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Luxo estável para 2015

De acordo com as previsões da Bain & Co, as vendas de roupa de designer, artigos de couro e joalharia deverão crescer apenas 2% ou até 5% este ano numa base de moeda neutra, para os 223 mil milhões de euros, em comparação com um crescimento de 3% em 2013 e de 10% em 2012. Em termos gerais, a empresa de consultoria divulgou que o crescimento das vendas a taxas de câmbio atuais desacelerou para 1,5% no segundo semestre, abaixo dos 4% registados no primeiro semestre. Pelo lado negativo, a Bain & Co aponta que a desaceleração da procura na China, a instabilidade no Médio Oriente, a procura na Rússia afetada pela situação na Ucrânia e a agitação política em Hong Kong prejudicaram o mercado do luxo. Pelo lado positivo, o relatório destaca o aumento da procura online de produtos de luxo, especialmente calçado, a crescente importância dos meios de comunicação social e um mercado global que será capaz de sustentar o seu crescimento a longo prazo. O relatório revela que a indústria de produtos de luxo pessoais registou um abrandamento desde 2011, citando a descida da procura na China, onde o Governo reprimiu a troca de ofertas, e a debilidade económica na Europa. «Para o próximo ano, prevemos um crescimento semelhante ao de 2014», confirma Claudia d’Arpizio, parceira da Bain & Co e autora do estudo. «O consumo de luxo não depende apenas da riqueza pessoal e do ambiente micro e macroeconómico, mas também da confiança geral do consumidor. Por isso, todos estes eventos perigosos tiveram um impacto forte», acrescenta D’Arpizio. No entanto, assegura que «o mercado de produtos de luxo entrou num ciclo de crescimento mais fraco, mas é mais sustentável no longo prazo». A autora do estudo também refere que, no longo prazo, o imediatismo dos média sociais na difusão de tendências diretamente dos desfiles «está a colocar pressão sobre as marcas para levarem mais rapidamente os seus produtos aos consumidores». Pela primeira vez este ano, a Bain & Co observou que os gastos de luxo permaneceram estáveis na China continental a taxas de câmbio atuais, com as vendas a subirem apenas 1% em moeda neutra. «Durante os últimos 18 a 24 meses, as classes médias superiores na China tornaram-se mais sofisticadas e diversas grandes marcas abriram muitas lojas que contribuíram para afastar as pessoas», considera d’Arpizio. A abertura de muitas lojas tende a enfraquecer a exclusividade percebida de uma marca, sublinha. O crescimento das vendas na Grande China, incluindo Hong Kong, Taiwan e Macau, foi de 2% este ano, contra 7% no ano anterior. Na Rússia, a desvalorização do rublo e a baixa confiança dos consumidores afetaram as vendas de produtos de luxo, sendo registada uma queda de 7% em moeda neutra e uma queda de 18% a taxas de câmbio atuais. A Bain & Co acrescentou que as sanções económicas contra a Rússia também colocaram pressão sobre o sistema bancário do país e limitaram o acesso ao crédito para muitos grossistas. Este ano, os principais impulsionadores do crescimento da indústria de produtos de luxo foram a América do Norte e do Sul, onde as vendas aumentaram 6% em moeda neutra, e o Japão, com vendas a subirem 10%, indica a Bain & Co. A Consultora destaca ainda a redescoberta do interesse dos americanos pelos produtos de luxo, especialmente nas gerações mais jovens, com segundas e terceiras gerações de asiático-americanos e latino-americanos. O comércio online foi o canal que mais cresceu, com as vendas a subirem 28% em 2014. O calçado foi a categoria de produtos com melhor desempenho, superando as bolsas, pela primeira vez, e representando mais de 10% das vendas totais. O total das vendas de calçado online aumentou 8%, para os 14 mil milhões de euros em comparação com a subida de 4% em moeda neutra para as bolsas, ficando cifradas nos 37 mil milhões de euros.