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Malha da Vilartex ganha prémio

Uma malha com algodão orgânico, urtiga, poliéster e elastano garantiu à Vilartex o 3.ª lugar no Hightex Award. Uma distinção da feira de tecidos Munich Fabric Start que premeia o esforço de inovação e desenvolvimento da especialista portuguesa em tricotagem.

Em Munique estão Carlos Coutinho, diretor de exportação, e Raquel Pereira, comercial

O prémio foi entregue a Carlos Coutinho, diretor de exportação da Vilartex, que ontem, 6 de setembro, percorreu a dezena de metros que separa o pavilhão principal da Munich Fabric Start – onde a Vilartex tem o seu stand – da área Keyhouse, um espaço do outro lado da rua dedicado às novas tecnologias e inovação em tecidos e malhas, para receber o galardão.

É neste espaço Keyhouse que, até ao final do dia de hoje, os milhares de visitantes que têm passado pela Munich Fabric Start (ver 34 + 9 em Munique) podem ver e tocar nos produtos vencedores do Hightex Award – que atribuiu o 1.º lugar à paquistanesa Kassim Denim e o 2.º à suíça Schoeller –, incluindo a malha produzida pela Vilartex, uma estrutura interlock jacquard com uma composição 73% algodão orgânico, 13% urtiga, 12% poliéster e 2% de elastano.

«A novidade é a integração de fibra de urtiga», revela, ao Portugal Têxtil, Dany Gomes, designer da empresa. Utilizando o fio de urtiga produzido pela Inovafil (ver Inovafil fia urtigas), com quem a Vilartex estabeleceu uma parceria para este desenvolvimento, «a ideia era combinar uma fibra selvagem, que até há pouco tempo não se podia usar junto à pele, com uma fibra natural e orgânica como o algodão», explica, ao telefone, Dany Gomes, adiantando que «a fibra de urtiga tem características semelhantes ao linho, proporcionando um toque mais rugoso, mas é ainda mais resistente».

«Trata-se uma malha inovadora com características naturais antibacterianas, antiestáticas, termorreguladoras e respiráveis», destaca Carlos Coutinho, que nos últimos dias tem recebido compradores «alemães, polacos e búlgaros», aponta.

No stand da Vilartex estão em destaque, além deste desenvolvimento, diversas propostas com matérias-primas recicladas, do algodão ao poliéster e poliamida. Entre as novidades da nova coleção, para o outono-inverno 2018/2019, que será igualmente apresentada em Paris de 19 a 21 de setembro, na Première Vision, encontram-se igualmente malhas em algodão BCI (Better Cotton Initiative) e «malhas mais invernais, com combinações de algodão orgânico com lã e pelo de camelo», refere Dany Gomes.

Crescer lá fora

Atualmente, a quota de exportação da Vilartex ronda os 5%, mas a produtora de malhas, que emprega 130 pessoas e no início do ano reforçou a produção (ver Vilartex reforça produção), está a crescer diariamente junto dos clientes internacionais.

«A nível dos mercados externos, temos subido um bocadinho, já não se trata de encomendas pontuais», afirma Carmen Pinto, administradora da Vilartex, ao Portugal Têxtil, sublinhando que o crescimento tem sido sentido em toda a Europa. «Estamos com uma aposta forte nos EUA, mas ainda estamos na fase de produção de amostras», acrescenta.

Com os primeiros oito meses do ano a registarem um comportamento semelhante ao período homólogo de 2016, com apenas «uma subida muito ligeira», as expectativas para o resto do ano são, contudo, bastante animadoras. «Para o mercado nacional vamos manter, mas contamos que, a nível de exportação, o volume de negócios vá subir um pouco, uma vez que estamos com muitas encomendas a entrar neste segundo semestre», explica Carmen Pinto ao Portugal Têxtil.