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Luma Home, uma casa em construção

Foi com uma mão sobre a qualidade e outra sobre a diferenciação que a Lumatex lançou a marca de têxteis-lar Luma Home. Apesar de contar com poucos anos de atividade, o objetivo é ganhar visibilidade no futuro e representar entre 20% a 30% do volume de faturação da empresa nos próximos cinco anos.

António Leite

Com uma capacidade produção 50 mil peças mensais, entre as quais dominam os artigos para cama, que são feitos internamente, da tecelagem à confeção e acabamentos, a Lumatex tem ainda margem para se dedicar à marca própria. Criada há dois anos, a Luma Home dirige-se a «um nicho de mercado de qualidade mais alta», esclarece António Leite, CEO da empresa. «Aos poucos temos conseguido introduzir [a marca] em lojas mais pequenas, em quantidades mais reduzidas, mas com um valor acrescentado maior», acrescenta.

Até ao momento, a Luma Home tem uma representatividade de 5% no volume de negócios da empresa, mas o objetivo é aumentar esta percentagem para os 20% ou 30% nos próximos cinco anos. «No mínimo, são precisos cinco anos até que a marca comece a ter expressão. Portanto, ainda estamos em fase de investimento», explica o CEO.

Salvar o planeta e viajar para o Oriente

Seguindo a tendência do momento, a Lumatex apresenta-se com duas coleções no âmbito da sustentabilidade: uma com fios reciclados e outra com fios orgânicos. «No fundo, é uma forma de proteger melhor o planeta e é nisso [na sustentabilidade] que estamos focados», revela António Leite.

Da parte dos clientes, a oferta parece agradar às exigências do mercado. Apesar de uma «renitência inicial pelo preço [mais elevado]», o CEO argumenta que «sentimos bastante procura, já que a expressão de ordem nos tempos que correm é “salvemos o planeta porque só temos um”».

É com esta proposta que a Lumatex se propõe a continuar a conquistar o mercado internacional, que já absorve 98% do seu volume de produção. Contrariando o ligeiro decréscimo da procura na Europa e a brevidade do crescimento nos EUA, a empresa está a considerar apostar no extremo oposto do mapa. «Já fomos ao Japão três ou quatro vezes e estamos a pensar investir mais no país», confirma. «Enquanto as vendas na China nunca são consolidadas, isto é, não têm seguimento, é one-shot», explica o CEO, «a produção têxtil [do Japão], em termos percentuais, é mínima», garantindo-lhe uma maior margem de mercado por explorar.

Desafios vs soluções

2019 foi um «ano difícil» para a empresa, segundo António Leite, que admite ter feito um esforço acrescido para manter o volume de faturação de 4,2 milhões de euros. «A guerra comercial China-EUA, todos os problemas que se enfrentaram na Europa, as greves de França, o desafio de criar um governo em Espanha, a mudança de regime em alguns países na América Latina» constituíram alguns dos principais constrangimentos do ano passado. «Acho que tudo isto provocou um ligeiro medo a nível global», defende o CEO. «O que sinto nos compradores é que cada vez têm mais medo de comprar ou compram o mínimo necessário para terem em stock», confessa. A estas dificuldades, António Leite acrescenta a mudança de hábitos de consumo.

Contudo, 2019 foi também um ano de renovação. Consagrado num investimento que rondou os 3 milhões de euros, a Lumatex passou por um processo de restruturação, em que se incluiu a aquisição de novos teares e a construção de um novo edifício, que visa a otimização do layout produtivo, a inovação tecnológica e adoção de processos mais eficientes para aumentar a capacidade e a flexibilidade da produção.

Ainda assim, o CEO tenta não criar expectativas para o futuro próximo, acreditando que «o que se passou em 2019 vai prolongar-se para 2020». Deste modo, a meta deste ano é manter o volume de faturação e procurar contrariar os impactos económicos provocados pelo «clima de insegurança que se instaurou a nível mundial», assume.