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Mais automatismos no horizonte da Twintex

A responsabilidade social é uma das bandeiras da produtora de vestuário, que tem vindo a crescer com sustentabilidade. Em paralelo, a Twintex está a investir num novo layout e em automatismos desenvolvidos à medida que vão permitir aumentar a capacidade industrial.

Bruno Mineiro

Num misto entre a sustentabilidade e a vanguarda tecnológica, a Twintex esteve no evento de Paris a mostrar que os dois conceitos não são antagónicos e que a indústria de confeção pode prosperar com respeito pelo meio que a rodeia. «Está globalmente aceite que temos que contrariar este fenómeno perigosíssimo das alterações climáticas. Temos essa preocupação e há mais de 10 anos que investimos no sentido de reduzir as emissões da fábrica», garante o administrador Bruno Mineiro.

Numa década, a empresa de confeção reduziu em 60% as suas emissões, fruto de um investimento de quatro milhões de euros, que contemplou a instalação de painéis fotovoltaicos, que atualmente são responsáveis por 55% da energia elétrica consumida, e a reconversão das caldeiras para gás natural. «Não foi por isso que se investiu, mas não deixa de ser relevante termos concluído que todo este investimento na sustentabilidade é economicamente viável, ou seja, conseguimos ter os nossos custos fixos controlados porque temos este tipo de investimento», afirma ao Jornal Têxtil.

Entre as pessoas e as máquinas

À sustentabilidade ambiental junta-se a responsabilidade social, uma área onde desenvolveu o conceito Twintex Life que inclui descontos diretos em diversos serviços para os seus 400 trabalhadores e respetivos dependentes, assim como rastreios de saúde e academias para qualificar os funcionários. «Diria quase que é um exercício básico de senso comum: o ser humano produz muito mais, dá muito mais do seu talento, se estiver motivado para o fazer. Trata-se de olhar para as pessoas e ver de que forma é que eu consigo estimulá-las a darem mais e melhor», resume Bruno Mineiro.

Os investimentos da empresa passam também pela otimização da eficiência produtiva. A Twintex, que internamente confeciona 40% do que vende – os restantes 60% são produzidos em fábricas satélite na região e, sobretudo, na zona norte de Portugal – adquiriu um novo centro logístico no Fundão, onde está sediada, para onde deslocou os armazéns de matérias-primas e de produtos acabados e o corte. «Isso permitiu-nos libertar um espaço de mais de 4.000 metros quadrados na fábrica-mãe e, dessa forma, trazer para dentro das mesmas portas a nossa segunda fábrica. Neste momento temos toda a indústria junta», revela o administrador. O espaço libertado permitiu desenhar um novo layout, «que está a ser implementado e estará pronto no fim de novembro», explica o administrador, adiantando que essa mudança irá, provavelmente, implicar a contratação de mais 40 pessoas.

Os ganhos de eficiência serão ainda impulsionados pela aquisição de novos equipamentos, nomeadamente automatismos, «alguns dos quais são únicos no mundo, porque estamos, de raiz, a desenvolver máquinas novas, que ainda não existem», indica Bruno Mineiro. «Estamos a falar de máquinas ligadas à abertura de pinças, fecho de bolsos, que até aqui existiam de uma forma, mas que nós, em colaboração muito estreita com estes nossos parceiros alemães, estamos a desenvolver», esclarece. Os primeiros protótipos estão em teste e deverão entrar em plena laboração em meados do próximo ano. O investimento rondará 1,5 milhões de euros. «Logicamente é uma tecnologia que, neste momento, ainda é muito cara, até porque estamos a ter a ousadia de fazer uma coisa muito pouco comum mas que em rigor faz todo o sentido, que é trabalharmos de mãos dadas com aqueles que efetivamente desenvolvem. Como tal, temos de estar preparados para investir. Mas depois, do ponto de vista da eficiência, tem um feedback muito positivo», aponta o administrador.

A desbravar novos continentes

A Europa é o «mercado doméstico» da Twintex, que está a somar mais clientes também no outro lado do Atlântico. «Os EUA e o Canadá são mercados emergentes para nós, é para esses que consideramos que exportamos», indica Bruno Mineiro. Estes dois países representam, atualmente, 20% do negócio da produtora de vestuário, mas «daqui a três anos pode ir a 25%, 30%», avança.

Em 2018, o volume de negócios da Twintex rondou os 30 milhões de euros e, este ano, as previsões são de continuação do crescimento, apesar do ritmo mais moderado. «As perspetivas são de um crescimento de 4%. O ano passado foi, para nós, de alguma exuberância em termos de crescimento, muito acima do que é normal. Este ano voltamos àquele que é considerado o nosso crescimento normal, sustentado. É importante mantermos esta palavra junto de nós, não só na questão ambiental ou social, mas também no crescimento», admite o administrador.