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Mais soluções que inovações

A IMB, que teve lugar entre 31 de Maio e 3 de Junho, em Colónia, é um dos maiores salões do mundo dedicado às inovações tecnológicas para a indústria têxtil e do vestuário.

Esta mostra mundial é indispensável para os industriais que queiram estar a par do futuro das inovações tecnológicas, especialmente aplicáveis ao sector da confecção, pois o negócio da moda está cada vez mais sujeito a leis cada vez mais específicas, circuitos curtos, flexibilidade, melhor preço e qualidade em tempo mais rápido, exigências só satisfeitas quando se utilizam optimamente todos os recursos tecnológicos disponíveis. Reflectindo uma indústria em mudança, a IMB2000 foi certamente um salão muito diferente em comparação aos precedentes. Durante os anos oitenta e noventa, a IMB poderia ser descrita como uma exibição de inovações, de desenvolvimentos novos e dos protótipos mostrados à indústria pela primeira vez. Esta era uma das partes mais importantes da mostra, onde as empresas testavam o que era fundamental tornar disponível ao mercado. Hoje em dia o mercado e os desenvolvimentos alteram demasiado rapidamente para esperarem por salões como a IMB, e este ano foi mais um ano de soluções do que inovações.

O tipo de visitante também mudou. Pela primeira vez a indústria britânica e francesa estiveram praticamente ausentes do salão. Em conversa com alguns expositores era o Sri Lanka, seguido pelos indianos os compradores mais interessados que compravam equipamento altamente sofisticado ao nível de redução de recursos humanos e optimização da qualidade, não pareciam estar interessados em equipamentos únicos mas em linhas de produção completas. Os responsáveis pelas decisões chaves com grandes orçamentos provenientes da Ásia e do Leste eram visivelmente abundantes, tais como países como o México, Chile, Egipto e Europa Oriental. No total a IMB contou com cerca de 30.000 visitantes provenientes de 100 países, embora o número de alemães presentes tivesse aumentado e só estes foram responsáveis por 55% das compras. 754 expositores, de 40 países dos quais 64% oriundos de outros países, aparentemente um novo recorde para esta edição da IMB.

Bastante procuradas foram as empresas de CAD que mais uma vez tentaram promover as soluções para os novos conceitos de «mass costumization» e «mass production». O ênfase, no entanto, foi em torno das comunicações globais electrónicas, apesar de que na área de inovação quase todas as empresas de CAD promoveram fortemente o uso da exploração da utilização da scannerirização em 3d e do «feito à medida».

No entanto esta 10ª edição da IMB contou com duas grandes novidades, a presença de duas empresas portuguesas, a Eastman e a Tecnin – Tecnologias Industriais SA. A outra grande novidade foi a missão de empresários do Minho a este salão. A iniciativa SiProfit (IDITE-Minho) e o programa Minho – Pólo de Excelência Têxtil (AIMinho) realizaram uma acção de promoção de Portugal – Centro de excelência ao nível do desenvolvimento de tecnologia para a fileira têxtil. Esta apresentação decorreu de uma missão empresarial organizada pela iniciativa SiProfit e que contou com cerca de trinta empresários, investigadores do Minho e responsáveis pelos organismos envolvidos nesta iniciativa, IDITE-Minho, CITEVE, INEGI, DGI e AIMinho. Reunindo técnicos, investigadores e empresários de algumas das mais significativas empresas da fileira têxtil a nível nacional, esta missão visou, para além da promoção de Portugal como centro de excelência ao nível do desenvolvimento de tecnologia para a fileira têxtil, dar a conhecer aos participantes as soluções tecnológicas disponíveis no mercado internacional, bem como fazer contactos no sentido de potenciar futuramente as soluções desenvolvidas e industrializadas no âmbito da iniciativa SiProfit.

A indústria têxtil e do vestuário constitui um sector exigente do ponto de vista tecnológico, sofisticado na concepção e desenho de produtos extremamente complexo na logística e organização da produção. A região do Minho é exemplo de uma boa adaptação à modernidade que este sector exige. O sucesso da ITV portuguesa radica não só na sua modernização constante, como também numa clara política de apoio à criação de estruturas de investigação e apoio ao desenvolvimento das capacidades técnicas e tecnológicas das empresas que constituem este sector. O IDITE-Minho, o CITEVE, O INEGI, a AIMinho e a Universidade do Minho são algumas destas entidades que partilham o sucesso da ITV portuguesa no contexto europeu.

Durante a IMB o interesse das empresas internacionais recaiu essencialmente sobre o alfaiate electrónico, uma das novas tecnologias a ser desenvolvida pelo SiProfit (ver caixa). Mais do que um sistema tecnológico, o alfaiate electrónico é, segundo Bráz Costa , director executivo do SiProfit «um novo modelo de negócio». O projecto assenta na possibilidade de um cliente escolher num computador o modelo, as cores e medidas adequadas (tiradas através de um scanner) e de essa escolha ser imediatamente enviada para o centro de produção, que depois remete o produto para casa do cliente. A dependência de sistemas avançados de comunicação e a utilização da Internet fazem deste projecto uma inovação no panorama internacional e explicam o interesse das grandes marcas em participar nele.

Um vez tiradas as medidas ao clientes, deverá ainda ser possível que este escolha e encomende novos modelos via Internet, já não sendo necessário a deslocação à loja. Uma das formas de desenvolver também o comércio electrónico, que só será possível se existir um sistema central que disponibilize via Internet a simulação da prova, uma das particularidades do projecto.