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Luxo resiste à desaceleração

Os resultados para o primeiro semestre de 2012 mostraram que as grandes marcas, incluindo os líderes mundiais LVMH, PPR e Luxottica, registaram lucros crescentes impulsionados pelo aumento das vendas nos mercados emergentes. Os resultados superaram as expectativas dos analistas e dissiparam os receios que o arrefecimento da economia chinesa possa atenuar as vendas de produtos de luxo. Os diretores das empresas até expressaram confiança de que os números no final do ano evidenciem um crescimento contínuo. Com sede em Paris, a LVMH, cujos ativos incluem a Bulgari, a Louis Vuitton e uma série de marcas de topo de champanhe e bebidas espirituosas, divulgou que o seu lucro líquido subiu 28% no primeiro semestre, atingindo os 1,68 mil milhões de euros. As vendas aumentaram 26%, com 29% das receitas provenientes da Ásia excluindo o Japão, o maior mercado do grupo. «Abordamos o segundo semestre do ano com confiança», disse Bernard Arnault o CEO da empresa, com a LVMH a observar que o «mercado global (está) a registar um forte crescimento», apesar de «um ambiente económico incerto na Europa». Outro grupo líder do retalho de luxo francês, a PPR, divulgou no mesmo dia que o seu lucro líquido no primeiro semestre foi de 5,9% para os 477 milhões de euros, após um salto de 17% nas vendas. As vendas de produtos de luxo do grupo PPR – que inclui marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Boucheron -, cresceram quase um terço, compensando uma queda de 9,2% registada nas vendas da sua marca de sportswear: Puma. «Os negócios na China mantiveram-se extremamente dinâmicos, com as vendas a subirem 21,5% em termos gerais, alimentadas por uma subida de 24,4% na China continental», indicou a empresa em relação à sua divisão de luxo. A italiana Luxottica, o maior fabricante de óculos do mundo, divulgou que os seus lucros no primeiro semestre saltaram 20,6% para os 195,5 milhões de euros. A empresa, que produz os óculos de sol das marcas Oakley e Ray-Ban, bem como óculos para a Chanel e a Prada, revelou que as vendas aumentaram apenas 1% na Europa, mas subiram 35% nos mercados emergentes. Os resultados ecoaram dados semelhantes lançados no início deste mês pelo grupo Hermes, produtor de artigos de luxo, que relatou um crescimento de 21,9% nas vendas do primeiro semestre, para os 1,59 mil milhões de euros, com as vendas asiáticas excluindo o Japão, a aumentarem 25%. Os analistas referem que a China responde atualmente por cerca de 40% do mercado mundial de produtos de luxo e que o apetite chinês está a impulsionar as vendas, não apenas no país, mas também no exterior, na medida em que os turistas chineses fazem frequentemente compras durante as viagens ao estrangeiro. Apesar dos elevados impostos sobre os bens de luxo na China continental, as empresas estão a expandir cada vez mais no seu mercado de retalho, com a PPR a abrir 22 lojas na China, apenas no primeiro semestre do ano. Ainda assim, os analistas alertam para a possibilidade de algum tipo de desaceleração nas vendas de produtos de luxo, se o crescimento da China continuar a arrefecer. A economia chinesa cresceu uns ainda fortes 7,6% no segundo trimestre, mas a expansão encontra-se no ritmo mais lento dos últimos três anos, à medida que os problemas económicos globais começaram a afetar a segunda maior economia mundial. Thomas Mesmin, um analista na CA Chevreux, considera ser inevitável que uma crise económica mundial tenha um impacto sobre os produtos de luxo. «Dizer que os bens de luxo são resistentes à crise soa bem, mas é errado. Existe uma correlação bastante forte entre o desenvolvimento da economia global e o mercado de luxo», explica Mesmin-