Início Arquivo

Lucros no Comércio Electrónico

O site Shop.org apresentou um estudo sobre o estado do retalho electrónico norte-americano (“The State of Online Retailing 3.0”) realizado pelo Boston Consulting Group, em que se afirma que em 1999 este mercado chegou aos 6 mil milhões de contos. Baseado em dados de 412 retalhistas online, o estudo adianta que o comércio electrónico business-to-consumer cresceu 120% entre 1998 e 1999, representando 1.4 % de todas as vendas a retalho. Além disso, cerca de 2,6 mil milhões de contos adicionais foram gastos pelas empresas nos sites de retalho em categorias como viagens, equipamento de escritório e software para computadores. Estes resultados incluem 1,3 mil milhões de contos provenientes de retalhistas não tradicionais, como fabricantes e leilões. Em 2000 espera-se que o mercado cresça 85% e ultrapasse os 12 mil milhões de contos.

De acordo com o relatório, o crescimento contínuo do mercado retalhista online é fruto de vários factores: do boom de utilizadores da Internet; da presença cada vez maior dos retalhistas tradicionais na Internet; e da emergência de novos modelos de negócio no mercado de retalho. Estes novos protagonistas, que incluem os leilões online, grupos de compras, e fabricantes e distribuidores que vendem directamente ao consumidor, representam mais de 35% dos produtos vendidos online em 1999.

Cerca de 70% do mercado retalhista online é ocupado pelas viagens, pelo software e hardware de computadores e pela intermediação financeira. Em relação ao volume de negócios, a venda de automóveis (2300%), de produtos de saúde e de beleza (780%) e de brinquedos (440%) cresceram de forma exponencial. Prevê-se que no fim deste ano algumas categorias, como os computadores, os livros, os CDs e os vídeos, cheguem a uma penetração de mercado de 10% relativamente ao retalho tradicional, tornando-se assim uma verdadeira ameaça a este mercado.

O estudo também conclui que 38 por cento dos retalhistas online já são lucrativos e 70 por cento das empresas de venda por catálogo que têm um site e 50 por cento das lojas tradicionais com site também são lucrativas. Esta conclusão contraria assim a ideia generalizada de que ainda nenhuma empresa de Internet consegue obter lucros.

Finalmente, é avaliada a relação estabelecida entre o retalhista e o consumidor. Aqui são apresentadas algumas conclusões interessantes, como o facto do custo de aquisição e de retenção de clientes ter aumentado em 15%. Isto tendo em conta que aproximadamente 65% dos carrinhos de compras virtuais serem “abandonados” antes de se efectuar a transacção comercial.

A realidade portuguesa

Relativamente a Portugal, ainda não existem dados que permitam avaliar a rentabilidade das lojas online, nem sequer lojas que sejam capazes de competir com os sites estrangeiros mais emblemáticos, em termos de oferta e de capacidade de desenvolvimento do negócio. Porém, nos últimos tempos têm aparecido alguns sites de reconhecida qualidade que permitem, pelo menos, poupar nos portes de envio, já que as lojas estão localizadas em Portugal.

No sector dos centros comerciais virtuais, competem entre si o Globalshop (www.globalshop.pt) e o Shoppingdirect (www.shoppingdirect.pt), que agrupam pequenas lojas de várias empresas num só espaço, oferecendo assim um leque variado de produtos. Por outro lado, as grandes superfícies virtuais disponibilizam diversos produtos debaixo da mesma loja, o que permite fidelizar os clientes e oferecer produtos mais baratos. Encontram-se neste caso o Superoferta (www.superoferta.com) e o Giganetstore (www.giganetstore.com).

Restam as lojas especializadas em que a especialização num dado tipo de produtos permite a exploração a fundo de um sector, fornecendo uma gama extremamente vasta de produtos específicos. Como exemplos, a venda de livros (MediaBooks – www.mediabooks.com), de produtos informáticos (Vobis – www.vobis.pt), de produtos naturais (RuralNet – www.ruralnet.pt) e de discos e livros (FNAC – www.fnac.pt).

Criando dificuldades na implementação do comércio electrónico português, encontram-se alguns problemas como a questão da descrição dos produtos, os preços praticados, a navegação dos sites e as garantias de segurança relativas às transacções e pagamentos.