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Mais apoio por menos tarifas

O governo paquistanês está a negociar uma suspensão temporária das tarifas e quotas de têxteis e vestuário, como contrapartida pelo seu apoio ao combate contra o terrorismo. O Ministro Paquistanês do Comércio, Abdul Razaq Dawood, afirmou na passada Quinta-feira a uma delegação de retalhistas, importadores, fabricantes e associações têxteis, que pediu à Administração Bush as concessões acima descritas. Dawood está a tentar conseguir a suspensão das tarifas e quotas até 2004 e espera obter uma resposta nas próximas semanas, afirmou o responsável numa entrevista após o encontro. Dirigindo-se a um grupo de cerca de 50 empresários e representantes de instituições indústriais presentes na Embaixada Paquistanesa, Dawood usou o encontro para acalmar os receios da instabilidade no seu país, dos atrasos nas expedições e da falta de segurança. Executivos do The Warnaco Group, Kmart, Federated Department Stores e a maioria das associações de comércio fizeram parte da reunião com o ministro. A maior surpresa nas presenças foi Michael Hutchinson, presidente interino do Comité para Implementação de Acordos Têxteis, que normalmente trabalha nos bastidores para levar a cabo uma política comercial. “Nós já chamámos a atenção para a urgência da situação”, diz Dawood. “O Paquistão tem protagonizado um forte apoio aos EUA e nós estamos a ter neste momento alguns problemas – nada de demasiado importante – mas se o governo dos Estados Unidos quer manter uma relação a longo prazo com o Paquistão, a melhor forma de o conseguir é através da suspensão temporária das tarifas e das quotas”. Ao abrigo do Uruguay Round, as quotas serão retiradas até 31 de Dezembro de 2004. “Quando as quotas deixarem de existir, poderemos discutir as questões a longo-prazo e o modo como os EUA quer fazê-lo”, afirmou Dawood. Dawood passou a última semana em encontros ao mais alto nível com governantes relacionados com estas áreas, incluindo o Secretário do Comércio norte-americano, Robert Zoellick, e o Sub-Secretário de Estado para os Assuntos Económicos e Agrícolas, Alan Larson. A decisão final em relação às solicitações paquistanesas será tomada pela Administração Bush, mas diversos ministérios, como o Departamento de Comércio e o Departamento de Estado estão já a recolher informações para dar ao Presidente uma recomendação final. “Os têxteis representam as maiores exportações do Paquistão”, afirmou Dawood. “Nós temos um projecto têxtil para 2005 e estamos a tentar tornar a nossa indústria internacionalmente competitiva”. A indústria têxtil e do vestuário emprega no Paquistão 2,5 milhões de pessoas. Este país é o maior fornecedor de fios e tecidos de algodão e de têxteis-lar dos EUA, segundo números do Departamento de Comércio americano. As exportações têxteis paquistanesas para os EUA atingem um total de 1,9 mil milhões de dólares por ano, cerca de 420 milhões de contos, o que faz deste país o quarto maior fornecedor dos EUA. Importadores, fabricantes e retalhistas pediram à Administração Bush que faça concessões a curto e a longo-prazo às empresas que se abastecem no Paquistão e noutros países da região, enquanto os EUA continuarem a escalada militar na sequência dos ataques terroristas de 11 de Setembro. Entre as preocupações por eles reveladas junto do ministro paquistanês, contam-se os atrasos nos embarques de mercadoria, que chegam a atingir os 10 dias, os prémios dos seguros de guerra e as imagens dos sentimentos anti-americanos no Paquistão que têm passado nos media. “Nós produzimos 12.000 peças por semana no Paquistão e estamos a ter graves problemas de transporte aéreo”, afirmou Michael Gale, defensor dos interesses da Warnaco. “Nós esperamos que o Paquistão e o governo dos EUA resolvam este problema em poucas semanas, e não em meses”, afirmou, acrescentando que todas as empresas americanas estão neste momento a tomar as suas decisões de compra para a próxima estação de Primavera-Verão. Gale disse ainda que normalmente leva quatro dias a enviar uma encomenda por barco desde o Paquistão até aos Estados Unidos, mas actualmente está a demorar entre 11 a 15 dias. O sub-secretário Larson assegurou estarem a ser tomadas medidas no sentido de resolver rapidamente os problemas com o embarque. «Eu acho que a primeira questão a resolver é a do transporte,» disse Larson. «Por cada hora que trabalho nisto, estou a ficar cada vez mais confiante que é algo susceptível a uma rápida e justa resolução, e é precisamente nisto que nos estamos a centrar.» Larson disse ao grupo que os aviões que estavam a fazer entregas de ajuda humanitária e outros mantimentos, estavam a sair do Paquistão vazios e que poderiam ser usados para transportar vestuário e têxteis de volta aos Estados Unidos. Disse ainda que estavam em negociações com duas companhias aéreas, informando os seus membros das oportunidades. Larson afirmou numa entrevista antes da reunião, que não estão para já concentrados nas concessões a longo prazo, como a eliminação de quotas ou redução de tarifas. Muitos executivos estão preocupados com os sentimentos anti-americanos no Paquistão, que têm sido mostrados na televisão e nos jornais em todo o mundo. «O que é que podemos fazer para mostrar que é patriótico comprar artigos feitos no Paquistão, especialmente, quando eles vêem pessoas a queimar a bandeira americana?», perguntou um dos executivos. Um industrial que trabalha como mediador entre empresas do Paquistão e retalhistas dos Estados Unidos, referiu que uma destas cancelou recentemente uma encomenda no valor de um milhão de dólares. Alguns industriais dizem que é muito importante publicar uma carta aberta nos jornais dos Estados Unidos dizendo que é importante para os retalhistas e consumidores apoiarem o Paquistão. «Os consumidores terão a decisão final» afirmaram. «Eles vão se aperceber qual a origem do produto e todos serão afectados».