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Londres regressa à “alta-moda”

Criatividade em plena efervescência, Londres respirou moda, ao estar envolta em desfiles, performances, feiras internacionais e celebridades que se juntaram para vislumbrar as últimas tendências Primavera-Verão 2008. Famosa pela excentricidade e pela ousadia, a London Fashion Week, que se realizou novamente no Museu de História Natural, não decepcionou ninguém e até surpreendeu alguns. Com 53 desfiles no programa oficial, a edição deste ano deu especial atenção às novas gerações de estilistas e foi inspirada no glamour de estrelas e em mulheres fortes, ousadas e independentes.Desde o clássico Paul Costelloe ao recentemente premiado como "estilista do ano" pelo Conselho de Moda Britânico (BCF) Marius Schwaad, o corpo foi explorado na sua totalidade, em colecções femininas onde as Lycras, os micro-vestidos em cores brilhantes, as calças e saias com grandes cintos metalizados e as túnicas esvoaçantes ganharam um destaque muito especial. De igual forma, Christopher Kane – um dos mais esperados entre a nova geração de estilistas britânicos – desfilou vestidos com cortes elaborados e muitos estampados. Julien MacDonald trouxe uma mulher desportista (com inspiração, segundo o próprio, nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012), enquanto Gareth Pugh, um dos criadores mais provocantes desta temporada, apresentou uma colecção de vanguarda com toques apocalípticos. Paralelamente Caroline Charles, investiu numa mulher igualmente forte e independente, além de subversiva. Quanto a Danielle Scutt, afirmou que a sua colecção tinha como objectivo «mostrar a guerreira que todas as mulheres carregam dentro de si», tendo o couro no papel principal.Um dos desfiles mais aguardados foi o de Luella Bartley – conhecida apenas como Luella – que voltou a desfilar em Londres, após seis anos de sucesso na Semana de Moda de Nova York. A estilista apresentou um universo especial, com uma mistura de punk e classicismo britânico em calções curtos com botas até ao joelho, misturando uma variedade de acessório, da qual se destacou uma bolsa em plástico de cor vermelha. Apesar da ausência da marca "Emporio Armani", que no ano passado decidiu trocar Londres por Milão, as passerelles londrinas receberam uma das colecções mais esperadas da temporada e um dos pontos-altos de todo o certame. Observada pelo pai – o ex-Beatle Paul McCartney – a estilista Stella McCartney apresentou, pela primeira vez em Londres, a sua colecção de moda desportiva para a marca Adidas. Adaptando um mini-campo de golfe à passerelle tradicional, as saias curtas, os tops e os calções ajustados ao corpo, foram as apostas da estilista. Um desfile bastante audaz mas muito aplaudido e que encerrou da melhor forma uma semana de moda que se afastou do comercial, ousou ser bizarra e ganhou pontos – de forma impensável – aos eventos concorrentes como os tradicionais e glamourosos desfiles de Paris, Milão e Nova York. Atraindo mais atenções do que nunca, o certame contou ainda com a presença de Anna Wintour, a toda-poderosa chefe da vogue americana e musa inspiradora o filme "O diabo veste Prada", que decidiu ir a Londres assistir aos desfiles depois de ter ignorado durante anos o evento, e de celebridades como a modelo Kate Moss, o produtor de hip-hop Damon Dash e do actor Jude Law. A cereja no topo do bolo foi a performance surpresa do cantor norte-americano Prince no desfile de Williamson.Em dez anos, o London Fashon Week cresceu para se tornar um evento que atrai milhares de compradores, jornalistas e fotógrafos. Um crescimento que tem sido notado em toda a indústria da moda que, só no ano passado, movimentou cerca de 4 mil milhões de libras e deu emprego a cerca de 100 mil pessoas.