados semelhantes no tráfego, em linha com a quebra no turismo» devido à pandemia, mas as elevadas taxas de vacinação do país estão a levar a um regresso dos turistas, que se sentem mais seguro na cidade. Já a Avenida da Liberdade, mais voltada para o retalho de luxo, «mostrou uma grande resiliência durante a crise de saúde», destaca a BNP Paribas Real Estate.

Londres domina nas capitais

Embora todas as cidades tenham registado uma redução dos turistas internacionais no outono de 2021, Londres, cuja Oxford Street ocupa o primeiro lugar, beneficiou do facto de ter uma população de 14,6 milhões de pessoas na sua região metropolitana.

Regent Street [©Unsplash/Samuel Pollard]
Com um Selfridges, duas lojas Primark e uma série de retalhistas de fast fashion como a Zara, a H&M e a River Island, Oxford Street garantiu o título de principal rua de comércio na categoria de retalho de massas. A Regent Street, que fica na proximidade, e alberga várias marcas do grupo H&M, como a Weekday, Cos e Arket, assim como a Levi’s, ficou em terceiro lugar nesta classificação, embora ocupe o primeiro lugar como a rua europeia mais movimentada no luxo, graças, em parte, a lojas como a da Liberty London e Burberry.

A Grand Vía, em Madrid, é a segunda mais movimentada ao nível do mercado de massas, a seguir a Oxford Street. «A Gran Vía reforçou o seu papel como destino importante graças a lojas flagship fortes como as da Primark, Adidas e Huawei», aponta o estudo. «É também uma área popular para turismo e tempos livres tanto de dia como de noite, numa combinação de cinemas, teatros e restaurantes, para além da sua vasta oferta de moda», acrescenta.

Avenue Champs-Elysées [©Ville de Paris/Joséphine Brueder]
No quarto lugar surge a Corso Vittorio Emanuele II, em Milão, em parte graças à presença de flagships da Apple e da Victoria’s Secret e de vários retalhistas mundiais como a H&M.

O top 5 fecha com a Avenue des Champs-Elysées, que beneficia de uma combinação de retalho experiencial, como a House of Innovation da Nike, showrooms automóveis da Mercedes e da Renault e das famosas Galeries Lafayette, que atraem as gerações Millennial e Z.

Cidades alemãs em força

Na análise das 40 ruas mais relevantes ao nível do tráfego pedestre, incluindo em capitais e cidades mais regionais, a Alemanha surge em força, com a Schildergasse, em Colónia, a ocupar o primeiro lugar, acima de Oxford Street. A rua recebe cerca de 77.200 peões diariamente e está a sofrer uma transformação, segundo o estudo, incluindo a conclusão do empreendimento Antoniter Quartier.

Schildergasse [©Cologne Tourism]
Aliás, sublinha a BNP Paribas Real Estate, os projetos de utilização mista estão a tornar-se habituais na Europa como forma de dinamizar zonas mais negligenciadas. «Estes projetos são populares porque atraem diferentes tipos de pessoas – consumidores, trabalhadores e habitantes – que geram fluxos constantes. Os investidores e promotores estão a dar cada vez mais atenção a estes ativos», explica no estudo.

No terceiro lugar deste ranking surge a Kaufingerstraße em Munique. A rua que leva a Marienplatz alberga vários grandes armazéns, incluindo o Oberpollinger, dedicado a gamas mais altas. A maior parte das lojas, contudo, foca-se no segmento do mercado de massas, incluindo a H&M Home, a Esprit e a primeira flagship da Skechers na Alemanha.

Kaufingerstraße [©Wikimedia]
No quarto lugar surge a Zeil, em Frankfurt, cujo tráfego é alimentado por lojas grandes de retalhistas da fast fashion como a Primark e a Mango.

Quanto às ruas com forte inclinação para o luxo, o top 3 mantém-se inalterado face ao primeiro estudo Pan-European Footfall Analysis, sendo ocupado por Regent Street, em Londres, Avenue des Champs-Elysées, em Paris, e Passeig de Gràcia, em Barcelona.