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Londres vai eclética e experimental

Das várias cores que se intersetam no mesmo look à força do vermelho, dos casacos-edredão na Preen aos padrões da Marques’Almeida, sem esquecer as golas artísticas da Burberry, a semana de moda de Londres continuou a explorar o seu lado experimental e eclético, reinventando peças clássicas do guarda-roupa feminino pelas mãos de designers emergentes e consagrados.

Num calendário que praticamente fechou com as chaves da dupla nacional radicada na capital britânica Marques’Almeida e ao som de Nina Simone – que, se viva, teria celebrado 84 anos a 21 de fevereiro–, a semana de moda de Londres dedicada ao outono-inverno 2017/2018 brindou a comunidade moda com uma dose reforçada de ecletismo. Eis as tendências-chave da passerelle.

Decoro

Na passerelle londrina houve um adeus aos decotes profundos e sensuais e abraçou-se uma tendência de decoro e modéstia, com as golas altas a cobrirem o pescoço das modelos e as mangas a deixarem os braços resguardados. Os vestidos do outono-inverno 2017/2018 e as peças primavera-verão 2017 da Burberry (casa que alinha os seus desfiles com as estações e promove o modelo ver agora/comprar agora) apostaram em golas subidas e rendadas, com folhos, laços ou colares de pérolas oversized e em mangas longas, trabalhadas em volume e recortes.

Cartoons

Da Pantera Cor-de-Rosa à Hello Kitty, passando pelo imaginário da Disney, as personagens animadas cruzaram a passerelle da capital britânica em vestidos, sweatshirts e saias, provando que os cartoons não são um exclusivo dos guarda-roupas e horas vagas dos mais novos.

Cores

O confronto colorido dominou as propostas de marcas como a Mulberry, Roksanda e Roland Mouret – que trouxeram um otimismo alegre para o calendário, com coordenados em cores contrastantes. Enquanto a Roksanda optou pelo azul, púrpura e verde-menta foram as matizes destacadas na visão divertida de Johnny Coca para a Mulberry. À margem da soma de tons, houve ainda uma monocromia vencedora em muitas das passerelles. Depois de várias temporadas dedicadas ao rosa, os designers pareceram estar a dirigir-se para um tom mais dramático e marcante. O vermelho surgiu em peças lisas e com textura, nas cintilantes lantejoulas ou em camadas.

Veludo

Como já havia sido mostrado pelos alinhamentos de Nova Iorque (ver Política desfila em Nova Iorque), o material sumptuoso regressou em força para a próxima estação fria, mas Peter Pilotto, Emilia Wickstead, Erdem e Mary Katrantzou deram nova imagem ao veludo, que adquiriu uma expressão leve e sofisticada, com aplicações cintilantes e rendas.

Bolsos

Desprendendo-se da sua função meramente utilitária, os bolsos estão de volta ao centro das atenções. Como proposto por Simone Rocha, JW Anderson, Joseph e Christopher Kane, os bolsos dominam vestidos ou calças fluidas, dando ao casual uma renovação elegante.

Florais

Os padrões florais podem não ser novidade, mas na passerelle londrina dedicada à próxima estação fria, pela intervenção de Christopher Kane e Mary Katrantzou, os florais artesanais foram tudo menos previsíveis. Dos bordados elaborados aos estampados inspirados pelos têxteis-lar e às aplicações 3D, os florais não se ficaram pelo básico. A acompanhar as flores estão, normalmente, as riscas e, para contrariar a omnipresença, do primeiro padrão, o alinhamento da Marques’Almeida consagrou o segundo. As riscas dos coordenados voltaram a afastar a dupla das tendências-chave e a garantir-lhe lugar de destaque junto das amantes de moda em busca de originalidade.

Tweed

Graças à alfaiataria da Mulberry e da Simone Rocha, o tweed como património de moda britânico foi reinterpretado com uma silhueta moderna.

Acolchoados

Os acolchoados nunca foram tão populares – vejam-se as propostas da Preen para a próxima estação fria e respetivos casacos-edredão.

Gabardinas

Londres continua a ser um dos mais interessantes repositórios de gabardinas e, nesta edição da semana de moda da capital britânica, a peça voltou a destacar-se e a merecer renovadas silhuetas nas passerelles da Burberry e da JW Anderson.