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Lojas inteligentes multiplicam vendas

O retalho do futuro pretende recuperar quota de mercado aos seus rivais online com a ajuda de tecnologia avançada – dos robots aos espelhos interativos, passando por prateleiras com sensores embutidos.

O objetivo: usar estes recursos no mundo real para recuperar os consumidores absorvidos pelas mais-valias das compras digitais e, entretanto, fazê-los comprar mais.

Os retalhistas tradicionais aprenderam através da tentativa e, sobretudo, do erro que a tecnologia precisa de ser fácil de usar e beneficiar de alguma forma os consumidores, seja para poupar tempo ou dinheiro.

O conceito de supermercado do futuro apresentado pela Amazon, o Amazon Go, em Seattle, é para já uma pequena mercearia em que os clientes entram, pegam nas suas compras, pagam através de transações eletrónicas e saem sem filas nas caixas de pagamento. Entretanto, a Kroger, Neiman Marcus e Lowe’s estão também entre as empresas que têm vindo a desenvolver lojas de retalho futuristas.

Os robots, por exemplo, podem ajudar a orientar os consumidores para o corredor certo, enquanto as aplicações de realidade aumentada ajudam a perceber como um determinado tom de tinta vai ficar na sala de estar.

Muitas dessas tecnologias serão reveladas durante a feira de tecnologia Consumer Electronics Show (CES) (ver CES: a antecipação), que arranca hoje em Las Vegas.

Prateleiras inteligentes

Os retalhistas na web têm uma profusão de dados sobre os seus clientes. Algumas dessas tecnologias podem até mesmo rastrear os consumidores de website para website de forma a atraí-los com o que são conhecidos como anúncios de redireccionamento – promoções direcionados para aquilo que o cliente já viu, mas acabou por não comprar.

As prateleiras inteligentes com sensores prometem o mesmo tipo de análise detalhada do comportamento do consumidor em lojas físicas.

Numa loja da Kroger em Cold Spring, Ohio, as prateleiras mostram tags de preços digitais e informações sobre os produtos. O próximo passo é transferir isso para os clientes. Por exemplo, para um consumidor que prefere produtos sem glúten, as etiquetas de preços podem acender no corredor onde estão todas as opções sem glúten.

Robots

A Amazon, entre outros retalhistas, há muito tempo que usa robots nos armazéns para ajudar a fazer e a enviar encomendas. Mas a retalhista Lowe’s está já a testar os robots numa das suas lojas em San José, Califórnia, e planeia disponibilizá-los em mais 10 lojas naquele estado este ano.

Além de digitalizarem prateleiras para inventário, os robots podem orientar os clientes para produtos específicos em inglês e espanhol.

Neste campo, a joint venture japonesa SoftBank Robotics está a testar um robot humanoide chamado Pepper em dois shoppings de Westfield, Califórnia. Os robots saúdam os clientes e têm potencial para enviar mensagens voltadas para a idade e sexo dos transeuntes através do reconhecimento facial. A SoftBank Robotics revelou também que está a trabalhar com os retalhistas de vestuário para ajudar a sugerir peças de roupa aos visitantes.

Espelhos interativos

As lojas high-end de vestuário estão a testar espelhos interativos nos provadores, uma localização-chave onde os consumidores decidem se querem ou não comprar.

A Neiman Marcus instalou espelhos em 20 das suas lojas para oferecer aos clientes uma visão de 360 ​​graus da peça vestida. Os clientes podem ainda partilhar vídeos com amigos para obter comentários.

Realidade virtual e aumentada

Os retalhistas de decoração têm vindo a adotar a realidade virtual e a realidade aumentada para ajudar os clientes a descobrir formas de decorar casas ou apartamentos.

Os clientes usam as tecnologias para imaginar como algo pode ficar nos seus lares em 3D. A aplicação de realidade aumentada da Home Depot, por exemplo, permite que os clientes façam upload de uma imagem da sua sala de estar no smartphone e pesquisem milhares de cores de tinta até chegarem ao tom ideal.

Self-checkout

Por último, as lojas tradicionais têm também apostado no self-service para reduzirem os custos de mão-de-obra e acelerar as filas de check-out. No entanto, nem sempre foi fácil.

Há dois anos, o Wal-Mart ofereceu a aplicação Scan & Go para que os clientes digitalizassem itens enquanto os tiravam das prateleiras. No balcão de check-out, os clientes tinham apenas de digitalizar um código para concluir a transação. Mas o Wal-Mart desmantelou o projeto depois dos clientes afirmarem que a aplicação era difícil de usar.

Andy Wong, parceiro da Kurt Salmon Digital, defende que o Wal-Mart teve dificuldades porque os seus clientes têm uma faixa etária alargada e muitos são pouco experientes com tecnologia. Já a Amazon está a experimentar este tipo de tecnologia na sua loja em Seattle e tem uma base de clientes já confortável com as compras digitais.

Wong admite ainda que a Amazon foi inteligente em concentrar-se nos artigos de mercearia e espera que outros retalhistas sigam a liderança da gigante online e se concentrem também em determinados produtos.