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Luxo não conhece crise – Parte 1

A procura internacional por artigos de luxo continua a crescer, fundamentalmente nos mercados emergentes como a China, Rússia e Índia. Esta tendência, aliada aos esforços para introduzir mais produtos de luxo com margens altas, é uma boa notícia para as diversas ofertas em bolsa planeadas por designers italianos de moda. A indústria internacional de vestuário de moda deverá crescer entre 3 e 5% ao ano até 2012, fomentada pela crescente procura por moda e exclusividade, conforme relatam diversos observadores. No entanto, com o objectivo de aumentar as suas margens no competitivo mercado de artigos de moda, é previsível que as marcas de designer continuem a sua expansão no segmento de acessórios e produtos de pele, o qual deverá apresentar um crescimento entre os 7 e os 10% ao ano. As opiniões sobre esta tendência surgem em simultâneo com as recentes notícias de que a Prada está a planear a entrada na bolsa de valores, no primeiro semestre de 2008. As rivais Versace e Salvatore Ferragamo estão também a planear a entrada no mercado de capitais, para financiarem as ambiciosas incursões nos mercados emergentes. Aposta nos acessórios de moda De acordo com David Pambianco, vice-presidente da consultora Pambianco, os acessórios de moda são mais fáceis de vender e oferecem melhores margens para os retalhistas. Por outro lado, este responsável refere que o vestuário é muito mais complicado, na medida em que os artigos têm de ser experimentados, os modelos e as colecções são mais difíceis e dispendiosos de criar, requerendo rebaixas mais acentuadas caso não sejam vendidos. Esta opinião é partilhada por outros responsáveis que referem que o vestuário de luxo apresenta um risco mais acentuado, ao passo que os produtos de couro e os acessórios podem ser comercializados com base na abordagem de um “tamanho serve todos”, podendo ter margens mais altas. O aumento da procura por acessórios de luxo levou muitas marcas a expandirem-se neste mercado. Entre estas, a Burberry tem beneficiado desta estratégia. A marca britânica de vestuário de gama alta obtém 25% do seu volume de negócios nos acessórios, reduzindo significativamente o risco associado com o negócio de vestuário. No entanto, muitas marcas de topo como Ralph Lauren e Giorgio Armani continuam a obter a maior parte do negócio a partir do vestuário. Sendo assim, como podem estas marcas aumentar o lucro das suas colecções numa altura em que cadeias de vestuário como a Zara e a H&M continuam na ribalta, vendendo artigos de moda a preços económicos? De acordo com alguns analistas, a apresentação com mais frequência de colecções capazes de aliciar o consumidor é uma forma de combater estas marcas mais económicas, referindo ainda que as marcas de designer podem também especializar a sua presença no mercado de artigos de “super luxo”, de forma a afastarem-se da concorrência. De acordo com Pambianco, algumas marcas estão a copiar os retalhistas como a Zara e a H&M, através do lançamento de mais colecções, mas continuam a ser marcas de designer, sistema que não pode ser alterado de forma radical. A marca deve também investir fortemente na pesquisa do mercado de forma a apresentar algo mais exclusivo e luxuoso. Na segunda parte do artigo, vamos abordar as estratégias desenvolvidas pelas marcas de luxo, ao nível do produto e ao nível financeiro.