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Made in Asia

As empresas americanas de vestuário expressam um interesse crescente em aumentar o aprovisionamento proveniente de países como o Vietname, Índia, Bangladesh e Indonésia ao longo dos próximos dois anos, reforçando o apetite pelo mercado asiático.

O estudo realizado pela Associação da Indústria da Moda americana constatou que cerca de 89% dos inquiridos continuam otimistas face às perspetivas da indústria da moda americana para os próximos cinco anos. No entanto, como no ano passado, estão cada vez mais apreensivos face ao aumento dos custos de produção ou de aprovisionamento, com 43% citando os custos crescentes como o seu maior desafio em 2015.

As empresas de moda americanas continuam a expressar interesse em expandir o aprovisionamento doméstico ao longo dos próximos dois anos, acompanhando a diversificação dos seus fornecedores. No entanto, não existem evidências concretas de que as empresas estão realmente a mudar os seus modelos de negócio, regressando à produção dentro de portas. Quase todos os entrevistados que planeiam aumentar a terceirização nos Estados Unidos, também esperam aumentar o aprovisionamento a partir da Ásia, América Central e da Bacia do Caribe.

O Vietname liderou os destinos de interesse, de acordo com dados resultantes da investigação, que incluiu 30 dos maiores retalhistas, marcas de vestuário, importadores e grossistas dos EUA. O Bangladesh permanecerá o destino de terceirização mais popular, mas continua a enfrentar grandes desafios, aponta o relatório observou. Cerca de 42% dos inquiridos esperam aumentar o valor ou o volume das importações provenientes do país nos próximos dois anos, mas este número diminuiu acentuadamente face ao resultado de 65% obtido no ano passado.

«O Bangladesh tem de competir com outros fornecedores líderes na região, especialmente com o Vietname, Índia e Indonésia», explicaram os autores do relatório. Alguns inquiridos expressaram preocupação sobre as tensões políticas em curso, que continuam a representar desafios para fazer os negócios no país. Porém, enquanto as empresas continuam a diversificar as suas fontes de origem, os acordos de comércio livre e programas de preferência permanecem subutilizados. Os melhores acordos de livre comércio apontados pelos inquiridos são o CAFTA-DR, que abrange a América Central e a República Dominicana, o NAFTA, celebrado entre os EUA, o Canadá e o México, e o acordo de comércio livre estabelecido entre os EUA e a Jordânia, sendo utilizados por mais de 50% dos inquiridos.

O AGOA surge na quarta posição, utilizado por cerca de 37% dos inquiridos. Os beneficiários são as Maurícias, Quénia, Lesoto, Madagáscar e África do Sul. Cerca de 37% acreditam que o AGOA irá beneficiar as suas empresas, enquanto 26% admitem aumentar o aprovisionamento efetuado através do acordo comercial. Todos os outros acordos, no entanto, têm uma taxa de utilização de 30% ou inferior. De forma a melhorar esse resultado, as entidades abordadas sugerem uma redução dos requisitos burocráticos para a importação e exportação de têxteis e de vestuário no âmbito destes programas. Cerca de 83% dos inquiridos expressaram, também, apoio ao abandono da restrita regra de origem, conhecida como “yarn-forward”.

No que diz respeito à Parceria Trans-Pacífica (TPP), a indústria do vestuário americana é considerada uma interveniente «crítica», afirma o relatório, e cerca de 80% dos inquiridos – que recorrem a entidades vietnamitas, americanas, peruanas, mexicanas e malaias no seu aprovisionamento – esperam que a sua implementação influencie as práticas de negócio adotadas. Cerca de 72% dos inquiridos referiram que vão recorrer a parceiros do TPP no aprovisionamento de têxteis e de vestuário após a implementação do acordo, com 48% antecipando um ajustamento estratégico ou reestruturação da sua cadeia de aprovisionamento, tendo por base o TPP.

No entanto, as regras restritivas do acordo poderão representar uma desvantagem, consideradas pelos inquiridos, um objeto limitador de potencial. Cerca de 45% dos entrevistados acreditam que a lista deve ser expandida. A proposta da regra de origem também é citada como «um grande obstáculo para a indústria na obtenção de benefícios reais resultantes do TPP».