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Luxo não conhece crise – Parte 2

pesar das expectativas generalizadas para o crescimento das marcas de luxo (ver primeira parte do artigo no Portugal Têxtil), a existência de fortes concorrentes obriga a novas estratégias, quer ao nível do produto, quer ao nível financeiro. Para aumentar a sua atractividade, algumas marcas estão a desenvolver alternativas de segunda linha que podem ser distribuídas a diferentes preços. Referindo-se aos exemplos da D&G by Dolce & Gabbana ou da DKNY by Donna Karan, David Pambianco, vice-presidente da consultora Pambianco, refere que as marcas aprenderam que os consumidores não querem um produto posicionado em todas as gamas. Estas marcas conseguiram alargar os limites de preço da colecção de forma a vender os artigos mais caros nas suas lojas ou nos retalhistas de luxo e os mais baratos nas lojas generalistas. A germânica Puma tem sido bem sucedida com este modelo de negócio, sendo possível adquirir calçado básico por 50 euros numa loja generalista, assim como calçado por 300 euros num retalhista de luxo. Trata-se da mesma marca, mas produtos com estilo e materiais diferentes. O segmento de mercado de “super luxo” é também um novo motor de crescimento para o vestuário de designer. Algumas marcas como a Bottega Veneta, estão a lucrar com este nicho de mercado que tem por alvo os consumidores efectivamente muito abonados. Estas marcas compreendem bem que esta franja de consumidores quer exclusividade, algo que algumas marcas já não garantem, como o caso da Gucci, actualmente percepcionada como bastante mais massificada. Marcas com futuro à medida que o mercado de luxo continua a crescer, as quatro principais marcas (Giorgio Armani, Ralph Lauren, Dolce & Gabbana e Versace) devem manter o seu domínio sobre o mercado, conforme refere Armando Branchinni, presidente da InterCorporate, empresa de consultadoria dedicada ao comércio de artigos de luxo. Uma das principais razões para esta tendência prende-se com o facto das marcas de designer emergentes não possuírem a capacidade financeira para estabelecer a sua rede de distribuição. A abertura de uma loja numa boa localização, como as principais vias em Nova Iorque ou Tóquio, pode custar entre 10 e 100 milhões de dólares. Por outro lado, as lojas de departamento têm a tendência para evitar novas marcas. Para além destes factores, Branchini refere que diversas lojas de departamento privilegiam as linhas secundárias ou terciárias das marcas principais, e são cada vez mais adversas ao risco. Marcas querem entrar na bolsa de valores A Prada, conhecida pelas suas elegantes carteiras em pele e acessórios, está a planear a entrada na bolsa de valores por 3 mil milhões de euros. Entretanto, a sua rival Versace, com sede também em Milão, poderá ser valorizada entre os 700 e os 900 milhões de dólares, caso decida ser cotada em bolsa no final de 2008. A mais pequena Salvatore Ferragamo está também a planear a entrada em bolsa ao longo dos próximos doze meses. Branchini considera que as ofertas públicas vão-se tornar a estratégia de eleição para as marcas italianas de designer financiarem o seu crescimento. As empresas familiares italianas vão querer manter pelo menos 51 por cento da empresa, de forma a reter a maioria da propriedade e uma oferta de venda poderá permitir-lhes concretizar esse objectivo. Alguns observadores consideram que o momento é oportuno para a entrada em bolsa das empresas de luxo, referindo que os investidores compreendem que as marcas oferecem elevadas perspectivas de rendimento a preços baixos. No entanto, Miuccia Prada e Donatella Versace vão manter-se atentas ao desenvolvimento da crescente crise nos créditos e à instabilidade dos mercados, antes de lançarem as suas ofertas em bolsa.