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Lunartex dá o nó com a sustentabilidade

Fitas, elásticos, cordões e rendas fazem parte do portefólio da Lunartex, que ao longo dos últimos anos tem procurado criar um elo sustentável entre todos os seus produtos. Este ano, a empresa insiste nesta estratégia, apresentando um cordão tinto em massa, que consome pouca água e energia no tingimento.

Rui Lopes

Claramente «há uma moda à volta daquilo que é a sustentabilidade», reflete Rui Lopes, responsável de exportação da Lunartex, mas «nós consideramos que pode ser uma mais-valia para o produto». Dando continuidade a um esforço que já soma vários anos e que vai muito para além da recente «moda», a Lunartex lançou um fio tinto em massa, uma forma de tingimento direto que minimiza o consumo de água e energia.

À redução da pegada ambiental, soma-se a segurança, dado que a ponteira do cordão é costurada à máquina, evitando a aplicação de plástico, cuja venda é proibida em produtos para crianças. «Nós conseguimos ter o mesmo cordão, com o mesmo efeito visual, com uma ponta que não traz problema nenhum», esclarece o responsável de exportação ao Portugal Têxtil.

A empresa garante que «podemos fazer todos os artigos que temos expostos com produtos recicláveis», desde que «acompanhe o preço e que o cliente assim o queira», revela Rui Lopes. Apesar de não ser 100% sustentável, a Lunartex já há muitos anos que tem vindo a progredir neste sentido e hoje conta com painéis solares que fornecem 70% da energia consumida, uma frota automóvel 80% elétrica, bem como sistemas de tratamento da água e de separação dos resíduos.

O próximo passo é investir na certificação. Além do standard 100 Oeko-Tex class 1 e da norma ISO 9001, o responsável de exportação confirma que «estamos a pensar certificar a empresa em tudo o que sejam produtos sustentáveis», o que requer um «rastreamento do início até ao final». A Lunartex espera, por isso, que a tendência da procura continue a seguir a “moda sustentável” para que este investimento tenha um retorno positivo no longo prazo. «Aquilo que nos vai indicar o caminho será o próprio mercado», reforça.

Primeiro encontro

Outro dos grandes compromissos da Lunartex prende-se com a internacionalização. A taxa de exportação de 40% não reflete a ambição da empresa vimaranense que, depois de ter conquistado Itália, Espanha e a Tunísia, aponta agora a mira para os mercados do norte da América – «aos EUA, porque têm 200 milhões de consumidores, e ao Canadá porque se apresenta com 0% de taxa para a entrada de produtos», justifica Rui Lopes.

Contudo, o responsável de exportação confessa que a estratégia de internacionalização tem de ser idealizada para o longo prazo. «É quase uma relação: primeiro conhece-se, depois namora-se e, no fim, casa-se. São mercados onde precisamos de ganhar a confiança por parte do cliente», logo «um investimento a curto prazo nunca é uma boa solução», argumenta. No fundo, o grande objetivo é diversificar a presença internacional, de modo a reduzir o impacto de possíveis flutuações da procura, como aconteceu na Europa, onde «o consumo baixou drasticamente», analisa Rui Lopes.

Um futuro promissor

Para uma procura diversificada, a Lunartex apresenta também uma oferta variada. Apesar do underwear representar 70% das vendas, a empresa fornece igualmente os segmentos do desporto, segurança e mobiliário, com elásticos e passamanarias, onde se incluem as fitas de sarja, fitas rijas, fitas nastro e cordões, bem como rendas, estampados, silicones e outras aplicações.

Durante os últimos dois anos, a empresa beneficiou de um investimento de quase um milhão de euros, no âmbito do Portugal2020, para a internacionalização e aquisição de maquinaria nova de produção, tingimento e estamparia. Contudo, Rui Lopes considera que a indústria têxtil e vestuário nacional continua a ser desafiada pela escassez de apoios da parte do Estado. «Não falo apenas de um apoio financeiro – isso já observamos no Portugal2020, pelo qual agradecemos e estamos muito satisfeitos. Refiro-me também àquilo que possa vir a ser os apoios nos pagamentos por conta, pagamentos IRC» e outras ajudas de custo.

Por outro lado, 2019 também sofreu «uma quebra do consumo por questões ambientais», aponta o responsável de exportação. A conjugação de todos estes fatores motivou um volume de faturação de cerca de 4 milhões de euros, o que significa uma estagnação relativamente a 2018. No entanto, as expectativas para 2020 são positivas. «A nossa ideia perspetivada para este ano está entre os 5% a 10% [de taxa de crescimento]. O início do ano, pelos menos, começou bem», assume Rui Lopes.