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Logik com novos horizontes

Com uma tradição na produção de fios fantasia, a Logik está com os olhos postos nos mercados internacionais, com o salto para o palco mundial que é a Première Vision Yarns pensado para setembro do próximo ano. Até lá, soma referências às 2.500 que já constam do portefólio.

Diogo e Carlos Neves

O nome é Logik e tem apenas cerca de 10 anos, mas a empresa da Covilhã é ainda conhecida por muitos como Benjamim, em referência à empresa anterior que lhe deu origem, fundada por Carlos Benjamim em 1973. «O meu pai comprou a primeira máquina à Penteadora de Unhais, que faz hoje parte do grupo Paulo de Oliveira, por 14 contos [hoje 70 euros], em novembro de 1973», conta o administrador Carlos Neves ao Portugal Têxtil.

Hoje, a empresa mantém o know-how que foi acumulado na experiência das últimas décadas e conta com 30 máquinas para fazer todo o tipo de fios fantasia, dos bouclés aos borbotos, passando pelas fitas, franjas e felpados. «Internamente temos mais de 2.500 referências – é difícil, de algum modo, apresentar ao cliente a vasta gama de produtos que temos», afirma Diogo Neves, a terceira geração da família ligada aos fios fantasia. Este “problema” agrava-se com a customização que a Logik permite aos seus clientes. «Damos a oportunidade aos estilistas e às marcas de trabalharem no design do fio. Enquanto um estilista normalmente desenha a roupa e compra a malha à cor, nós começamos logo no fio e, dentro das fantasias, temos uma gama enorme – a nossa gama de produtos equipara-se, um pouco, à gama italiana», aponta Diogo Neves.

As matérias-primas, que podem ser misturadas à vontade do cliente, são igualmente variadas, desde os poliésteres às opções mais nobres, como a alpaca ou o mohair. «Estamos a fazer um esforço no sentido de angariar clientes que queiram trabalhar com uma gama de matérias-primas mais nobres», confessa Diogo Neves.

Olhar lá para fora

Os fios especiais que saem da Logik têm, habitualmente, dois destinos: sob a marca Benjamim Júnior saem fios que alimentam sobretudo a indústria das malhas e dos tecidos e sob a designação Logik Fancy Yarns saem fios pensados para o consumidor final que aprecia dedicar-se às manualidades. «Nas manualidades, os países nórdicos são os melhores. Temos experiência com um cliente, para quem exportávamos muito, mas que se virou para países como a Turquia, por causa do preço e da desvalorização da moeda, que é uma guerra muito desigual», revela Carlos Neves.

A quota de exportação da empresa situa-se, atualmente, nos 10%, uma situação que os administradores da Logik, que emprega 10 pessoas, pretendem mudar. O pontapé de saída foi dado com a última edição do Modtissimo (ver Modtissimo prepara crescimento), mas os próximos voos estão já pensados. «O Modtissimo não foi só pela experiência de estar a expor e perceber qual é a rotina que isto exige, mas também na tentativa em paralelo de angariar clientes e de dar a conhecer aquilo que fazemos. Porque apesar de nos conhecerem, o facto de estarmos na Covilhã acaba por nos manter um pouco no anonimato. A estratégia, a partir daqui, é fazer uma apresentação numa feira no estrangeiro, em princípio no próximo ano, na Première Vision», adianta Diogo Neves.

«A minha dificuldade é sair do anonimato», sublinha Carlos Neves. «Fico muito contente cada vez que consigo estar com um cliente e ele olha para nós como um parceiro – e normalmente consigo fazer isso. Mas em virtude de o mercado estar muito concentrado em meia dúzia de potentados, não é fácil», admite o administrador. «O objetivo é perder o anonimato. Que as pessoas percebam o que é que a gente faz e que estamos dispostos a ajudar», explica.

Parcerias no caminho

Depois de, no passado, ter estabelecido uma parceria com a Universidade da Beira Interior, nomeadamente com os alunos do curso de Design de Moda, para criar produtos finais com os seus fios, a Logik acredita que o futuro passará pela união de esforços com outros players na cadeia produtiva.

«Estamos muito longe de quem decide. O cliente que viu um modelo que quer desenvolver, até que chegue a nós, há muitos intermediários e às vezes a informação perde-se. Cada vez que conseguimos encolher essa distância, resolvemos de um dia para o outro e as coisas funcionam. Só que, neste momento, não consigo vender fio a um comprador de camisolas, porque ele quer é ver camisolas», esclarece Carlos Neves. «Temos aqui meia dúzia de empresas de malhas no Norte muito fortes, mas tem que alguém estar disposto a fazer qualquer coisa que mostre os nossos produtos», reconhece. «Temos de conseguir estar no sítio certo, ter uma parceria, alguém que queira fazer coisas diferentes – nós ajudamos e estamos a puxar todos para o mesmo lado», afirma.

Com um primeiro semestre «fraco» a nível de negócios, a Logik, que em 2017 faturou 1,8 milhões de euros, espera recuperar e compensar as perdas para a Turquia e as quebras registadas em Espanha, que afetam direta e indiretamente a empresa. Para isso, os trunfos são, além da presença em feiras, a aposta em produtos ainda mais especiais, como a coleção de reciclados, e a diversificação da panóplia de clientes, nomeadamente com um reforço junto da indústria de têxteis-lar. «Este ano fizemos um reforço nos têxteis-lar. Temos cortinas feitas com fios nossos. Mas é um mercado que também não é fácil», garante Carlos Neves.

Esforços redobrados que os administradores da Logik estão dispostos a fazer para vingar aquém e além-fronteiras. «Continuamos na guerra, porque senão fazíamos o que todos já fizeram, que é fechar portas. Mas gostamos disto e, honestamente, temos um património muito grande de know-how, que já brilha desde os tempos do meu avô. Acho que apesar da empresa trabalhar um nicho, continua a ter espaço no mercado para ensinar, para dar a conhecer e para satisfazer necessidades específicas de clientes que procurem o nosso produto», conclui Diogo Neves.