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Lojas sem roupa?

Quando os clientes entrarem na loja Nordstrom Local, no estado norte-americano da Califórnia, vão encontrar alfaiates que customizam fatos e stylists que dão conselhos de estilo –, mas não vão encontrar roupas. A mais recente aposta dos grandes armazéns passa por espaços comerciais sem inventário.

A destruição lenta do retalho físico tem motivado novas táticas nas lojas nos EUA. Em busca de cortar os custos e, ainda assim, manter os clientes interessados, os retalhistas americanos deram um passo em frente no cruzamento do espaço de vendas online com o offline. A Nordstrom Local é a mais recente proposta dentro deste conceito: retalho sem ou com pouca mercadoria. O cliente entra na loja, escolhe uma determinada peça, faz a encomenda e espera que esta lhe chegue à porta de casa.

Modelo atrativo

Ao enviar as encomendas diretamente para casa dos clientes, estas lojas não precisam de stocks no local e, como consequência, de promoções para os escoar. Mais importante ainda, as cadeias de aprovisionamento podem dispensar o transporte dos stocks dos armazéns para as lojas.

A ideia de lojas sem mercadoria não agradou apenas à Nordstrom – o Wal-Mart também está a apostar neste novo modelo.

«Uma loja sem inventário torna-se muito, muito eficiente», afirma, à Bloomberg, Michael Brown, sócio da divisão de retalho da consultora A.T. Kearney.

O Wal-Mart foi inclusivamente o primeiro retalhista a experimentar o novo modelo quando comprou a plataforma Bonobos, em junho.

A retalhista online Bonobos começou como modelo de negócio direto ao consumidor através da Internet. Agora, com mais de 40 lojas físicas nos EUA, permite que os clientes experimentem as peças na loja e, depois, as encomendem online.

Outra das aquisições do Wal-Mart, a ModCloth, explora a versão híbrida dessa estratégia de venda.

Fundada em 2002, a boutique vintage online abriu a primeira loja física em março. O espaço permite que os clientes comprem e levem para casa pequenos produtos, incluindo artigos de decoração, bem como algumas peças de vestuário. O restante espaço de loja é preenchido com artigos de exposição e amostras para experimentar e encomendar. Depois as encomendas são entregues em casa do cliente.

Michael Brown, sócio da divisão de retalho da consultora A.T. Kearney, acredita que a entrega no mesmo dia será obrigatória para que estas novas lojas funcionem.

A Nordstrom Local, por exemplo, tem entrega no mesmo dia através de serviços de transporte tradicionais.

A versão mais radical do conceito de retalho minimalista é a Indochino, retalhista que oferece alfaiataria de homem por medida.

Com mais de 15 showrooms nos EUA, a Indochino é, sobretudo, um centro de fitting. Um responsável de vendas tira as medidas aos clientes e os detalhes dos fatos são escolhidos no local. A Indochino transmite depois os detalhes a um fabricante na China e, algumas semanas depois, o cliente regressa ao showroom para experimentar o fato – qualquer alteração de última hora é feita no local.

Para os grandes armazéns que esperam sobreviver à investida online, ou, pelo menos, reduzir o seu impacto, experiências como as lojas sem stock são uma alternativa. Mike Kim, diretor da consultora AArete, admite mesmo que são «uma forma inteligente de fazer mais com menos».