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LMA trata da saúde

Um substrato têxtil respirável, impermeável e termorregulador que pode ser usado em resguardos de colchão para pessoas acamadas e uma malha que protege das radiações eletromagnéticas foram os dois produtos da LMA em destaque na última edição da Techtextil.

A empresa de Rebordões, que se distingue por ter, dentro de portas, quatro tecnologias têxteis diferentes – tricotagem de malha circular, tricotagem de malhas ketten, tricotagem de malhas raschel e tecelagem – respondeu ao desafio de um cliente e criou uma solução três-em-um que pode ser usada na proteção de colchões. «É um produto que tem três características que não são fáceis de integrar no mesmo produto: uma boa coluna de água, uma boa respirabilidade e uma boa camada de ar entre as duas superfícies do produto», explicou, ao Portugal Têxtil, Manuel Barros, diretor-executivo da LMA. A isso «acrescenta-se também alguma capacidade de regulação térmica. Neste caso em concreto [dos protetores de colchão para acamados], em ambientes de ar condicionado um bocadinho mais elevados, refresca», acrescentou.

O Thermic 3D, como foi batizado, tem várias aplicações, embora as mesmas se centrem essencialmente na área médica, e pode incluir ainda outras funcionalidades, «com fins terapêuticos ou cicatrizantes», exemplificou.

Fim às radiações

Ainda na área da saúde, e em resposta a um desafio de um cliente nórdico, a LMA desenvolveu um artigo que bloqueia as radiações eletromagnéticas. «Uma série de médicos juntaram-se e fizeram um estudo acerca das implicações do telemóvel e das suas radiações em alguns aspetos da saúde humana. Um dos aspetos estudados, e que eles concluíram ter alguma implicação, foi o facto de se usar o telemóvel no bolso junto aos órgãos reprodutores masculinos – provaram que poderá haver uma causa-efeito de redução da fertilidade que pode chegar aos 30% ou 40%», revelou o diretor-executivo.

Com base nestes pressupostos, a LMA foi capaz não só de encontrar uma solução que protegesse das ondas eletromagnéticas, mas que fosse confortável de usar. «Como estamos a falar de fibras maioritariamente à base de metais, não é fácil ter alguma coisa confortável», admitiu Manuel Barros. No entanto, «conseguimos chegar a um produto que tem esse equilíbrio e que, realmente, deu ao cliente a solução que procurava», garante. A solução desenvolvida – que foi distinguida com um iTechStyle Award – pode ter ainda outras funcionalidades. «Verificámos que pode ser usado como interior de bolsos de casacos para pessoas que usam pacemaker», apontou.

Uma empresa transversal

A saúde é apenas uma das áreas dos têxteis técnicos trabalhados pela LMA, que está igualmente concentrada em artigos para vestuário de proteção, para o sector automóvel, para a indústria ou para a publicidade.

Techtextil

Mas os artigos com maior tecnicidade estão a alargar a sua abrangência e, «hoje em dia, mesmo o urban fashion wear já começa a usar os conceitos técnicos», afirma o diretor-executivo da empresa, que emprega cerca de 50 pessoas. É o caso da utilização de fibras de alta respirabilidade, como o Coolmax, em vestuário de moda, ou de repelência à água, como uma das mais recentes novidades da LMA, apresentada na última Ispo Munich, com fibras de poliéster modificadas que permitem hidrorrepelência sem aplicação de químicos. «Trata-se de um produto que está a ter uma boa recetividade do mercado porque é um produto sustentável, na medida em que evita o uso de químicos e, por outro lado, tem uma performance bastante agradável», indicou.

Para uso militar, a LMA desenvolveu um produto auxético em parceria com o Exército Português para coletes à prova de bala. «São malhas tridimensionais que, quando têm impactos, dissipam a energia», explicou o diretor-executivo.

Inovação sem barreiras

Anualmente, a LMA faz cerca de 250 desenvolvimentos e, embora nem todos cheguem ao mercado ou signifiquem negócio, «a taxa de sucesso é muito elevada», assegurou o diretor-executivo. O segredo passa pelas parcerias com entidades como a Universidade do Minho e o CITEVE e pelo laboratório interno, mas também, e sobretudo, pela cultura de inovação da empresa, que envolve todos os colaboradores. «Somos todos do departamento de I&D, ou seja, todos contribuímos para novas ideias, novos produtos, novas soluções. Embora tenhamos um laboratório com um engenheiro e algumas pessoas licenciadas com um ADN direcionado para alguma curiosidade no desenvolvimento, todos participamos nessa área porque ela resulta de uma de três situações: do estado da arte das matérias-primas que os nossos parceiros nos apresentam; do desafio dos próprios clientes; e do nosso sourcing, como  visita a feiras e a lojas. É ver o que há de novo no mercado e tentar não só reproduzi-lo mas melhorá-lo. É sempre esse o nosso objetivo», reconheceu Manuel Barros.

Com possíveis novos investimentos adiados para depois da feira de maquinaria ITMA, a LMA espera «manter a performance» em 2019, com os primeiros meses a registarem «uma ligeira descida, mas quase insignificante, o que, tendo em conta a conjuntura, não está mal», considera o diretor-executivo. Aliás, «temos consciência que 2019 vai ser um ano difícil» e, apesar de estar «apreensivo» quanto aos próximos meses, «temos, por outro lado, uma série de projetos a crescer com muitos clientes. Se se concretizarem, poderá revelar-se um bom ano para nós», concluiu.