Início Arquivo

Magreza gera nova polémica

Personagens reais, homenagens e ainda uma inspiração a relembrar o universo rock foram as principais tendências da última edição da São Paulo Fashion Week, que contou com a participação das mais conceituadas marcas brasileiras. Ronaldo Fraga inspirou-se no universo da coreógrafa alemã Pina Bausch e apresentou uma performance da bailarina Paula Cansado, do Grupo Corpo, que cruzou a passerelle a dançar entre cadeiras – aliás, uma das referências de Pina. As modelos usaram máscaras invertidas; complementadas por uma peruca que cobria, o rosto. A novidade da Ellus foi a ganga de couro, enquanto que Valdemar Iódice inspirou-se na floresta amazónica, explorando materiais da região: como a jarina, as sementes de tucumã e os couros de peixe. A Iodice criou uma «amazona do asfalto» – uma  mulher cosmopolita com um toque de sustentabilidade. «A exuberância dos pássaros está presente nos estampados e as curvas dos rios inspiraram-me na hora de inventar os modelos», afirmou Valdemar Iódice. A moda “punk rock” também foi confirmada como tendência, para o próximo Inverno pela Ellus, que apostou numa colecção comercial. Na próxima estação, a marca propõe jeans justos tanto para homem como para mulher, casacos de couro e muito preto. À parte dos desfiles, a extrema magreza de algumas das manequins que desfilaram na passerelle voltou a estar no centro da polémica durante a SPFW. Reinaldo Lourenço, por exemplo, afirmou que «as minhas roupas ficaram tão largas em algumas manequins que tive de fazer alguns ajustes de última hora». Afirmações como esta provocaram, por parte da organização, a necessidade de emitir um comunicado de imprensa, expressando preocupação pela escolha das modelos. «Desde 2007, que a São Paulo Fashion Week estabeleceu padrões de participação na passerelle, para ajudar a prevenir problemas extremos de saúde entre as modelos. Actualmente, devido às medidas em vigor, conseguimos apresentar resultados positivos, solicitando a apresentação de um atestado médico que garante a plena saúde e condições de trabalho das profissionais, além de não permitirmos menores de 16 anos a desfilar e exigirmos um alvará para as menores de 18 participarem. As agências têm de apresentar todos estes documentos até uma semana antes dos desfiles. Tentamos que exista uma maior consciência para este facto por parte dos pais, modelos e agentes», revelou a organização da SPFW.