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Mais apoios à internacionalização

Reforçar as verbas destinadas à promoção externa da indústria é uma das prioridades de João Correia Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia, que visitou os expositores portugueses na Munich Fabric Start a convite da ANIVEC e da ATP.

César Araújo (ANIVEC), João Correia Neves e Paulo Melo (ATP)

Depois de um interregno de vários meses devido à situação pandémica mundial, a Munich Fabric Start abriu portas a 31 de agosto, tendo recebido João Correia Neves, em visita à comitiva lusa de mais de três dezenas de empresas presentes in loco.

De forma otimista, o Secretário de Estado Adjunto e da Economia elogiou a enorme «capacidade do têxtil nacional em termos de qualidade, design, preço e proximidade aos mercados, mas obviamente muito dependentes da sustentação da procura a partir de uma situação de natureza pandémica que levou à diminuição da procura dos bens não essenciais». No entanto, João Correia Neves realçou que há uma visível «retoma das atividades» e que ter uma feira como esta «com um número bastante expressivo de empresas portuguesas de qualidade é um sinal muito positivo».

O Secretário de Estado reconheceu ainda a importância das feiras no desenvolvimento das exportações nacionais e garantiu o reforço do apoio à internacionalização. «Ao longo do período mais fácil de existência de feiras pude constatar uma presença massiva em vários sectores de atividade e a importância que as feiras têm hoje para o desenvolvimento das nossas exportações. Portanto, nós temos apostado muito nessa dimensão e, no próximo quadro financeiro Portugal 2030, vamos reforçar as verbas destinadas à promoção externa da nossa indústria».

Cedo para lançar números, as negociações com a Comissão Europeia para o próximo quadro financeiro plurianual ainda estão numa fase inicial, João Correia Neves adiantou, contudo, que os apoios para a internacionalização serão em diferentes componentes, sendo que a presença em feiras será uma das prioridades. O Secretario de Estado referiu ainda que as «novidades serão boas» e em consonância entre os diferentes protagonistas: empresas, estruturas associativas e cluster da moda.

Augusto Sousa (Juvema)

As palavras de João Correia Neves foram apreciadas pelos expositores nacionais, que invocaram não só um reforço às comparticipações em missões internacionais, mas também celeridade nos reembolsos dessas presenças. «Se o Estado em vez de dar uma comparticipação de 50% desse 60% com um reembolso mais rápido, possivelmente conseguiríamos ter o dobro dos expositores e poderíamos estar presentes num maior número de feiras e atacar diferentes mercados», afirmou Augusto Sousa, administrador da Juvema, ao Portugal Têxtil.

César Araújo, presidente da ANIVEC, instou um olhar atento para as grandes empresas exportadoras, que tem ficado de fora dos apoios do Executivo. «As empresas com mais de 250 trabalhadores recebem zero ajuda. As PME’s e as micro recebem 50%. Portugal é um país pequeno e as nossas empresas com mais de 250 trabalhadores são, aos olhos do mundo, muito pequenas, por isso temos que criar músculo para competir globalmente e o que esperamos é que esses apoios cheguem também a estas empresas», explicou ao Portugal Têxtil.

Um desejo reiterado pelo vice-presidente da ATP, Paulo Melo. «É fundamental que as grandes empresas sejam apoiadas, não é só as PME’s, para poderem estar aqui nestas feiras», assegurou ao Portugal Têxtil. O dirigente associativo reconheceu que a pandemia levou ao repensar da indústria têxtil mundial e que a Europa tem que voltar a ter um pulmão industrial forte, como teve no passado. «Carecemos de uma balança equilibrada e não podemos estar totalmente dependentes da Ásia para determinado tipo de situações», apontou.

De acordo com os dados preliminares do INE, no conjunto do 1.º semestre de 2021, Portugal já exportou perto de 142,3 milhões de euros de produtos de vestuário para a Alemanha, evidenciando um crescimento de 17,4% em relação ao período homólogo de 2020 e um aumento de 9,0% quando comparado com igual período de 2019.

Nesta edição da Munique Fabrics Start, que decorreu até 2 de setembro, 31 empresas portuguesas marcaram presença no certame, 13 das quais no espaço Sourcing Portugal, apoiadas conjuntamente pelo CENIT (100% ModaPortugal) e pela Associação Selectiva Moda (From Portugal), e 18 na área dos tecidos, com 10 apoiadas pela Associação Selectiva Moda.

César Araújo, Paulo Melo e João Correia Neves